Notícias, Publicado: 26/11/2013 | 19:17

Transnordestina Logística se nega a indenizar famílias de Vila Maranhão

​Já somam três as rodadas de audiências preliminares na Justiça Federal com relação à retirada de cerca de 500 famílias que residem, há mais de 20 anos, à beira da estrada de ferro na altura da comunidade de Vila Maranhão, zona rural de São Luís, a pedido da Transnordestina Logística.



Já somam três as rodadas de audiências preliminares na Justiça Federal com relação à retirada de cerca de 500 famílias que residem, há mais de 20 anos, à beira da estrada de ferro na altura da comunidade de Vila Maranhão, zona rural de São Luís, a pedido da Transnordestina Logística.

Há alguns meses, a Transnordestina Logística, antiga Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), empresa controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que detém a concessão da malha ferroviária, acionou na Justiça, por meio de uma ação de reintegração de posse, as famílias residentes ao longo da ferrovia na Vila Maranhão, alegando ser proprietária da área e necessitar da saída deles do local para que seja construído o trecho da ferrovia Transnordestina de 494 km, que se estende de São Luís a Teresina (PI).

Entrave

O grande entrave está na resistência das famílias que, desde que acionadas judicialmente, se negam a deixar suas casas e a Transnordestina Logística que se nega a pagar qualquer indenização, realocar as famílias em outra área ou de fazer qualquer outro tipo de acordo que minore os problemas sociais na região.

Dr. Acebíades Dantas, advogado do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão, Sindjus-MA, e ex-desembargador do Trabalho, foi colocado à disposição pelo Sindicato para ajudar a comunidade nas negociações.

Aníbal Lins, que além de presidente do Sindjus-MA, é também Secretário  Adjunto Nacional de Políticas Publicas da Nova Central Sindical de Trabalhadores está apoiando a comunidade por entender que  as entidades sindicais têm um papel social de  apoiar as lutas da classe trabalhadora por condições dignas de vida, o que inclui o direito à educação de qualidade, programas de saúde eficientes, oportunidades de emprego e renda, e moradia digna.

Wanderson Valente, morador da área próxima à ferrovia, diz que “as famílias que moram às margens da ferrovia não sairão de suas casas assim. Iremos lutar até o fim para ter o nosso direito de morar dignamente garantido”, disse ele.
 
A obra
 
Em toda a sua extensão, a malha da Transnordestina ligará a cidade de Eliseu Martins (PI) ao Porto de Suape e ao Porto de Pecém, respectivamente no Recife e em Fortaleza, cruzando praticamente todo o território dos estados de Pernambuco e Ceará, com entroncamento em Salgueiro (PE).
 
A malha ferroviária do Nordeste tem 4.238 quilômetros que se estendem pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas até o município de Propriá, em Sergipe.

Fonte: Sindjus/MA