Destaques, Notícias Publicado: 29/08/2014 | 16:48

Assédio, violência e sindicalismo são temas do 2º dia do Encontro Nacional de Mulheres

Nesta sexta-feira (29) foram debatidos os seguintes temas:  Reflexão sobre a discriminação, o assédio moral e a violência contra a mulher; Equidade de Gênero e respeito à diversidade humana; e  “O Papel da Mulher no Movimento Sindical”.





por Andressa Oliveira
edição de Grace Maciel





No segundo dia do Encontro Nacional de Mulheres da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), realizado nesta sexta-feira (29), foram debatidos os seguintes temas:  Reflexão sobre a discriminação, o assédio moral e a violência contra a mulher; Equidade de Gênero e respeito à diversidade humana; e  “O Papel da Mulher no Movimento Sindical”.

O primeiro palestrante do dia foi o professor Luís Sérgio Lessi, especialista em estudos avançados sobre gestão pública e privada. Ele explanou sobre as formas de assédio moral e sexual, mal que atinge principalmente a população feminina no mercado de trabalho.

“Na verdade, grande parte do assédio é dirigida a mulher. A mulher se fragiliza muito mais facilmente em virtude até dessa história humana, onde a mulher aparece mais frágil. O assédio moral e sexual está tomando conotações e está fugindo do controle humano. A sociedade é tão opressora e hoje nós temos uma disputa tão grande em relação a trabalho e a ocupação do seu lugar e espaço que o assédio moral acaba se tornando uma coisa comum e não é tratado como uma doença. O assédio é uma doença executada por um sociopata que vai querer desmoralizar e desconstruir a personalidade desse indíviduo.

Do ponto de vista das mulheres e da CSPB essa discussão é extremamente salutar e eu acredito que ela não acaba aqui, ela vai se aprofundar e se irradiar de forma que faça as pessoas pensarem no que é o assédio, por que a maior dificuldade que nós temos hoje é a de reagir contra o assédio e denunciar esse tipo de mal”, destacou Luís durante a palestra.

Ainda segundo o professor, a questão do assédio é mais forte no serviço público do que na iniciativa privada. “No setor público o assédio moral é muito maior. Talvez devido as próprias circunstâncias do trabalho. O serviço público é um serviço que você não tem tanta rotatividade e que as pessoas se sentem donas das coisas. As pessoas consideram-se donas dos objetos, das pessoas e donas dos lugares muito mais do que no serviço privado. Isso cria uma condição especial para que se execute o assédio”, concluiu.

O segundo ponto do dia foi a palestra do representante da Internacional do Serviço Público (ISP), Eurian da Nóbrega Leite, que apresentou a questão da mulher lésbica que é vítima da discriminação da sociedade duas vezes: a primeira por ser mulher e a segunda por ser lésbica. De acordo com Eurian, falar de igualdade social e se esquecer do homem "gay" , da mulher lésbica não é igualdade. Igualdade social é integrar a todos e dar condições de vida.

“Eu acho que a ISP está dando um salto de qualidade quando ela chama dirigentes sindicais para tratar da questão da equidade de gêneros, mas, além disso incluir também dentro dessa questão, as diversidades sexuais como um todo, eu acho que é de suma importância. E uma entidade do porte da CSPB que tem uma importância nacional e internacional, eu acho que ela dá um exemplo de vanguarda quando ela trata de temas como a violência da mulher ou a igualdade de direitos dentro dos serviços públicos. Essas questões vindo de uma entidade forte e representativa como a CSPB  é salto de qualidade muito grande, inclusive no sentido de que outras entidades do tamanho dela se espelhem nesse exemplo e com certeza podendo colher os frutos de encontros como esses”.
 
A atitude da CSPB em promover esses debates, segundo Eurian, é de extrema urgência, pois a questão do combate à homofobia no serviço público deve ser intensificado. A sociedade vive em um estado laico de direito e é inconstitucional a discriminação por quaisquer motivos.

“Hoje mais do que nunca a sociedade precisa estar se inteirando de que o contingente da sociedade é diverso. E a CSPB que lida com serviços públicos, precisa estar se inteirando e estar promovendo a isonomia de direitos com os servidores públicos, que além de serem servidores, eles precisam promover a igualdade porque eles também prestam serviços à população e são serviços públicos, promovendo mudanças tanto no olhar interno da entidade, quanto no olhar dos filiados e nos serviços que são prestados”, ressaltou.


Encerramento dos trabalhos


Mulheres representantes de quatro Centrais Sindicais (NCST, CTB, CSB e Força Sindical) apresentaram panoramas de suas entidades sobre a efetividade da presença da mulher no meio sindical e dentro das centrais.

A representante da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino,  destacou a força da mulher sindicalista e servidora. “Precisamos, tanto no serviço público como no privado, de mais instrumentos sociais efetivos para as políticas públicas e isso vem sendo construído pelas conferencias municipais, estaduais e federais. Nós temos que fazer dobrado para que nosso trabalho seja reconhecido a frente do trabalho dos homens. Nenhum espaço é dados de mão beijada para nós. Toda oportunidade é para se usar e aproveitar, e é a nossa chance de aproveitar oportunidades como essas de hoje”.


Com o resultado dos trabalhos será elaborado um documento com as proposições e necessidades das mulheres no serviço público e no sindicalismo. O documento será o ponto de partida da CSPB para pressionar o governo a promover mudanças em prol das minorias. Para o presidente da CSPB, João Domingos, o encontro é o inicio de um marco na história da confederação.


Participaram, ainda, dos debates as sindicalistas: Ailma Maria (CTB), Mercês Silveira (CSB), Cristina Gomes (Força Sindical).



Dados importantes:



As mulheres são 51,95% da população brasileira
Mulheres negras e pardas somam 49,9% da população feminina
O Brasil é o 7º país do mundo mais violento para mulheres
44 mil mulheres são assassinadas por ano no Brasil
29 de agosto é o Dia da Visibilidade da Mulher Lésbica
Marcha das Margaridas – 11 de novembro (até anos atrás as mulheres do campo não podiam se filiar ao movimento sindical, apenas o marido poderia. A mulher só poderia ser dependente do marido e não associada)




Secom/CSPB