Notícias Publicado: 19/12/2013 | 11:12

Pesquisa revela: a ditadura militar brasileira torturou “adversários” desde os primeiros dias

De acordo com a pesquisa, os principais alvos eram sindicalistas e operários, muitos destes, ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).



Violações aos direitos humanos ocorreram desde os primeiros dias da ditadura militar instalada no país (1964-1985), revela pesquisa realizada por alunos de mestrado em direito e história da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio). A solicitação da pesquisa foi feita pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Estadual da Verdade.
 
“Houve tortura desde o início do golpe e também prisões em massa, feitas a partir de listas previamente preparadas por delegacias. Eram levados para estádios de futebol, que pudessem guardar esse conjunto de detentos, que não cabiam mais nas delegacias”, afirmou o professor da PUC Marcelo Jasmin, coordenador do levantamento cujos dados preliminares foram divulgados ontem (18).
 
Realizada ao longo de seis meses, a pesquisa analisou 1.114 processos de requerimento de reparação que integram o acervo do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro.
 
O levantamento constatou que os estádios de futebol Ypiranga Futebol Clube, em Macaé (21 casos relatados na pesquisa); e do Caio Martins, em Niterói (38 casos), foram usados como prisão pelos  agentes da ditadura. De acordo com o professor, os principais alvos eram sindicalistas e operários, muitos destes, ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Após a publicação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), se intensificaram as prisões de profissionais liberais.
 
Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade garante que a pesquisa comprova o uso intenso da violência desde os primeiros dias do regime militar.  “Queríamos descobrir na pesquisa se o golpe de 1964 foi feito com muita violência ou se essa grande violência acontece somente após um processo de militarização do Estado, em 1968. E não temos dúvida de que foi um golpe muito violento, a tal ponto que as prisões não puderam abrigar as pessoas presas, que foram levadas a estádios”, afirmou.
 
 


SECOM/CSPB com informações da Agência Brasil