Notícias Publicado: 16/03/2021 | 09:13

Histeria do mercado com gasto público rende manchetes, fome e miséria não



Enquanto, com a pressão da mídia e das elites, as crises dos ‘investidores’ são resolvidas do dia para noite, dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras ficam à mercê da lenga-lenga em torno da volta do auxílio emergencial


Enquanto, com a pressão da mídia e das elites, as crises dos ‘investidores’ são resolvidas do dia para noite, dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras ficam à mercê da lenga-lenga em torno da volta do auxílio emergencial

 
Imagem: Profissão Repórter


por Wagner de Alcântara Aragão


Um dos não muitos programas de Jornalismo com jota maiúsculo na televisão brasileira, o Profissão Repórter, comandado por Caco Barcellos, iniciou a temporada 2021 e, no segundo episódio, trouxe imagens e depoimentos tristes e desesperadores sobre a miséria e a fome, que se acentuaram no Brasil.

Uma pena, porém, o ingrato horário de exibição: uma hora da madrugada de uma quarta-feira (3 de março), praticamente.

Porque aquelas cenas e histórias precisam de ser mostradas em horário nobre. Quem sabe, com audiência massiva, haja uma sensibilização e mobilização maior para o enfrentamento do problema.

Em horário nobre, e com repercussão, com cobrança de autoridades políticas e representantes do poder econômico, talvez o auxílio emergencial, irrisório, mas única fonte de renda neste momento para dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras, já tivesse sua continuidade aprovada e em vigência.

Porque é um absurdo: o auxílio emergencial deixou de ser pago em dezembro. Já são quase três meses nessa lenga-lenga: volta ou não volta? De onde virá o dinheiro?

Dinheiro tem – um corte sutil no que o governo central torra pagando juros da dívida pública para os banqueiros seria suficiente para esse auxílio mínimo. Falta solidariedade, fraternidade, humanismo às nossas elites; faltam esses mesmos atributos aos que estão nos postos de comando no país hoje.

Os grandes meios de comunicação, detentores de forte oligopólio, sabemos atuam como porta-voz do sistema financeiro e dessa elite.

A qualquer incômodo que o “mercado” diz sentir, e sua histeria é intensamente abordada por jornalões e telejornais – os da manhã, os da tarde, os da madrugada e, principalmente, os do horário nobre.
A miséria e a fome não repercutem; a choradeira do mercado é ecoada em volume máximo.

As imagens e os relatos trazidos pelo Profissão Repórter foram desesperadores porque, diante da conjuntura acima exposta, difícil encontrar perspectivas em curto prazo.
E são tristes porque tratam de uma chaga que estávamos superando.

Em 2013, o Brasil tinha saído do Mapa Mundial da Fome. Em dez anos, havia caído em 82% o número de brasileiros e brasileiras em condições subalimentação, de acordo com dados divulgados à época pelo Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Depois do golpe do impeachment de 2016, seguido do desmonte de uma série de políticas públicas e de retirada de direitos (o golpe foi para isso mesmo), o desemprego, a pobreza e a miséria voltaram a aumentar. Com ela, a fome de crianças, idosos, jovens, adultos, adolescentes, em todas as regiões do país.


* Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor. Mestre em estudos de linguagens. Licenciado em geografia. Bacharel em comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco




Fonte: Brasil Debate



 

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