Notícias nos Estados Publicado: 24/04/2026 | 05:41

MT: Audiência na ALMT debate demissões no SAMU e levanta questionamentos sobre atendimento na Baixada Cuiabana



A presidente da Fessp-MT, Carmen Machado, criticou a condução das mudanças no serviço e classificou o cenário como um retrocesso na saúde pública estadual. Segundo ela, a lógica econômica não pode prevalecer quando se trata de atendimento de urgência




A demissão de 56 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) na Baixada Cuiabana foi o centro de uma audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O encontro, promovido pela Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social, resultou no encaminhamento de cinco pontos principais, incluindo a revisão das demissões, esclarecimentos sobre a desativação de unidades e a ampliação do debate sobre a cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o SAMU e o Corpo de Bombeiros.





A presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso - Fessp-MT, Carmen Machado, criticou a condução das mudanças no serviço e classificou o cenário como um retrocesso na saúde pública estadual. Segundo ela, a lógica econômica não pode prevalecer quando se trata de atendimento de urgência. “Não se economiza vida. O SAMU tem eficiência comprovada e é essencial para salvar vidas da população cuiabana e mato-grossense”, afirmou.

Durante a audiência, o presidente da comissão, deputado estadual Dr. Eugênio (PSB), destacou a necessidade de o governo reavaliar as demissões realizadas em março e prestar esclarecimentos sobre o fechamento de cinco unidades do serviço que deixaram de funcionar. Ele também defendeu a inclusão do SAMU nas discussões sobre a cooperação técnica com a SES, com o objetivo de fortalecer o atendimento pré-hospitalar no estado.

Outras propostas foram incorporadas ao debate. O deputado Paulo Araújo (Republicanos) sugeriu a convocação de aprovados em concurso público para suprir a demanda de profissionais. Já o deputado Lúdio Cabral (PT), atualmente licenciado, propôs que a comissão leve a discussão ao Ministério da Saúde na próxima semana, buscando alternativas para a renovação dos contratos dos profissionais desligados.





A preocupação com o impacto das demissões foi reforçada por Lúdio Cabral, que defendeu a recomposição imediata das equipes. “O atendimento pré-hospitalar está desfalcado. Precisamos de uma solução urgente e discutir essas demissões com o Ministério da Saúde”, declarou.

O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, que assumiu a pasta há cerca de 20 dias, explicou que o governo trabalha na ampliação da cobertura do atendimento por meio de uma cooperação técnica com o Corpo de Bombeiros Militar. Segundo ele, o objetivo é alcançar municípios que ainda não contam com o serviço. Atualmente, o SAMU está presente em 24 cidades, e há um plano de expansão para outras 28.

De acordo com o secretário, a parceria já ampliou a estrutura na Baixada Cuiabana, passando de 12 para 25 unidades de atendimento pré-hospitalar. “Estamos aumentando a cobertura e padronizando o serviço, especialmente em regiões onde não havia atendimento”, afirmou. Sobre os profissionais desligados, Melo informou que parte dos contratos já foi renovada ou realocada, enquanto outros seguem em negociação.

Apesar das explicações do Executivo, parlamentares e representantes da categoria demonstraram preocupação com os impactos práticos das mudanças. O primeiro-secretário da ALMT, deputado Dr. João (MDB), questionou a necessidade de alterações em um sistema que, segundo ele, já apresentava resultados positivos. Ele também levantou dúvidas sobre a continuidade do apoio federal ao serviço em caso de mudanças estruturais.

Representantes dos trabalhadores também criticaram a condução da política de saúde. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma-MT), Carlos Mesquita, afirmou que o estado teve tempo para ampliar o atendimento, mas não avançou como deveria. “A população de Cuiabá e Várzea Grande está sendo penalizada pela falta de pessoal”, disse.

A enfermeira do SAMU, Patrícia Ferreira, relatou redução na estrutura do serviço ao longo dos últimos anos. Segundo ela, o número de ambulâncias caiu de 12 para oito entre julho de 2025 e janeiro deste ano, e a demissão dos profissionais agravou a situação. “Ficou impossível atender a população com qualidade”, afirmou.





A deputada Janaína Riva (MDB) defendeu que o debate seja conduzido de forma técnica, com foco no atendimento à população. “O cidadão não quer saber se é SAMU ou Bombeiro. Ele quer ser atendido com qualidade e rapidez”, pontuou.

Ao final da audiência, ficou definido que a comissão continuará acompanhando o caso e buscará diálogo com o Ministério da Saúde para avaliar possíveis soluções, incluindo a recontratação dos profissionais e a reestruturação do atendimento de urgência em Mato Grosso.



Fonte: Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso - Fessp-MT

 

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