Destaques, Notícias Publicado: 13/03/2014 | 04:00

Greve da PF: Agentes federais reivindicam reestruturação do departamento

Policiais reivindicam, além de reajuste salarial, melhores condições de trabalho; novas contratações por concurso público; investimentos permanentes nas estruturas policiais e desmilitarização e profissionalismo na Segurança Pública, entre outros.




por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel

               

Centenas de agentes federais participaram dos três dias de mobilização pela reestruturação da Polícia Federal (PF). Entre os dias 11 e 13 deste mês os policiais reivindicam reajuste salarial, melhores condições de trabalho, entre outros. A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil-CSPB, participou do ato.

Os manifestantes reivindicam,  também, novas contratações por concurso público; investimentos permanentes nas estruturas policiais e desmilitarização e profissionalismo na Segurança Pública, com a substituição de servidores burocratas, indicados por critérios políticos, por policiais especializados e experientes em campo.
 
Os agentes federais alertam que a cúpula do governo parece estar mal assessorada, sem noção da realidade. Devido a falhas gerenciais, se observa uma escalada sem precedentes nos índices de violência urbana e, de acordo com nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), existe uma tendência emergencial à militarização, com tanques e fuzis apontados para os brasileiros.


 
Segundo investigadores experientes, acostumados a produzir anonimamente as grandes operações da PF, as maiores fragilidades da Segurança Pública no Brasil estão nas fronteiras e nos aeroportos, em ambos os casos, se observa graves falhas de gestão. O presidente da Fenapef, Jones Borges Leal, alerta que “o Brasil não é grande produtor de drogas ilícitas, nem de armas de fogo de grosso calibre como fuzis e similares. Essas duas mercadorias chegam com facilidade às mãos do crime organizado devido à carência de profissionais no policiamento de fronteiras e aeroportos. Num país de dimensões continentais como o nosso, além do atual quadro de carência de profissionais para atuar nessas áreas, os agentes estão cada dia mais desmotivados após mais de 7 anos sem reajuste salarial. A evasão de agentes federais aumenta a cada ano, sobrecarregando, ainda mais, o trabalho dos poucos profissionais que permanecem na PF”, disse.
 
Leal chamou atenção, também, para as precárias condições de trabalho que vêm trazendo consequências graves à saúde dos agentes federais: “Os colegas estão sobrecarregados. O assédio moral no departamento é absurdo e atinge níveis alarmantes. Somente nos últimos anos, nós perdemos 12 colegas por suicídio. Além disso, 30% do nosso efetivo toma remédio controlado ou está fazendo tratamento psicológico e psiquiátrico. O sindicato de Brasília contratou duas psicólogas para prestar atendimento aos nossos colegas. Tendo em vista a omissão departamento, os policiais aguardam até 90 dias para serem atendidos pelas psicólogas do sindicato, tamanho a procura por esse tipo de atendimento”.


 
O presidente do Sindpol/DF, Flávio Werneck, informou que há sete anos a reivindicação dos Policiais Federais é a mesma: “nós queremos a recomposição inflacionária do período e a reestruturação da carreira. Neste último ponto, nós buscamos um Projeto e Lei que discipline as atribuições dos policiais federais. Essa é uma exigência da Constituição Federal que o governo, há sete anos, vem protelando. Essa situação culminou na falta de atribuições dos policiais federais para trabalhar com a nulidade da Portaria 523 judicialmente e, também, com falta de atribuições pra Copa, falta de atribuições para trabalhar nos aeroportos e na inteligência policial. Estamos buscando regulamentar isso por meio de um Projeto de Lei que contemple essa demanda”.
 
O diretor Adjunto de Finanças da CSPB, Cosme Nogueira, foi à manifestação dos agentes federais prestar apoio e solidariedade à pauta de reivindicações da categoria. "A luta é justa e é importante essa resistência em defesa da Polícia Federal. São quase oito anos sem reajuste e com o departamento sofrendo as consequências de um claro processo de sucateamento de sua estrutura. Não podemos permitir a fragilização dessa instituição tão respeitada e benéfica para a sociedade brasileira”. destaca. Segundo Cosme, em conversa com as lideranças do movimento, não está descartada uma greve durante a Copa do Mundo caso o governo prossiga com seu descaso diante precarização do Departamento de Polícia Federal.


 
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a deputada distrital Celina Leão (PDT-DF) e o deputado federal Linconl Portela (PR-MG), compareceram à manifestação para prestar apoio à pauta de reivindicações dos agentes federais.
 
 


SECOM/CSPB