Notícias Publicado: 9/06/2014 | 16:16

Servidores técnico-administrativos das universidades exigem reabertura das negociações

Há 84 dias em greve, os servidores reivindicam valorização, formação continuada e melhores condições de trabalho. 





por Valmir Ribeiro
 


Nesta segunda-feira (9), representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativo em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), fizeram plantão em frente ao Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de pressionar o governo a reabrir negociação com a categoria. No dia 19 de maio as negociações foram encerradas tanto no Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG), quanto no MEC.
 
Há 84 dias em greve, os servidores reivindicam valorização, formação continuada e melhores condições de trabalho. Os sindicalistas argumentam que a proposta salarial ofertada pelo governo em 2012, que prevê aumento de 15% nos salários com reajustes de 5% divididos em 3 anos, não cobre, nem mesmo, a inflação acumulada no período. Os servidores alegam, também, que o reajuste salarial representa, apenas, uma fração das reivindicações e que isso não evita doenças no trabalho por conta do assédio moral, da sobrecarga de trabalho e da desvalorização que reduz a autoestima dos trabalhadores.
 
Para o coordenador-geral da Fasubra, Paulo Henrique Rodrigues dos Santos, “nenhum dinheiro paga um serviço insalubre” e a postura “irredutível” do governo em fechar as linhas de negociação com a categoria, é “irracional” e não colabora em nada para o encerramento das paralisações. O sindicalista argumenta, também, que nenhum outro instrumento de negociação pode substituir o encontro direto dos sindicalistas com os gestores do poder público.  “Hoje nós esperamos que o governo reabra o processo de negociação presencial para evitar equívocos de interpretação da nossa pauta. Recentemente, o Ministério do Planejamento informou que não compreendeu a proposta da Fasubra. Portanto, não adianta apenas enviar um documento às autoridades e aguardar um posicionamento. É necessária uma reunião para que nós possamos explicitar melhor os pontos da nossa proposta. Somente assim conseguiremos deixar claros os anseios e as demandas da nossa categoria”, disse.
 
Já o coordenador de assuntos de aposentadoria da Fasubra, Paulo Vaz, informou que as bases entidade seguem firmes na disposição de manter a greve. O sindicalista disse que os servidores não estão dispostos a desistir sem antes remover do governo a posição “intransigente” de não negociar com a categoria. “Acredito que o governo deveria ter outra postura, sobretudo, com a Educação do nosso País. Nossa categoria é forte, unida e determinada. Iniciamos a greve com a participação de 36 entidades, já chegamos a 42, a adesão está cada dia mais ampla e manteremos a greve até que o governo reabra as negociações e atenda às nossas legítimas demandas”, defendeu.




Para o diretor de Assuntos Legislativos da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Paulo Ribeiro, apesar dos recentes e significativos aumentos destinados à Educação no País, a categoria dos servidores técnico-administrativo das universidades segue como a mais desvalorizada entre os servidores federais. “É contraditório o governo investir tanto na expansão universitária, sem valorizar os trabalhadores dessas universidades. Temos a terceirização aumentando, a precarização numa trajetória ascendente e as contratações de novos servidores, embora estejam aumentando, estão muito aquém de atender a enorme demanda que surgiu. Enfim, nossa expectativa é que o governo se sensibilize com o problema e entenda que o diálogo é sempre a melhor solução para resolver qualquer tipo de conflito”, concluiu.
 
 




SECOM/CSPB