Notícias, CLIPPING
Publicado: 7/02/2018 | 16:17
Trabalho informal diminui nas classes A e B
Informalidade se comportou de maneira oposta nos dois extremos da pirâmide social durante a recessão
A taxa de informalidade da economia chegou a 44,5% em setembro de 2017, avanço de 3,5 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2014 - considerado o início da recessão. Ocupações como motorista de aplicativos, ambulante de alimentos e doméstica ganharam espaço no mercado laboral.
O patamar é o mais elevado da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, e não houve recuo ao longo de 2017, mesmo com a melhora da economia e queda da taxa de desemprego. Antes da crise, a taxa de informalidade havia diminuído dois pontos percentuais desde o início da série.Na classe E - pessoas que ganham até dois salários mínimos e representavam em setembro 67% da população ocupada -, a taxa de informalidade também vinha caindo antes da recessão, mas desde o segundo trimestre de 2014 até setembro de 2017, avançou 4,4 pontos percentuais, a 52,8%, velocidade maior do que para a população em geral.
De maneira oposta, nas classes A e B - que ganham mais de dez salários mínimos e representam cerca de 5% da população ocupada -, a taxa de informalidade recuou 3,3 pontos percentuais desde o início da recessão até o dado mais recente, de 14,8% a 11,5%.
Uma mesma explicação está por trás dos comportamentos antagônicos: a perda de renda da população durante a crise, com uma melhora do mercado de trabalho baseada em ocupações mais precárias e com menores rendimentos. "Como o emprego informal é o que está crescendo mais, e ele se concentra em ocupações de baixo rendimento, aumenta a classe E", afirma Tiago Barreira, economista do Ibre-FGV.
Em 2017, foram criados 1,8 milhão de postos de trabalho. Desse total, mais de 1 milhão de pessoas passaram a trabalhar por conta própria e outras 598 mil, sem carteira assinada. No mesmo período, 685 mil pessoas perderam o emprego com carteira.
De maneira semelhante, os trabalhadores informais das classes A e B provavelmente perderam renda durante a crise, passando a engrossar a parte intermediária da pirâmide social, completa Bruno Ottoni, também da FGV, o que explicaria a queda da informalidade entre os mais ricos.
No levantamento, a taxa de informalidade foi calculada pelos economistas considerando a soma de empregados sem carteira dos setores público e privado, trabalhadores por conta própria e trabalhadores domésticos sem carteira assinada, como proporção da população ocupada total.
A classe social considerou a renda dos indivíduos e não a renda familiar per capita, por uma limitação dos dados da Pnad Contínua. As classes A e B são somadas no levantamento para reduzir possíveis distorções provocadas pela pesquisa por amostra.
Apesar de não ter ocorrido uma queda da taxa de informalidade ao longo de 2017, a FGV acredita que a composição do mercado de trabalho deverá melhorar em 2018. Após um Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) negativo em 20 mil vagas no ano passado, o Ibre espera saldo positivo de mais de meio milhão de postos de trabalho formal este ano. "Isso é um sinal de que o emprego formal vai se acelerar e pressionar para baixo a taxa de informalidade", afirma Barreira.
O economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, também acredita que o desemprego deve continuar a cair este ano e o mercado formal deve dar sinais de melhora, acompanhando a atividade, mas mesmo assim a taxa de informalidade não deve recuar de maneira significativa. "Em 2018 a ocupação ainda deve crescer acima do que cresce o emprego formal", diz Xavier.
FONTE: Valor Econômico
Compartilhe essa notícia
Mais lidas dos últimos 30 dias
01
CSPB participa de reunião extraordinária do Instituto Servir Brasil e reforça unidade pela aprovação do PL 1893/2026 (5838 views • 07/07/2026)
02
CSPB intensifica articulação pelo consenso e defende aprovação do PL 1893/2026 ainda neste ano (5581 views • 31/07/2026)
03
CSPB intensifica articulação para construir consenso e viabilizar aprovação da negociação coletiva no serviço público (5527 views • 10/07/2026)
04
CSPB repudia perseguição a dirigentes sindicais e anuncia reação política e jurídica em defesa da liberdade sindical (5056 views • 15/07/2026)
05
Nota Técnica do MPT fortalece atuação dos sindicatos na fiscalização de contratos terceirizados (4910 views • 21/07/2026)
06
CSPB lança ‘Carta de Compromisso 2026’ para pautar a defesa do serviço público nas eleições (4883 views • 09/07/2026)
07
CSPB amplia articulação política e convoca servidores para audiência pública decisiva sobre a negociação coletiva no serviço público (4810 views • 23/07/2026)
08
CSPB reforça articulação por consenso para viabilizar aprovação do PL da Negociação Coletiva (4783 views • 08/07/2026)
09
João Domingos participa de audiência pública que debaterá a aplicação da Lei do Descongela em todo o país (4334 views • 29/07/2026)
10