Notícias Publicado: 31/07/2026 | 06:18

'Ninguém meterá o bedelho nas eleições', diz Lula a Trump e Milei



Presidente confirma que o Brasil negou visto a enviados dos EUA, condena tentativas de interferência externa e ironiza ataques do argentino Javier Milei

Lula durante a convenção nacional do PSB, em Brasília, onde defendeu a soberania brasileira e afirmou que "ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras". Foto: Ricardo Stuckert/PR

por Lucas Toth


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (29) que não permitirá interferência estrangeira nas eleições brasileiras e revelou que o governo negou visto a dois funcionários enviados pelos Estados Unidos. 

Durante a convenção nacional do PSB, que oficializou Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente, Lula também reagiu às declarações do presidente argentino Javier Milei e voltou a defender a soberania nacional.

“Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, declarou Lula. “Nessa semana, tivemos que negar o visto para dois jovens que eles mandaram para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto”, revelou.

A declaração ocorre um dia após o governo de Donald Trump renovar por mais um ano a declaração de emergência nacional contra o Brasil e poucos dias depois do jornal The Washington Post revelar que Washington pretendia enviar funcionários do Departamento de Estado para questionar a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro.

Embora Lula não tenha mencionado diretamente Trump ao falar sobre os vistos, a referência foi interpretada como resposta à escalada das pressões norte-americanas sobre o Brasil e às sucessivas manifestações da Casa Branca em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.


“Não vou trocar coisa com aquela coisa”

Lula também respondeu aos ataques do presidente argentino Javier Milei, que no último sábado (25) participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, para declarar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e fez novos ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Sem citar o presidente argentino pelo nome, Lula afirmou: “Vocês viram a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada porque a minha relação é de chefe de Estado e eu gosto muito do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”.

A declaração reforça a posição adotada pelo governo brasileiro desde a visita de Milei ao Brasil, quando o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.


Defesa da soberania

As declarações de Lula ocorrem em meio à escalada das tentativas de interferência estrangeira no processo político-eleitoral brasileiro e de aproximação política entre Trump, Milei e o bolsonarismo.

Ao defender a soberania nacional e rejeitar interferências externas, Lula voltou a associar a defesa das instituições brasileiras à preservação do processo democrático.
Durante o evento, o presidente também elogiou Geraldo Alckmin e afirmou que a aliança entre os dois representa estabilidade institucional. “Com Alckmin, não há risco de golpe”, disse, em referência ao golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016.


Fonte: Portal Vermelho