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Publicado: 27/07/2020 | 08:36
Fenafisco defende a taxação do setor financeiro para a retomada da economia e promoção de justiça fiscal

Mudanças estruturais no sistema tributário nacional voltaram ao debate com força total.
Mudanças estruturais no sistema tributário nacional voltaram ao debate com força total.

Em conversa com o economista Eduardo Moreira, durante live realizada nesta quarta-feira (22), com mais de três mil internautas acompanhando, o presidente da Fenafisco, Charles Alcantara, afirmou que discutir tributação é fundamental, e que a reforma tributária deve ser um instrumento de redução das assimetrias ocasionadas pela concentração de renda e riqueza.
Na terça-feira (21), o ministro da Economia, Paulo Guedes, entregou aos presidentes da Câmara e Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), a primeira parte da proposta de reforma tributária do Governo Federal, que prevê a extinção do Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e do Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para serem substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um imposto do tipo valor agregado (IVA).
Segundo Alcantara, a proposta do governo de unificar dois tributos federais é acanhada e insuficiente. “Em um momento de pandemia, em que as vísceras das desigualdades foram expostas, simplificar não basta! O Brasil precisa tributar os super-ricos. A regressividade é o problema nevrálgico que coloca o país na contramão do mundo”, disse.
Na oportunidade, o auditor fiscal destacou que a Fenafisco capitaneia desde 2017, ao lado da Anfip e de um grupo de especialistas em economia e tributação, os estudos técnicos que resultaram em dois livros que constituem a formulação teórica do projeto de Reforma Tributária Solidária, Justa e Sustentável, materializado na Emenda Substitutiva Global à PEC 45/2019 (EMC 178/2019) que tramita no Congresso Nacional, por iniciativa das bancadas dos partidos da oposição na Câmara dos Deputados, e que contou com mais de 200 assinaturas de parlamentares, de diversos partidos.
O presidente da Fenafisco ressaltou que diante da pandemia de coronavírus, é urgente e necessária a adoção de medidas efetivas para compensar as perdas de receitas tributárias da União, dos Estados e dos municípios e, simultaneamente, garantir renda para os trabalhadores e para as camadas mais vulneráveis economicamente.
“Temos um conjunto de propostas concretas para modificar a tributação nacional, com o propósito de apontar fontes de recursos para financiar medidas urgentes, entre as quais a fixação de alíquotas progressivas superiores à alíquota-teto atual (27,5%) do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que possibilitam a arrecadação de mais de R$ 158 bilhões, tratando isonomicamente a renda do trabalho e do capital”, apontou.
Além de ajustes na tabela de IRPF, a Fenafisco também propõe contribuição social sobre altas rendas, (acima de R$ 60 mil por mês), de 10% e a elevação da Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) de instituições financeiras.
“Vamos lançar um documento em defesa da tributação dos super-ricos”, com medidas estruturais e emergenciais voltadas à taxação maior de bancos, mineradoras, além de taxar de forma extraordinária, até 2024, o Imposto sobre Grandes Fortunas. Com a recuperação da economia e retomada do crescimento, poderemos equilibrar a carga tributária, reduzindo no consumo e na folha de salários. Ao apresentar esse documento, temos como objetivo subsidiar o debate político no Congresso Nacional, com as entidades de classe, sindicatos, sociedade e movimentos sociais”, afirmou.
CAOS
Em publicação no início de junho na Global Economic Prospects, o Banco Mundial alertou que a economia global sofrerá contração de 5,2% em 2020, representando. A mais profunda recessão desde a Segunda Guerra Mundial.
No Brasil, o organismo internacional prevê um dos piores resultados globais, com uma contração de 8% do Produto Interno Bruto (PIB). Além de ter uma retração superior à média mundial de 5,2%, o país terá uma recuperação mais lenta. A projeção de crescimento para 2021 é de 2,2%, pouco mais da metade do crescimento mundial de 4,2% esperado para o próximo ano.
CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
Ao longo da conversa, o presidente da Fenafisco reiterou que o Congresso se sensibilize e priorize propostas de reforma tributária que incorporem diretrizes que garantam o estado de bem-estar social, o desenvolvimento econômico do país, por meio da progressividade tributária, a equidade na tributação do Imposto de Renda e redução da tributação do consumo. “É preciso aumentar a tributação sobre as altas rendas e o grande patrimônio. É preciso que os ricos contribuam mais para que os pobres não sejam tão sacrificados”, avaliou.
Fonte: Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital - Fenafisco
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