Notícias nos Estados Publicado: 7/05/2025 | 06:45

SP: Presidente do Sinpcresp denuncia adoecimento nas Polícias de São Paulo



A crise de saúde mental entre os profissionais da Segurança Pública do Estado de São Paulo foi o principal tema abordado durante o Encontro de Entidades de Classe das Polícias, realizado no dia 24 de abril, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp)

Deputado Reis recebe presidente do Sinpcresp, Bruno Lazzari. Foto: Reprodução


A crise de saúde mental entre os profissionais da Segurança Pública do Estado de São Paulo foi o principal tema abordado durante o Encontro de Entidades de Classe das Polícias, realizado no dia 24 de abril, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O evento, voltado para o debate da campanha salarial de 2025, reuniu representantes de diversas categorias policiais e revelou um cenário alarmante vivido por Peritos Criminais e demais agentes da área.

Em seu pronunciamento, o presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sinpcresp), Bruno Lazzari, fez um alerta contundente sobre o impacto psicológico enfrentado por esses profissionais. “A maioria dos telefonemas que recebo hoje são de colegas pedindo orientação sobre como se afastar por questões psicológicas. A Polícia do Estado de São Paulo está doente”, afirmou. Segundo ele, o adoecimento não se restringe a uma categoria específica, mas atinge toda a estrutura da Segurança Pública paulista.


Salários defasados, sobrecarga e falta de efetivo: a “tríade do mal”


Lazzari atribuiu o colapso emocional dos Servidores à combinação de três fatores: salários defasados, excesso de trabalho e falta de efetivo — o que ele chamou de “tríade do mal”. Segundo o dirigente sindical, enquanto a média nacional de aumento real dos salários dos Peritos Criminais ultrapassou 80% na última década, em São Paulo esse índice ficou abaixo de 40%. Hoje, o salário inicial de um Perito no Estado é de R$ 13.739, significativamente inferior à média nacional de R$ 20 mil. Em Estados como Rondônia e Roraima, os valores chegam a R$ 30 mil.

“Os Policiais que mais trabalham são os que menos recebem. Os Delegados estão em 24º lugar no ranking nacional de salários, e os Peritos Criminais em 19º. É uma distorção que impacta diretamente na saúde mental e no futuro da profissão”, salientou Lazzari.


Fuga de profissionais e desequilíbrio de carga


O baixo reconhecimento e a sobrecarga têm levado muitos profissionais a deixarem o Serviço Público paulista. Nos últimos três anos, o índice de evasão de Peritos subiu de 4% para 18%. “Estamos formando profissionais altamente qualificados aqui, com grande volume de experiência prática, e eles estão indo para outros Estados. São Paulo está perdendo seus melhores quadros”, lamentou o presidente do Sinpcresp.

Esse êxodo ocorre mesmo diante de uma demanda crescente. Os dados apresentados por Lazzari mostram que os Peritos de São Paulo, que representam apenas 19% do efetivo nacional, respondem por 54% das requisições policiais do País. Em termos de produção de laudos, o Estado lidera com folga: são cerca de 1 milhão de laudos técnicos produzidos por ano. Para efeito de comparação, Minas Gerais, segundo colocado, produz 400 mil, e o terceiro Estado não ultrapassa 250 mil.


Ausência de políticas de acolhimento


Além das questões estruturais, Lazzari criticou a ausência de políticas públicas voltadas ao acolhimento e à preservação da saúde mental desses Servidores. “O Estado e as instituições não sabem como lidar com essa realidade. Não há protocolos claros de apoio psicológico, nem estrutura adequada para prevenir o adoecimento”, denunciou.

A fala do presidente do Sinpcresp reforça a urgência de medidas concretas não apenas para reajustes salariais, mas também para a valorização humana dos profissionais da Segurança Pública. Segundo ele, enquanto não houver uma ação coordenada do Poder Público, a crise só tende a se aprofundar.




Fonte: Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos no Estado de São Paulo - Fessp-Esp com informações do Sinpcresp