MARCHA POR JORNADA MENOR
Milhares de trabalhadores ocuparam o Eixo Monumental em passeata até o Congresso Nacional reivindicando a redução de quatro horas na carga de trabalho semanal.O Eixo Monumental foi tomado, ontem, por integrantes da 4ª Marcha da Classe Trabalhadora. Os organizadores do movimento contabilizaram até 50 mil manifestantes. Porém, de acordo com a Polícia Militar, 10 mil integrantes percorreram o trajeto que teve início às 10h, no estádio Mané Garrincha, e terminou na frente do Congresso Nacional. Para a manifestação, 200 ônibus vieram a Brasília com representantes de cinco centrais sindicais: Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical (NCS).
A Polícia Militar reservou aos manifestantes três pistas das seis existentes no Eixo Monumental. Uma quarta via foi usada apenas por veículos da PM. Por isso, os motoristas que usaram esse trajeto tiveram que dividir apenas duas faixas nas duas horas de marcha, enfrentando um trânsito bastante lento. Em média, os motoristas levaram 20 minutos para ir do Palácio do Buriti ao Ministério da Saúde.
Acompanharam a manifestação 900 policiais e 100 viaturas, entre motos e carros. De acordo com o comandante da operação, Coronel Ricardo Martins, até as 13h nenhuma confusão foi registrada devido à manifestação. “Neste ano, Brasília recebeu 50 grandes manifestações. Na maioria dos casos, o preço da manifestação democrática é o transtorno no trânsito”, informou Martins.
Reivindicações
A principal bandeira da manifestação foi a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem cortes nos salários. De acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique, a diminuição da jornada poderá abrir mais postos de trabalho. “Essa redução da jornada de trabalho pode gerar até 2,252 milhões de empregos, de acordo com uma pesquisa do Dieese”, afirma. Já o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, admite que a ação pode causar um prejuízo de 2% às empresas. “Mas para balancear essa perda, o movimento também propõe a redução da carga tributária sobre tais empresas”, explica.
A redução da jornada de trabalho foi apoiada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, que recebeu um documento com as reivindicações dos manifestantes. Em frente ao Congresso, o presidente subiu no caminhão dos sindicalistas e declarou: “Companheiros e companheiras, a Câmara dos Deputados quer não só dialogar com o movimento, mas contribuir com a disseminação dos ideais trabalhistas. Por meio da TV Câmara, iremos difundir a proposta de redução da jornada de trabalho”.
A marcha também defendeu melhores condições de trabalho, com a criação de mais empregos com qualidade. Os manifestantes questionaram, assim, a terceirização crescente no país. Nesse sentido, estão os pedidos de ratificação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o princípio da negociação coletiva no setor público, e a ratificação da Convenção 158 da OIT, que inibe as demissões imotivadas. Outra motivação da marcha foi pedir a implementação de políticas públicas que atendam melhor os trabalhadores. Para isso, os manifestantes reivindicam a ampliação da cobertura da Previdência Social, com a inclusão dos trabalhadores que atualmente estão fora do sistema, e o fim do fator previdenciário. Devido às reivindicações, a marcha fez paradas em frente aos ministérios da Previdência e da Saúde.
Fonte: Correio Braziliense