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Publicado: 13/07/2026 | 06:33
Inflação surpreende para baixo e cai para 0,16% com alívio em alimentos

Desaceleração expressiva do IPCA em junho consolida eficácia de incentivos agrícolas e abre espaço para novas reduções na taxa de juros
por Cezar Xavier
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE, registrou uma forte desaceleração em junho, fechando em 0,16% — um recuo expressivo em comparação aos 0,58% apurados no mês anterior. O resultado surpreendeu o mercado financeiro positivamente, vindo bem abaixo do piso das expectativas dos analistas, que projetavam uma taxa mínima de 0,26% para o período.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial do país cedeu de 4,72% para 4,64%. A leitura benigna do indicador foi recebida com entusiasmo pelos investidores, provocando uma forte alta no Ibovespa e o recuo dos contratos de juros futuros e do dólar.
Deflação em alimentos e queda na energia elétrica
O principal motor para o alívio no bolso dos brasileiros foi o grupo de Alimentação e Bebidas, que registrou queda de 0,24% em junho, revertendo a alta de 1,33% observada em maio. Foi a primeira deflação do setor desde novembro de 2025, impulsionada pelo recuo expressivo nos preços de itens essenciais do dia a dia, como o café moído (c3,72%), as frutas (-1,58%) e as carnes (-0,64%).
O grupo Habitação também deu uma contribuição crucial para o resultado. Sua variação desacelerou de 1,22% para 0,63%. O movimento foi garantido pelo menor ritmo de aumento nas contas de luz residenciais, cuja variação recuou de 3,67% para 1,53% após a manutenção da bandeira tarifária amarela. Além disso, o grupo de transportes foi beneficiado pela queda generalizada no preço dos combustíveis na bomba, com retrações no etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%) e gasolina (-0,12%).
Políticas de estímulo protegem o mercado interno
Economistas apontam que a reversão na trajetória de preços de itens básicos é reflexo direto das políticas estruturais do governo federal. As ações focadas na desoneração de cadeias produtivas e no fortalecimento do abastecimento interno ajudaram a mitigar pressões climáticas e blindaram o consumidor.
Da mesma forma, a estratégia comercial adotada nas estatais de energia conseguiu amortecer parte do impacto internacional da alta do petróleo Brent — pressionado pelo fechamento do Estreito de Hormuz no conflito do Oriente Médio —, permitindo que os combustíveis registrassem deflação na margem e contivessem os custos logísticos nacionais.
Caminho livre para novos cortes na taxa Selic
A melhora qualitativa do IPCA de junho reacendeu o otimismo em relação à condução da política monetária do país. Com o índice de difusão recuando de 65% para 54%, o que demonstra que a alta de preços está bem menos espalhada, analistas de mercado reforçaram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá o conforto necessário para dar sequência ao ciclo de afrouxamento.
Embora o acumulado em 12 meses (4,64%) ainda se encontre ligeiramente acima do teto da meta estabelecida (4,50%), a desaceleração consistente pavimenta o caminho para um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) na reunião de agosto, atualmente fixada em 14,25% ao ano. A perspectiva de crédito mais barato sinaliza um horizonte de crescimento econômico sustentável e fortalecimento do poder de compra para o segundo semestre.
Fonte: Portal Vermelho
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