Destaques, Notícias Publicado: 29/04/2026 | 16:14

Seminário em Praia Grande reúne lideranças e especialistas e inicia a implementação de agenda estratégica para 2026



Primeiro dia do evento em Praia Grande (SP) foi marcado por debates aprofundados sobre cenário político, transformações no trabalho e os desafios do movimento sindical

Serviço Fotográfico de Renato Luque - Fessp-Esp

A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB realizou, nesta quarta-feira (29/04), a abertura do Seminário de Formação Política e Representação de Classes, em Praia Grande (SP), consolidando um importante espaço de diálogo e articulação para o fortalecimento do movimento sindical em 2026.

O evento, organizado em parceria com relevantes Centrais Sindicais, reuniu lideranças de todo o país, autoridades e especialistas renomados com o objetivo de construir um diagnóstico preciso e propor uma agenda comum capaz de enfrentar os principais desafios políticos e sindicais dos servidores públicos.

A cerimônia de abertura contou com a participação de representantes das seis centrais apoiadoras — Força Sindical, NCST, CTB, CSB, CESP e UGT — reforçando a unidade e a importância do diálogo intersindical neste momento estratégico.
 

Debates centrais marcam o primeiro dia

A programação inaugural trouxe reflexões de alto nível sobre o presente e o futuro do trabalho e da organização sindical no Brasil.

O presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, abriu o ciclo de palestras com o tema “Os Desafios do Movimento Sindical para 2026”, destacando a necessidade de fortalecimento institucional, mobilização da base e atuação estratégica diante das mudanças no cenário político.
 
Serviço Fotográfico de Renato Luque - Fessp-Esp
“Este evento inaugura a largada para uma jornada de eventos como este, que pretendemos que seja no mínimo 10 até o fim das eleições deste ano. A qualificação sindical é indispensável para alcançarmos nossos objetivos na esfera política", afirmou o líder sindical. 
  
Na sequência, o sociólogo e economista Clemente Ganz Lúcio abordou as profundas transformações no mundo do trabalho, impulsionadas pelas novas tecnologias e pela inteligência artificial, enfatizando os impactos diretos sobre as relações laborais e os desafios que se impõem às entidades sindicais.
 
Serviço Fotográfico de Renato Luque - Fessp-Esp

“A pejotização está eliminando, na prática, todos os direitos trabalhistas. Ela representa a negação das relações de trabalho. Essa armadilha pode implodir as conquistas e bloquear qualquer alternativa de avanço aos trabalhadores brasileiros. Precisamos ficar atentos a isso!”

“Os projetos de redução da jornada de trabalho para 40 horas e o projeto de negociação coletiva para os trabalhadores do setor público devem correr juntos no Congresso Nacional. Imprescindível visitar senadores e deputados solicitando apoio para a aprovação dessas importantes reivindicações da classe trabalhadora. Esse apoio mútuo dos trabalhadores do setor público e privado é estratégico para fortalecer a aprovação de ambas matérias no Congresso Nacional”
 

Assista à abertura solene, bem como as palestras de João Domingos e Clemente Ganz Lúcio, que inauguraram a rodada de palestras do evento nesta quarta-feira (29/04):




O professor doutor João Cezar de Castro Rocha trouxe uma análise da conjuntura internacional, explorando suas interferências no cenário brasileiro e os reflexos para a organização política e social do país.

“A extrema direita se apropriou dos algoritmos e passou a personalizar conteúdos para uma audiência não mais compreendida como pertencente a uma coletividade, mas como perfil de usuário que revela, voluntariamente, seus desejos e anseios. Direcionar conteúdos com o objetivo de atingir eleitores naquilo que os sensibiliza, foi o grande trunfo da extrema direita no plano internacional. A mentira e a desfasatez alcançaram seu ápice com essa estratégia de cooptação política”, ressaltou Casto Rocha.  

“Nesta disputa política de 2026 estaremos decidindo, objetivamente, se permaneceremos em um país soberano ou regressaremos a uma colônia de nação estrangeira. É assustador que esse comportamento covarde e entreguista esteja sendo dito sem o menor pudor pelos quadros políticos da extrema direita. Uma “Pinochetização” brasileira, que é uma agenda política de radicalização do neoliberalismo, é o projeto da Faria Lima e está em curso. É preciso impedir esse violento retrocesso e combate-lo na origem”, afirmou o especialista. 

Encerrando o ciclo do dia, André Santos, diretor adjunto do DIAP, apresentou uma leitura estratégica da conjuntura política nacional, com foco no papel do movimento sindical nas eleições de 2026.






“Hoje o Legislativo é o lócus principal para que a classe trabalhadora consiga lograr êxito na sua agenda de lutas. A eleição no Senado Federal, inclusive, pode representar uma ameaça à democracia caso a extrema direta consiga ampliar sua bancada nesta casa legislativa”, reforçou o representante do DIAP.  

“Teremos uma eleição muito polarizada. É papel do movimento sindical fazer um trabalho de base de confronto à desinformação espalhada pela extrema direita brasileira nas redes sociais e nos ambientes de trabalho. Essa capilaridade não pode ser desperdiçada e é indispensável que esse processo de esclarecimento junto à bases seja consistente. A disputa eleitoral será acirrada e o engajamento das entidades sindicais neste ano determinará, sem exagero, sua sobrevivência ou extinção”, concluiu André.


Assista às palestras de João Cezar de Castro Rocha (ICL) e André Santos (DIAP), que inauguraram a rodada de palestras do evento nesta quarta-feira (29/04):




Estratégia de articulação política para aprovação do PL 1893/2026, que regulamenta ao direito à negociação coletiva aos trabalhadores do setor público

O colegiado de líderes da CSPB compreende que a regulamentação da negociação coletiva beneficia tanto os servidores quanto a administração pública, uma vez que 70% das greve se iniciam para abrir negociação.

“Precisamos levar essa compreensão aos gestores lideranças políticas que são resistentes a esse direto tão elementar, que se trata de uma ferramenta indispensável e muito útil na resolução de conflitos”, avalia João Domingos.




“Se mandarmos um projeto que regulamente a contribuição sindical ou o direito de greve, a resistência a estes inviabilizaria a aprovação da negociação coletiva e da licença sindical. Fatiar os pilares da Convenção 151 é, para nós, o caminho mais estratégico para fazermos avançar em alguma medida a nossa agenda. Precisamos melhorar a péssima correlação de forças no parlamento brasileiro para conquistarmos o restante da Convenção 151”, reforçou o líder da CSPB.

O PL 1893/2026 foi lido e avaliado ponto a ponto pelos participantes que, coletivamente, sugeriram alterações e destaques para o aprimoramento do texto, que deve ser apresentado ao relator Deputado Federal André Figueiredo (PDT-CE), presidente da Frente Parlamentar Servir Brasil e com ótima interlocução junto à CSPB.

As discussões sobre o PL 1893 não foram plenamente concluídas e prosseguirão no segundo dia de evento.


Construção coletiva segue nesta quinta-feira

O seminário prossegue nesta quinta-feira (30/04), com a continuidade dos debates e a consolidação de propostas que deverão orientar a atuação das entidades sindicais no restante do ano.

O primeiro dia reforçou a importância da união, da análise qualificada e da ação coordenada como pilares fundamentais para o fortalecimento do serviço público e da representação dos trabalhadores no Brasil.
 

Clique AQUI e acesse mais fotos do evento
 


Secom/CSPB
 

Compartilhe essa notícia

Mais lidas dos últimos 30 dias