Notícias nos Estados Publicado: 19/03/2026 | 05:31

MT: Crise da CODER se agrava



O cenário, que envolve possível liquidação, questionamentos judiciais e mobilização política, tem gerado grande preocupação entre servidores e a população




A crise envolvendo a Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder) ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (17), com a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal e uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso que impacta diretamente o futuro da empresa e de seus trabalhadores. O cenário, que envolve possível liquidação, questionamentos judiciais e mobilização política, tem gerado grande preocupação entre servidores e a população.

A audiência pública, realizada às 19h, desta terça-feira (17), foi proposta pelo vereador Alfredo Vinicius Amoroso (PSB), autor do requerimento, com o objetivo de ampliar o debate sobre a situação da Coder. O encontro reuniu servidores, autoridades políticas e representantes de diferentes correntes ideológicas, evidenciando a gravidade do tema e seus impactos sociais e econômicos para o município.





Entre os destaques da audiência esteve a participação da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (Fessp-MT), liderada pela presidente Carmen Machado. A entidade marcou presença com sua equipe, reforçando o compromisso com a defesa dos trabalhadores diante da possibilidade de extinção da companhia.

Carmen Machado destaca a importância de um diálogo transparente e responsável, que considere não apenas aspectos administrativos, mas principalmente os impactos sociais da medida. Segundo ela, a liquidação da Coder pode resultar em perda de empregos, redução de renda para diversas famílias e prejuízos à continuidade de serviços essenciais prestados à população.

A audiência também foi marcada por forte mobilização política. Um dos principais encaminhamentos foi o pedido de abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), apresentado pelo vereador Jamal Daud (PV), com o objetivo de apurar as causas do rombo financeiro da empresa e identificar possíveis responsabilidades. Até o momento, o pedido conta com duas assinaturas e precisa de sete para ser instaurado.





Outro ponto de destaque foi a fala do procurador do Ministério Público do Trabalho, Pedro Henrique Godinho Faccioli, que defendeu a busca por uma solução negociada, priorizando o pagamento dos salários e benefícios em atraso. Ele alertou para os prejuízos enfrentados pelos trabalhadores, como negativação de crédito e possíveis danos morais, e colocou o órgão à disposição para intermediar uma solução.

Apesar da ampla participação e dos debates intensos, a audiência teve poucos encaminhamentos práticos imediatos para a quitação das dívidas com os servidores, que enfrentam atrasos salariais e dificuldades financeiras.

Paralelamente ao debate político, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a decisão que suspende o processo de liquidação da Coder. O desembargador Jones Gattass Dias esclareceu que a medida judicial não impede o pagamento de salários, pelo contrário, ao suspender a liquidação, restabelece o funcionamento normal da empresa e suas obrigações trabalhistas.

A decisão suspende os efeitos da Assembleia Geral Extraordinária que tratava da liquidação e reforça que eventuais problemas relacionados ao pagamento de salários devem ser discutidos em ações específicas, não no processo que analisa a legalidade da extinção da companhia.

Diante desse cenário, a situação da Coder permanece indefinida, envolvendo disputas jurídicas, pressão política e mobilização social. A atuação da Fessp-MT, sob a liderança de Carmen Machado, e a iniciativa do vereador Alfredo Vinicius Amoroso em promover o debate público evidenciam a busca por soluções que garantam transparência, responsabilidade e, principalmente, a proteção dos trabalhadores.





Durante a audiência pública, a Fessp-MT apresentou a proposta de criação de uma mesa permanente de negociação, com o objetivo de buscar soluções que garantam, de fato, a justiça social e a manutenção da eficiência do serviço público.

Segundo a presidente da Fessp-MT, há preocupação com a possibilidade de privatização, medida que não pode ser admitida, pois tende a ampliar a precarização das relações de trabalho. Carmen Machado destaca ainda que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio da Convenção nº 151, prevê a adoção de mecanismos de negociação coletiva como forma de prevenir e solucionar conflitos, reforçando a importância do diálogo, do bom senso e da construção conjunta de soluções.

A expectativa agora é que novos desdobramentos ocorram tanto no campo político quanto no jurídico, enquanto servidores e a população acompanham de perto decisões que podem impactar diretamente a economia local e a prestação de serviços públicos em Rondonópolis.


Fonte: Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso - Fessp-MT
 

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