Notícias nos Estados Publicado: 22/07/2021 | 08:43

SP: Dez milhões de servidores podem entrar em greve até o final do ano



Os 6 milhões de servidores municipais, 3 milhões estaduais e 1 milhão de federais poderão fazer greve geral neste segundo semestre contra a proposta de emenda constitucional (pec) 32-2020.
 

Presidente do Sindest Santos, Fábio Pimentel, que falou na ‘live’ desta semana


por Paulo Passos


Os 6 milhões de servidores municipais, 3 milhões estaduais e 1 milhão de federais poderão fazer greve geral neste segundo semestre contra a proposta de emenda constitucional (pec) 32-2020.
A possibilidade foi levantada pelo presidente do Sindest, Fábio Marcelo Pimentel, em ‘live’ na noite de terça-feira (20), transmitida pelo Facebook e Youtube.

Sindest é o sindicato dos 12 mil servidores estatutários e 4 mil aposentados de Santos, cujas ‘lives’ semanais, toda terça-feira, alcançam grande audiência. A ‘pec’ 32 é conhecida por reforma administrativa.
Antes da greve, porém, o funcionalismo tentará, de várias maneiras, convencer os deputados federais a votarem contra a proposta encaminhada à câmara, pelo presidente Jair Bolsonaro, no segundo semestre de 2020.

Em 3 de agosto, por exemplo, a categoria fará grande concentração, em Brasília, contra a ‘pec’, precedida de organizações estaduais e regionais em 27, 28 e 29 de julho.


Falar no BNH


“Ao longo de todo o segundo semestre”, disse o sindicalista na ‘live’, “estaremos mobilizados contra essa medida prejudicial aos servidores e à população, que deve protestar também”.

Fábio lembrou que a participação popular contra a medida vem acontecendo nos protestos de rua como os de 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho. O próximo será neste sábado (24), em todo o país.

“O povo, na verdade, tem ido às ruas para destituir o governo Bolsonaro, o que implica na derrocada também dessa maldita ‘pec’ que prejudica a todos de maneira dramática”.

O sindicalista lembrou que, em Santos, o protesto será às 16 horas, na Praça da Independência, Gonzaga, de onde sairá em passeata, uma hora e meia depois, até a Praça Abílio Rodrigues da Paz.

A praça fica no bairro Aparecida, ao lado do ‘shopping’ Praiamar, onde os manifestantes falarão aos moradores do conjunto residencial Humberto de Alencar Castelo Branco (BNH).


Amigo do povo, jamais


“O governo está fragilizado, mas não está fraco” disse Fábio. “Sua base está se dissolvendo, mas ainda tem força. Daí a importância de participação em massa nos protestos de rua”.

Entre os prejuízos da reforma à população, o sindicalista cita o princípio da subsidiariedade, que dá condições ao governo de só prestar serviços sociais nos setores que a iniciativa privada não quiser.
Segundo ele, a palavra subsidiariedade foi retirada do texto da ‘pec’, mas seu princípio continua ativo. Isso possibilitará que empresários obtenham altos lucros em serviços de saúde, educação e segurança.

Fábio também criticou as cinco formas de contratação de servidores previstas no que ele chama de ‘deforma administrativa’. “O servidor não será empregado do estado, mas sim do governo”.

“O funcionalismo não será mais contratado por concurso público, mas por ser amigo do vereador, do prefeito, deputado, governador, senador ou do presidente. Amigo do povo, jamais”.


Cadeia em vez de palácio


“Muitas maldades acontecerão se não pressionarmos e se o povo não for para as ruas contra esse bandido, o presidente Bolsonaro, cujo lugar certo é a cadeia e não o palácio”.

O diretor de comunicação do Sindest, Daniel Gomes, também enumerou “muitos motivos para a população continuar indo às ruas, agora pela quarta vez, em participações cada vez maiores”.

“Os indígenas” disse o sindicalista, “por serem massacrados. Os estudantes, porque o governo é mal-educado com a educação. Os empresários porque não há projeto nacional. E por aí vai”.

Para Daniel, o movimento sindical tem muitos motivos para querer a derrocada do governo, entre eles as privatizações e desnacionalizações de empresas como Eletrobras, Correios e Petrobras.

“Os negros, as mulheres, os ‘elegebetês’, os movimentos sociais, todos têm que ir aos protestos. As pessoas muitas vezes têm alimentos, doados, mas não o gás para cozinhá-los”.


De 6 mil para 90 mil comissionados


Sobre a ‘pec’ 32, o sindicalista explicou que há hoje no Brasil 6 mil cargos em comissão de livre provimento, ou seja, indicados pelos gestores. E que esse número subirá para 90 mil se a reforma for aprovada.

Daniel lembrou que, em 6 de agosto, haverá uma audiência pública sobre a ‘pec’, na câmara de Santos, convocada pela vereadora Telma de Souza (PT), por solicitação do Sindest.

“Será um evento elucidativo a respeito do problema, com ícones do movimento ‘Basta’ nacional, estadual e regional, além de especialistas, para falar da ‘pec’. Convocamos toda a categoria”, diz Daniel.

O diretor de assuntos profissionais do sindicato, Carlos Alberto Reis Nobre ‘Carlinhos’, também criticou a proposta do governo e conclamou os servidores a participarem dos protestos.

“Muitos em Brasília, até o relator da ‘pec’, estão desgostosos com ela e isso muito se deve às manifestações e campanhas dos sindicatos. Com a mobilização, estamos conseguindo reverter a situação”.

Fábio, Daniel e Carlinhos também falaram de temas específicos dos servidores de Santos, entre eles a campanha salarial e o pagamento de pecúnias. O programa está disponível nas redes sociais do Sindest.



Fonte: Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos - Sindest