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Publicado: 17/06/2026 | 05:26
SP: Fupesp no jornal A Tribuna: Artigo ‘O mercado, as prefeituras e a escala 6x1’
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"Hoje, com o avanço da tecnologia, aumento da produtividade e lucros cada vez maiores, não existe justificativa para que milhões de trabalhadores sigam vivendo apenas para trabalhar"
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por Damázio Sena e Fábio Pimentel
A discussão sobre o fim da escala 6x1 tem revelado, mais uma vez, o abismo entre os interesses do mercado e a realidade da classe trabalhadora. Desde a Constituição de 1988, quando a jornada semanal caiu de 48 para 44 horas semanais, ouvimos o mesmo discurso alarmista do empresariado: quebradeira, desemprego e caos econômico. Nada disso aconteceu.
Hoje, com o avanço da tecnologia, o aumento da produtividade e lucros cada vez maiores, não existe justificativa para que milhões de trabalhadores sigam vivendo apenas para trabalhar. Defendemos que o trabalhador tenha direito ao descanso, ao convívio familiar, ao lazer, aos estudos e até ao simples direito de respirar fora do ambiente de trabalho.
Temos acompanhado a mobilização de prefeitos e setores empresariais contra o fim da escala 6x1. Eles alegam impactos bilionários e necessidade de novas contratações, mas omitem que grande parte desses contratos envolve empresas terceirizadas que lucram às custas da precarização do trabalho.
Como dirigentes sindicais, vemos diariamente o adoecimento físico e mental provocado por jornadas exaustivas. Não se trata apenas de economia. Trata-se de dignidade humana. O discurso de que garantir mais descanso ao trabalhador ‘custa caro’ ignora o preço pago por quem sofre com ansiedade, depressão, afastamentos e perda da convivência familiar.
Também preocupa a tentativa de setores do Congresso Nacional de flexibilizar direitos trabalhistas sob o argumento do ‘negociado sobre o legislado’. Sabemos que, numa negociação individual, o trabalhador é sempre a parte mais fraca. Proposta de emenda à Constituição (PEC) nesse sentido foi apresentada pelo Partido Liberal (PL), no Senado, com apoio de 40 assinaturas de parlamentares que, na prática, trabalham no sistema 3x4.
Nossa federação, bem como os sindicatos filiados, seguirá mobilizada para impedir retrocessos. A luta contra a escala 6x1 é, acima de tudo, uma luta por qualidade de vida, valorização do trabalho e respeito à classe trabalhadora.
* Damázio Sena é presidente da Federação dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo (Fupesp) e membro do conselho fiscal da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB).
* Fábio Pimentel é presidente do Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest Santos), secretário-geral da Fupesp e secretário-executivo da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB)
Fonte: Federação dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo - Fupesp
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