Notícias Publicado: 14/10/2026 | 05:28

Decisões do TSE são mais rápidas para Flávio; pedidos de Lula são travados



A decisão de Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de derrubar neste domingo o canal de WhatsApp "Exército do Lula" reforça o contraste com o entendimento do próprio ministro e do colega André Mendonça sobre os pedidos da coligação de Lula (PT) contra a chapa de Flávio Bolsonaro (PL)




O que você precisa saber

- Em nova ofensiva, Nunes Marques mandou apurar canal 'Exército de Lula'. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, pediu uma apuração técnica urgente sobre a circulação de conteúdos falsos em redes digitais e no canal 'Exército de Lula', em mais um capítulo do embate com o corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia revogado ontem a suspensão do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

- Em outra situação, mesmo com o placar de 5 x 1 pela punição da candidatura do senador no plenário virtual, Nunes Marques optou pela mudança para o plenário físico, o que adiou a proclamação da decisão. A ordem do ministro, que atendia a pedido feito neste sábado (10) pela campanha de Flávio, foi derrubada horas depois pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

- Corregedor do TSE e relator do pedido, Cueva trava uma queda de braço com o presidente do TSE sobre o canal. Ele havia dado, ainda no sábado, um prazo de cinco dias para apresentação de provas pela candidatura de Flávio, que pedia a derrubada do canal de André Janones (Rede-MG).

- Nunes Marques atropelou o pedido do colega de TSE e deu prazo de três horas para o WhatsApp derrubar o canal, medida depois anulada por nova decisão de Cueva. Neste domingo, Mendonça também determinou, após pedido da campanha de Flávio na quinta (8), que a campanha de Lula suspenda o impulsionamento pago de posts no Instagram e Facebook contra o senador. 

- Já, em decisão colegiada e por unanimidade, o TSE mandou a campanha de Flávio retirar do ar três publicações feitas na rede social X —atendendo a um pedido da campanha petista. As publicações foram feitas nos dias 30 e 31 de maio de 2026.


As decisões travadas por Nunes Marques e Mendonça

- Representações da coligação de Lula foram paralisadas por Nunes Marques e André Mendonça desde o início do segundo turno. Três são sobre ataques em rede social, travadas com pedidos de destaque em plenário virtual, e outras são ações contra desinformação, uso de inteligência artificial e redução de alcance nas plataformas digitais.

- Na sexta, Mendonça recusou liminarmente três processos movidos pela coligação contra publicações de Flávio Bolsonaro e de perfis bolsonaristas (como a página "Dama de Ferro" no X e postagens no Instagram).


"A utilização de declaração verdadeira para sustentar conclusão política exagerada, unilateral ou contestável não se confunde, necessariamente, com a divulgação de fato sabidamente inverídico", disse André Mendonça, em relatório sobre o pedido da coligação de Lula

- Nunes Marques paralisou o pedido mesmo com placar de 5 x 1 a favor da coligação de Lula. Ao levar os recursos ao Plenário Virtual, cinco dos sete ministros do TSE votaram contra Mendonça e a favor do pedido de Lula para determinar a remoção imediata dos vídeos. Quando o placar já estava em 5 a 1 para derrubar os conteúdos de Flávio Bolsonaro, Nunes Marques apresentou pedido de destaque e transferiu o julgamento para o plenário, adiando o cumprimento da decisão.

- Representações da campanha de Lula não obtiveram decisões liminares imediatas ou foram postergadas. Na quinta (8), a chapa petista acionou o TSE dizendo que a Meta estaria promovendo uma redução ou "zeramento" artificial do alcance de conteúdos pró-Lula, além de ter desabilitado a conta oficial de anúncios. A coligação pediu tutela de urgência, e o juiz auxiliar Marco Aurélio Bellizze, designado por Nunes Marques, não a concedeu, dando prazo de 48 horas para a manifestação técnica da Meta.

- No mesmo dia, a coligação impetrou ação com acusação de abuso de poder econômico por Flávio Bolsonaro, o candidato a vice, Alfredo Gaspar, e Pablo Marçal. Segundo a campanha petista a chapa adversária faz o pagamento de apoiadores com ativos virtuais e venda irregular de produtos de campanha. O pedido não foi deferido, e ação foi direcionada para a fase de instrução e coleta de provas, sem efeito prático liminar até o segundo turno. Na sexta, novo pedido: remoção de vídeo de Pablo Marçal com manipulação de áudio de Lula e Eduardo Paes de 2016 contra evangélicos. Os pedidos liminares ainda não foram analisados.


Fonte: UOL Notícias