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Publicado: 4/05/2026 | 05:47
MT: Governo de Mato Grosso recua após pressão e anuncia retorno de servidores do SAMU
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Após uma série de reuniões e debates, o Governo do Estado anunciou a recontratação de 56 profissionais demitidos e a revisão do modelo de gestão do serviço, sinalizando um recuo diante da pressão institucional e da categoria
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A crise no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) em Mato Grosso ganhou novos desdobramentos ao longo da última semana, envolvendo mobilização da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso - Fessp/MT, sindicatos, servidores, parlamentares da Assembleia Legislativa e representantes do Ministério da Saúde. Após uma série de reuniões e debates, o Governo do Estado anunciou a recontratação de 56 profissionais demitidos e a revisão do modelo de gestão do serviço, sinalizando um recuo diante da pressão institucional e da categoria.
O ponto de inflexão ocorreu após reunião realizada na sede da Fessp-MT, na segunda-feira (27), que reuniu representantes sindicais, trabalhadores do SAMU, parlamentares e enviados do Ministério da Saúde. No encontro, o diagnóstico apresentado foi preocupante: entidades classificaram o cenário como de “enfraquecimento estrutural” do serviço, com déficit de profissionais, falhas operacionais e risco de comprometimento do atendimento à população.
Segundo os sindicatos, os problemas vão além de questões pontuais e refletem um processo contínuo de fragilização. Entre os principais alertas está o risco de perda de recursos federais, caso o estado não se adeque às normativas nacionais do SUS. Relatórios discutidos apontam possibilidade de sanções, incluindo suspensão de repasses e devolução de verbas já recebidas.
No dia seguinte, o tema ganhou força política durante debate na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Na audiência, o diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, revelou que a cobertura do SAMU no estado é de apenas 58%, abaixo da média nacional, que gira em torno de 90%. Ele também anunciou o envio de cerca de 52 novas ambulâncias como parte de um plano nacional de expansão do serviço.
Apesar do reforço na frota, a Fessp/MT, sindicatos e servidores alertaram que o problema central está na falta de equipes. De acordo com a categoria, já existem ambulâncias paradas por ausência de profissionais, evidenciando que a solução passa necessariamente pela recomposição de recursos humanos e melhoria na gestão.
Outro ponto sensível debatido foi a condução do serviço. Representantes do Ministério da Saúde reforçaram que o SAMU deve permanecer sob gestão da área da saúde, seguindo protocolos próprios do SUS. A discussão ocorre em meio a críticas sobre possível sobreposição de funções com o Corpo de Bombeiros, o que, segundo sindicatos e parlamentares, pode descaracterizar o modelo original do serviço.
O deputado estadual Lúdio Cabral destacou falhas estruturais identificadas em auditoria recente, como ausência de espaço adequado para regulação médica, falta de coordenação presencial e riscos à confidencialidade de dados dos pacientes. Ele também apontou indícios de que atribuições do SAMU estariam sendo assumidas por outras estruturas, o que comprometeria a eficiência do atendimento.
A crise se agravou com a demissão de 56 profissionais na Baixada Cuiabana, medida que, segundo os servidores, impactou diretamente o funcionamento de unidades e levou à desativação de bases em Cuiabá e Várzea Grande. A situação aumentou a pressão sobre o governo estadual.
Diante do cenário, uma reunião no Palácio Paiaguás, nesta quinta-feira (30), reuniu servidores que haviam sido demitidos, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma), deputados e membros do Executivo. Participaram do encontro, além de Lúdio, os deputados Dr. João e Paulo Araújo, integrantes da Comissão de Saúde.
Após o diálogo, o governador Otaviano Pivetta anunciou a recontratação dos profissionais desligados. Segundo ele, a decisão visa garantir a continuidade e a qualidade do atendimento à população.
“Em consideração à contribuição e ao histórico do serviço prestado, o Governo decidiu pela recontratação dos profissionais. O mais importante é garantir o atendimento à população”, afirmou.
A medida foi comemorada por parlamentares e trabalhadores. Para Lúdio Cabral, a decisão representa um avanço importante após semanas de tensão. Ele também destacou a abertura do governo para revisar o Termo de Cooperação entre o SAMU e o Corpo de Bombeiros, com o objetivo de corrigir irregularidades e fortalecer o serviço.
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Além da recontratação, o governo anunciou que irá rediscutir o modelo de gestão e trabalhar para ampliar a cobertura do SAMU no estado, aproveitando a oferta de novas ambulâncias pelo Ministério da Saúde. A meta é atingir 100% da população mato-grossense.
Representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) informaram que o processo de retorno dos profissionais será conduzido em conjunto com a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), respeitando os trâmites administrativos necessários.
Para os servidores, a decisão traz alívio, mas não encerra o movimento. A Fessp-MT, Sindicatos e entidades reforçam que continuarão mobilizados para garantir a reestruturação completa do serviço, com investimento em equipes, melhoria das condições de trabalho e cumprimento das diretrizes do SUS.
A avaliação geral é de que a crise expôs fragilidades profundas no sistema de urgência e emergência em Mato Grosso. Ao mesmo tempo, a articulação entre servidores, sindicatos, a Fessp-MT, parlamentares e Ministério da Saúde demonstrou força política suficiente para provocar mudanças e abrir caminho para uma possível reestruturação do SAMU no estado.
Enquanto isso, a população segue dependente de um serviço considerado essencial, onde cada minuto pode significar a diferença entre a vida e a morte.
Fonte: Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso - Fessp-MT
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