Destaques, Notícias Publicado: 25/04/2014 | 08:18

Palestra sobre Política Internacional marca segundo dia da reunião da Clate

Telma Luzzani abordou as estratégias da política expansionista norte-americana e suas consequências na esfera econômico-política entre os países latino-americanos e caribenhos.




por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel

 

A reunião do Comitê Executivo da Confederação Latino- americana e do Caribe de Trabalhadores Estatais (Clate), ofereceu aos seus convidados uma programação rica em conteúdo, interação, além do contado direto com autoridades dos poderes Executivo e Legislativo.  O encontro tem como objetivo o aprofundamento de temas relevantes ao movimento sindical e a construção de uma agenda positiva com as autoridades brasileiras.
 
No segundo dia do encontro, nesta quinta-feira (24), as atividades tiveram início com informe político da presidência da Clate.  Após estes informes, o evento prosseguiu com a palestra da jornalista e escritora argentina Telma Aracelli Luzzani, especialista em Política Internacional.
 
 
Palestra




 


Telma Luzzani abordou as estratégias da política expansionista norte-americana e suas consequências na esfera econômico-política entre os países latino-americanos e caribenhos.
 
A jornalista apresentou um conjunto de informações sobre as táticas utilizadas por Washington para ampliar suas bases militares pelo mundo, sobretudo, entre os países do continente americano, de onde, segundo a palestrante, colocariam o território norte-americano em uma situação geográfica mais vulnerável em casos de guerra.
 
Telma denunciou que, no plano político, os norte-americanos, nos dias atuais, usam o discurso pró-democracia como fachada para atender apenas aos seus interesses internos. Como exemplo, a palestrante lembrou que no período da Guerra Fria, para evitar a expansão do comunismo entre os países da América- latina, documentos oficiais que ganharam publicidade nos últimos anos, revelam que autoridades daquele país não descartaram a possibilidade de intervenção militar em qualquer país da região que minimamente se deslocasse para um espectro ideológico divergente ao defendido pela potência hegemônica.
 
Segundo Telma, nos dias atuais, ONGs e congregações religiosas seguem recebendo investimentos externos não apenas para suas atividades fins, mas, também, para o fomento de instabilidades internas a todos os países cujos governos busquem maior independência em relação à política expansionista dos Estados Unidos.
 
A jornalista destacou que, apesar de uma nítida e gradativa perda de influência no cenário econômico e político contemporâneo, sobretudo após a crise de 2008, os Estados Unidos ainda se mantêm como uma poderosa potência bélica. De acordo com ela, os investimentos em armamentos bélicos dos EUA seriam equivalentes ao conjunto dos demais 196 países somados.
 
Para Luzzani, inúmeras bases militares Ianques instaladas no continente americano demonstram que o discurso de que os Estados Unidos pouco se importam com os com os movimentos políticos no continente, não encontram fundamentação diante dos fatos. “O que ocorre, nos dias atuais, é a adoção de uma estratégia de ocupação mais discreta. As bases militares já não ocupam grandes territórios nem precisam deslocar muitos soldados à região ocupada. As novas tecnologias bélicas permitem uma intervenção efetiva sem a necessidade desse tipo de deslocamento”, disse.
 
A palestrante lembrou que o Brasil, devido a todo o potencial de consolidar e ampliar seu espaço como potencia política e econômica, é preferencialmente monitorado em seu comportamento geopolítico.  “Existem muitas bases militares instaladas em várias regiões da Amazônia. Essa enorme ocupação do território brasileiro se dá pelo fato de que, na América do Sul, o Brasil é o país com maior capacidade de fazer sombra à dominância hegemônica dos Estados Unidos”.
 
Outro ponto abordado foi a ocupação inglesa nas Ilhas Malvinas. Telma argumentou que a verdadeira motivação para a ocupação daquele território na guerra de 1982 é, na verdade, o posicionamento geográfico privilegiado para uma eventual intervenção militar na região. “As Malvinas permitem ataques de mísseis com autonomia de 500 KM de distância. Essas ilhas, sendo ocupadas por outras nações, representam uma enorme ameaça à soberania dos países da América do Sul”, defendeu.
 
A jornalista pontuou as “bombásticas” revelações de Edward Snowden sobre os métodos de vigilância adotados pela Agência de Segurança Nacional (NSA). “A invasão do tráfego de informações via web de autoridades, chefes de estado, empresas e, até mesmo, de pessoas físicas, revelam um atentado à privacidade e um desrespeito à soberania dos países. O curioso, é que mesmo informações estratégicas de países considerados grandes aliados de Washington foram acintosamente violadas. Preservar a segurança e inviolabilidade dessas informações é primordial para qualquer país que pretenda se tornar desenvolvido”, concluiu.
 



Após o encerramento da explanação, dirigentes sindicais dos países participantes apresentaram informações sobre antigos e recentes ataques à soberania e a democracia em suas regiões, e discutiram estratégias de atuação do movimento sindical dos servidores no sentido de colaborar para a manutenção de um ambiente político favorável à novas conquistas trabalhistas e sociais entre os países latino-americanos e caribenhos.
 



SECOM/CSPB