Destaques, Notícias Publicado: 25/11/2025 | 07:41

SP: CSPB reforça crítica à Reforma Administrativa em audiência pública em Santos



Representantes da Confederação e parlamentares alertam que a PEC 38/2025 representa um desmonte do Estado, beneficia o capital e ameaça serviços públicos essenciais, convocando mobilização popular para barrar a proposta




Em um debate intenso e retransmitido nacionalmente pela CSPB TV, a audiência pública "Reforma administrativa: serviços e servidores públicos sob ataque", realizada nesta segunda-feira (24/11) na Câmara Municipal de Santos e convocada pela vereadora Débora (PSOL/Santos), serviu como um grande ato de resistência contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 38/2025. O evento, que reuniu parlamentares e lideranças sindicais de toda a Baixada Santista, São Paulo e interior, teve a participação central de representantes da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB, que detalharam os riscos da proposta e conclamaram a população à luta.

Assista à íntegra da audiência pela CSPB TV:





Os discursos foram unânimes em apontar que os impactos da reforma vão muito além dos prejuízos aos servidores, atingindo diretamente a qualidade dos serviços públicos prestados a toda a sociedade. A análise foi de que a PEC atende a interesses do capital em detrimento da soberania nacional e da democracia.


Ameaça à transparência e ao Estado Democrático

Uma das críticas mais contundentes veio da Diretora de Assuntos da Área Municipal da CSPB, Cristina Helena Gomes, que relacionou a proposta a um enfraquecimento institucional deliberado.

“Essa PEC 38/2025 tira a transparência da Constituição. Tirando a transparência nós não vamos conseguir desmontar o que já está montado: que é o crime organizado dentro do Congresso Nacional e bancado por ele. Eles planejam desmontar o Estado brasileiro. Nosso estado de direito nada mais é do que a nossa democracia que reflete a vontade do povo. Nós temos que sair daqui conscientes de que nós temos que nos defender não apenas enquanto trabalhadores, mas como sociedade”, alertou Cristina, acrescentando: “Importante a atuação nas redes, mas não podemos deixar as ruas de lado. Precisamos empoderar os trabalhadores no campo político elegendo gente nossa. Somente assim daremos um freio nessas interruptas tentativas de destruir a democracia e os serviços públicos em nosso país.”


Resposta firme ao Congresso Nacional

O secretário Executivo da CSPB em São Paulo, Fábio Pimentel, foi enfático ao definir a estratégia de pressão sobre os parlamentares que eventualmente apoiarem a medida. Sua fala ecoou no plenário como um recado direto e sem ambiguidades.

“Nós temos que mostrar para o Congresso Nacional que o parlamentar que votar a favor desse projeto de desmonte, não volta mais. Iremos trabalhar contra qualquer parlamentar que assim agir ou votar”, declarou Pimentel, sinalizando uma campanha aguerrida nas próximas eleições.


Reconhecimento retórico versus ataques concretos

A diretora de Assuntos da Mulher da CSPB, Katia Rodrigues “Katita”, trouxe para o debate a contradição entre o discurso de valorização do servidor e as propostas que os atacam. Ela lembrou a homenagem aos profissionais da saúde durante a pandemia para contrastar com a realidade atual.

“Nós vemos aqui mais essa proposta de desmonte que tanto nos preocupa e nos obriga a lutar. Quando chegou o período da pandemia disseram que os servidores da área da Saúde eram heróis. Mas a Saúde só funcionou no período da pandemia? Claro que não! A Saúde funciona antes, durante e depois. O mesmo ocorre com a Educação, com a Segurança e com tantas outras categorias”, questionou Katita. “Estamos cansados de reconhecimentos retóricos seguidos de ataques como esse. O fato é que sempre precisamos e precisaremos lutar contra as recorrentes tentativas de nos destruir. Somente luta faz a lei”, concluiu.


Unidade e mobilização como caminho

A Deputada Federal Sâmia Bonfim (PSOL/SP), que também participou do evento, reforçou a convicção de que a mobilização popular pode derrotar a PEC, assim como ocorreu com a PEC 32 do governo anterior. A mensagem final do evento foi clara: a resistência à Reforma Administrativa exige unidade entre todas as entidades sindicais e a pressão constante da sociedade sobre o Congresso Nacional, transformando a conscientização em ação nas ruas e nas redes.
 
 
Secom/CSPB