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Publicado: 9/05/2013 | 09:47
DIRETOR DE POLÍTICAS ESTRATÉGICAS DA CSPB EXPLICA A RELAÇÃO ENTRE O SINDICALISMO E A ECONOMIA SOLIDÁRIA
De acordo com o sindicalista, uma nova ordem social está surgindo a partir da Economia Solidária: “diante dos imensos desafios pelos quais a classe trabalhadora está enfrentando, sobretudo após a crise de 2008, começa a emergir uma sociedade coletiva de direitos iguais e oportunidades iguais com resgate da cidadania e em busca da felicidade”

O diretor de políticas estratégicas da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Musébio Azevedo, participou, no dia 26 de abril de 2013, da Conferência “Sindicalismo e Economia Solidária” realizada na Escola de Ciências do Trabalho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O evento, ocorrido na capital paulista, reuniu lideranças sindicais e trabalhadores de empreendimentos solidários para acompanhar a palestra do secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, professor Paul Singer.
Musébio, entusiasmado com os conhecimentos adquiridos durante a Conferência declarou que “as ligações entre o movimento sindical e as atividades relacionadas à economia solidária, estão bem mais próximas do que se imagina”. O diretor da CSPB explicou que “antes da Revolução Industrial, os camponeses eram donos dos seus meios de produção. Com o advento da Revolução Industrial houve a inversão desse modelo. Os capitalistas se apossaram dos meios de produção e, com uma produtividade potencializada pelas máquinas a vapor e baixos custos com mão de obra, criaram as condições favoráveis para a produção de um imenso volume de mercadorias a preços menores, arruinando todo o processo de produção artesanal dos camponeses da época”.
Azevedo destacou que, apesar do vertiginoso aumento da produção de mercadorias ocorrido no período da Revolução Industrial, as condições sociais de artesões e trabalhadores se agravaram. “Os trabalhadores das fábricas dedicavam, em média, entre 16 e 18 horas de trabalho diário em situações análogas às do trabalho escravo. Em consequência disso, surgiram as primeiras organizações sindicais (corporações de ofício) com objetivo de reivindicar melhores condições de trabalho e de salários para a classe trabalhadora do período”, pontuou.
O sindicalista destacou que a Economia Solidária retoma um modelo de produção semelhante, em diversos aspectos, ao que era praticado antes da Revolução Industrial, modelo, este, em que o resultado (lucro) da produção é compartilhado de maneira mais justa por todos aqueles que colaboraram com o processo produtivo. Neste caso, as decisões de gestão e comercialização do produto final passam a ser feitas pelos trabalhadores de maneira democrática. A figura do patrão, em empreendimentos solidários, deixa de existir.
“Hoje, com a falência comprovada do modelo neoliberal que, infelizmente, ainda persiste, sobretudo no pensamento conservador, a Economia Solidária surge como a possibilidade de resgatar a produtividade, a força de trabalho e o poder de mobilização de milhões de trabalhadores que, principalmente nos países ocidentais, estão à míngua diante das penosas políticas de austeridade fiscal que sacrificam o emprego e o bolso de milhões de trabalhadores pelo mundo afora”, disse Musébio.
De acordo com o sindicalista, uma nova ordem social está surgindo a partir da Economia Solidária: “diante dos imensos desafios pelos quais a classe trabalhadora está enfrentando, sobretudo após a crise de 2008, começa a emergir uma sociedade coletiva de direitos iguais e oportunidades iguais com resgate da cidadania e em busca da felicidade”. O sindicalista acredita que disponibilizando aos trabalhadores os meios de produção, estes, organizados em cooperativas e empreendimentos solidários, terão a chance de superar as mazelas provocadas pela baixa oferta de empregos surgida, principalmente, após a recessão econômica que acomete, nos dias de hoje, vários países ocidentais, sobretudo os europeus”, afirmou Azevedo.
O diretor de políticas estratégicas da CSPB considera que que o estado, que tem a premissa de fomentar o bem estar social, deveria conceder maiores incentivos financeiros, via BNDES, para empreendimentos solidários. “com esses incentivos, o trabalhador estará menos vulnerável aos humores do mercado e a crises financeiras”. Musébio acredita que os sindicalistas podem dar uma importante colaboração para o fomento da Economia Solidária no Brasil: “o sentido da Economia Solidária, o sentido de uma sociedade coletiva é você sair, extrapolar os muros do sindicato e ir para as comunidades, sentir os problemas das comunidades, participar dos conselhos sociais, dos conselhos municipais, dos conselhos estaduais, enfim, participar da sociedade como um todo e colaborar para o surgimento de um modelo econômico e social mais justo no nosso país”, finalizou.
Fonte: SECOM / CSPB
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