Notícias Publicado: 27/02/2014 | 10:40

Sindicalistas apontam os efeitos negativos da alta dos juros

No entendimento das lideranças sindicais o aumento da taxa de juros penaliza os trabalhadores, sobretudo, os de menor renda.





por Valmir Ribeiro
 



Ontem (26), o Comitê de Política Monetária (Copom), anunciou um novo aumento na taxa básica de juros (Selic). O reajuste de, 0,25% ponto percentual, chega a sua oitava alta consecutiva e colocou a Selic com os juros em 10,75% ao ano.
 
No entendimento das lideranças sindicais, o aumento da taxa de juros penaliza os trabalhadores, sobretudo, aqueles de menor renda.
 
Para o Diretor de Qualificação de Entidades Sindicais da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Luiz Gonzaga de Negreiros, “nesse momento, o governo não pode permitir que a taxa de juro continue galopante e penalizando os trabalhadores. Pois estes não têm reajustes salariais que acompanhem as perdas inflacionárias e os juros que, ao aumentarem por determinação Banco Central, acabam sendo repassados para o conjunto da sociedade, disse.
 
O secretário-adjunto de Relações do Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Pedro Armegol,  defendeu: “a política da alta da taxa de juros que vêm se dando, sobretudo em 2013, é prejudicial para toda a sociedade. Para os serviços públicos ela é mais prejudicial ainda, porque ela retira recursos dos investimentos públicos para se financiar uma dívida púbica interna a partir de um capital imobilizado que não gera riqueza”.
 
O secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, também demonstrou insatisfação com a alta dos juros:  “a consequência imediata desse aumento pode provocar uma redução significativa dos investimentos na indústria. Para os donos do capital, com o aumento da taxa de juros, torna-se interessante deixar de investir na atividade produtiva para investir na ciranda financeira, que não distribui renda nem gera empregos. Portanto, a alta de juros provoca recessão e intensifica  as desigualdades no nosso país”, informou.
 
“ O conjunto das empresas, sejam elas grandes ou pequenas, repassam todos os custos desses juros para o consumidor. Isso atinge em cheio o trabalhador brasileiro no ponto principal, que é a sua qualidade de vida, sua capacidade produção, sua saúde e seu bem-estar. Enquanto isso, na farra dos ganhos por juros, o capital especulativo saqueia todo o nosso dinheiro, todo o nosso capital, todo o nosso crescimento e os envia para fora do Brasil. Isso é inaceitável!”, argumentou o presidente da UGT-DF, Isaú Joaquim Chacon.
 
"A consequência direta do aumento da taxa de juros reflete em “estagnação econômica, enfraquecimento do mercado interno, desindustrialização e volatilidade cambial que favorece o aumento das importações e prejudica o mercado de trabalho no nosso país. Precisamos mudar essa lógica que está seguindo a mesma cartilha de retração econômica adotada no governo Fernando Henrique. Somente em 2012 – com dados consolidados - o Brasil entregou para o capital financeiro internacional, via superávit primário, nada menos que R$ 230 bilhões. A presidenta Dilma foi eleita com o voto do povo e com amplo apoio das centrais. Chegou a hora de mostrar qual lado ela e o seu governo estão”, finaliza o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, "Bira".
 
 



SECOM/CSPB