Notícias Publicado: 16/07/2026 | 05:55

Eduardo Bolsonaro diz que só haverá eleição em 2030 se irmão vencer em 2026



Em mais uma chantagem golpista típica do clã, deputado cassado condiciona democracia à eleição de Flávio e pede nova sanção dos EUA contra Moraes

Eduardo, Flávio e Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

por Priscila Lobregatte


Os Bolsonaro seguem investindo no golpismo e na tentativa de asfixiar as instituições democráticas para impor seus interesses ao País. Depois do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defender o intervencionismo estadunidense no Brasil pela via econômica e militar, agora é a vez do irmão, o deputado cassado Eduardo ameaçar com a possibilidade de não haver eleições em 2030 se Flávio perder neste ano.

Com sua malandragem retórica típica de milicianos, Eduardo disse, em vídeo divulgado pelas redes sociais nesta terça-feira (14), que “não haverá eleição em 2030, exceto se elegermos Flávio Bolsonaro” porque, segundo ele, “é impensável haver um país com Lula consolidando o atual regime e ainda botando +4 juízes no STF. Se já estão confortáveis hoje para fazer isso, imagina daqui a 4 anos, com controle total do STF+TSE?”.

A mensagem carrega um claro teor de ameaça, mas ao mesmo tempo sugere que isso só aconteceria sob um novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o qual buscam colar a pecha de “autoritário”. No entanto, é da extrema-direita a tática de apostar no golpismo e na corrosão das instituições para instalar seus líderes no poder pelo tempo que julgarem necessário e, assim, instalar um regime autocrático de cores fascistas.


Leia também: Lula cresce, chega a 40% e abre 12 pontos sobre Flávio Bolsonaro


Eduardo também defende o não reconhecimento prévio das eleições deste ano e que a Lei Magnitsky — que prevê sanções dos EUA contra violadores de direitos humanos — seja novamente usada (indevidamente) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

“Se em um país inteiro apenas um prisioneiro for proibido de se comunicar com seu filho — e candidato à presidência — por razões políticas, essa eleição não deveria, antecipadamente, ser reconhecida como democrática pelos países livres. A sanção Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, deve ser restabelecida”. O magistrado e sua esposa haviam sido alvo da lei no ano passado, devido ao julgamento de Jair Bolsonaro. A aplicação foi suspensa no final de 2025.

As falas ocorreram depois do ministro, relator da execução penal de Jair Bolsonaro (PL) — que cumpre 27 anos de prisão por tentativa de golpe — proibir Flávio de visitar o pai. A decisão foi tomada na segunda-feira (13), após o senador divulgar carta na qual o ex-presidente diz: “(Flávio é) meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade”.

Bolsonaro ainda declara que “o momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro” e aponta que ele seria “a melhor opção” para o Brasil. A carta é mais um episódio da crise envolvendo o clã Bolsonaro, intensificada após o vídeo da primeira-dama Michelle com acusações contra o senador.

Ao tomar a decisão de proibir Flávio (que também é advogado) de visitar Bolsonaro, Moraes entendeu que o senador descumpriu a decisão judicial que proíbe postagens do ex-presidente em redes sociais, além de ter cometido um desvio de finalidade do direito de visita.

Ao mesmo tempo, Moraes pediu ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para investigar se Flávio cometeu propaganda antecipada ao divulgar a carta que traz expressões com “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”.


Cenário incerto

Os acontecimentos recentes envolvendo a família Bolsonaro compõem um cenário de incerteza em torno da candidatura presidencial de Flávio, profundamente envolvido com o Banco Master e com outras situações pouco republicanas. Reportagem do The Intercept Brasil mostrou a amizade de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, de quem recebeu milhões de reais para supostamente financiar filme sobre o pai.

Conforme as investigações da Polícia Federal, a riqueza do banqueiro decorre das fraudes feitas pelo banco envolvendo, inclusive, dinheiro de servidores públicos aposentados. Tanto no entorno de Flávio quanto nos bastidores políticos, fala-se da possibilidade de virem à tona novos fatos envolvendo o senador e o Caso Master, o que poderia ferir ainda mais a sua candidatura. Com isso, o clã tenta investir em outras pautas do seu interesse e manter sua base mobilizada, usando-se dos discursos e ações tradicionalmente usados pela extrema direita dentro e fora do Brasil.


Fonte: Portal Vermelho