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Publicado: 17/02/2014 | 19:05
Manifestações do MST provocam encontro com Dilma
O Movimento dos Sem Terra (MST) reuniu cerca de 16 mil pessoas para o 6º Congresso Nacional da entidade no ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Em cinco dias de manifestações, de 10 à 14 de fevereiro.
por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel
O Movimento dos Sem Terra (MST) reuniu cerca de 16 mil pessoas para o 6º Congresso Nacional da entidade no ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Em cinco dias de manifestações, de 10 à 14 de fevereiro. O MST organizou uma marcha que teve confronto com a polícia militar que como consequência , conseguiu uma audiência com a presidente Dilma Rousseff que comprometeu-se em assentar mais de 30 mil famílias em 2014.
Os dirigentes do movimento organizaram simpósios, apresentações culturais, palestras e disponibilizou 5 enormes tendas para a comercialização artesanatos e produtos produzidos por trabalhadores camponeses ligados ao movimento.
O congresso, que contou com a participação de representantes de assentamentos distribuídos em 23 estados, teve como objetivo trazer reflexões acerca da realidade dos trabalhadores do campo e da sociedade brasileira como um todo. Os organizadores buscaram apresentar toda a riqueza cultural e produtiva dos territórios destinados à ocupação de trabalhadores do campo, além de cobrar das autoridades maior empenho na criação de políticas públicas efetivas que permitam alcance nacional da tão aguardada reforma agrária.
De acordo com João Pedro Stédile, membro da direção nacional do MST, as multinacionais e o capital financeiro internacional dominam a agricultura, extraindo os recursos naturais ao limite, gerando perda da biodiversidade e disseminando pobreza no campo. “A Reforma Agrária Popular propõe democratizar a terra, a água, as sementes, a biodiversidade. Os recursos da natureza devem produzir alimentos saudáveis para o povo”, enfatizou.
Para a integrante do diretório nacional do MST no estado do Pará, Ayala Ferreira, o Congresso Nacional do MST permite apontar as diretrizes de ação do movimento para os próximos cinco anos. “Qual vai ser o posicionamento do MST em relação ao debate da reforma agrária, ao processo de organização dos camponeses e a outras mazelas sociais que afligem nosso país? É em eventos como esse que decidimos democraticamente as estratégias do MST no tocante a colaborar para a construção de um estado menos desigual pela promoção do que entendemos como justiça social”, disse.
Ayala lembrou que governo tem anunciado que a prioridade é a organização dos assentamentos. Que, diante das atuais circunstancias, não existe mais a necessidade de criar novos assentamentos tendo em vista que outros programas do governo podem atender às necessidades dos pobres e miseráveis da sociedade brasileira.
“Nós do MST, com trinta anos de ativismo social, não concordamos com e discurso. Para nós, a sociedade brasileira necessita de uma efetiva política agrícola e agrária no nosso País. Na posição de movimento social nós sempre vamos demandar e apresentar essas contradições que estão colocadas no campo brasileiro. Cabe ao governo, como aquele que implementa as políticas públicas, dizer até onde serão atendidas as demandas do movimento”. Enfatiza.
Ele disse ainda que o MST sempre esteve aberto ao diálogo e que se pauta não for atendida, o único mecanismo que lhes resta é seguir organizando e mobilizando os trabalhadores. “ A marcha foi um sinal de que a nossa base social está disposta a fazer luta pra conseguir efetivamente implementar a reforma agrária no País”, afirmou.
Marcha pela reforma agrária e o confronto com a Polícia Militar do DF
Cerca de 15 mil militantes tomaram a Esplanada dos Ministérios e a frente do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (12). Houve confronto com a polícia, que explodiu bombas de efeito moral e utilizaram armas de choque contra alguns manifestantes. As agressões foram amplamente divulgadas na imprensa, sobretudo, as sofridas por policiais militares que se feriram no confronto.
Para as lideranças do MST, a habitual insistência da imprensa brasileira em criminalizar movimentos sociais se deve ao fato dela possuir um posicionamento de classe muito evidente. “Ela apoiou a ditadura e segue apoiando os setores conservadores da sociedade brasileira” salientou Roberto Baggio, coordenador geral do MST. No entendimento dos líderes do movimento, a imprensa nativa possui um antagonismo a qualquer movimento social ou pessoa que tenha um pensamento contrário ao pensamento conservador, ou que contrarie frontalmente os interesses da elite financeira do nosso País.
Os líderes afirmam que, no caso específico da marcha do dia 12, o excesso não partiu do MST. A coordenação garante que a marcha tinha como objetivo reivindicar pacificamente as demandas do movimento. O coletivo de cultura estava programando uma apresentação cultural que utilizaria alguns instrumentos para mostrar nossa diversidade e apontar para a presidenta Dilma que a reforma agrária está estagnada. Na saída para buscar esses equipamentos, a PM do Distrito Federal achou que os manifestantes estavam armados e, sem escutar os participantes, partiram para a violência. Ao observar a situação de conflito, alguns coordenadores do movimento tentaram, em vão, conter a revolta dos manifestantes que viram seus companheiros feridos. No meio da confusão, eles também foram alvos de balas de borracha, cacetes e bombas de efeito moral. “O gesto da polícia de partir para a violência sem querer dialogar com os manifestantes desencadeou um processo legítimo de reação que, aos olhos da moral seletiva de uma imprensa míope, se tratou de um ato de “vandalismo” do MST”, argumentou Ayala.
Lideranças do MST conseguiram, na última quinta-feira (13), uma audiência com a presidente Dilma Rousseff . Eles apresentaram as principais reivindicações do movimento e ao final do encontro, a presidente se comprometeu-se a assentar mais 30 mil famílias somente em 2014.
Secom/CSPB
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