LULA NÃO PROMETE NADA AOS SINDICALISTAS, MAS CONFIRMA SALÁRIO MÍNIMO DE R$ 465,00
Depois de quase três horas de reunião com representantes de seis centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu para os sindicalistas manter o reajuste do salário mínimo em 5,7% , que passaria a valer R$ 465 a partir de 1º de fevereirio. Segundo os sindicalistas, o presidente também decidiu convidar para uma reunião a ser realizada na próxima quarta-feira (21) donos de bancos privados e representantes dos bancos públicos.
Os dirigentes das seis centrais sindicais do país se reuniram nesta segunda-feira (19) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apresentaram ao menos 15 reivindicações para evitar o desemprego em massa no Brasil. Contudo, a reivindicação mais importante dos sindicalistas não ganhou garantias de Lula.
Eles queriam que as próximas medidas econômicas contra a crise e os futuros financiamentos para as empresas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) só beneficiassem os empresários que se comprometessem a não demitir funcionários.
Segundo os sindicalistas, o governo está estudando a possibilidade de ampliação de parcelas do seguro desemprego para dez. Eles queriam também que a medida abrangesse os trabalhadores demitidos em dezembro. “O governo disse que juridicamente isso é impossível”, contou o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira (PDT-SP). O Palácio do Planalto não confirma a informação de que o governo pode aumentar as parcelas do seguro para desempregados.
Os sindicalistas disseram também, ao sair da reunião, que o presidente convocou para a próxima quarta-feira (21) uma reunião com banqueiros públicos e privados do país. Entretanto, a informação não foi confirmada pela assessoria da presidência.
Segundo os dirigentes das centrais, Lula também demonstrou preocupação com o desemprego e disse que nesse momento o mais importante é reduzir os juros e os spreads bancários. “O presidente se mostrou favorável à redução da taxa Selic e do spread praticado pelos bancos. Ele disse que essa é uma questão primordial agora”, contou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Silva.
O Caged registrou o fechamento de 654 mil postos de trabalho, mais que o dobro da média normalmente registrada para o mês de dezembro, de 300 mil demissões. "O presidente Lula não esperava um número tão alto. Ele se mostrou muito assustado", disse José Gabriel dos Santos, diretor da área industrial da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST).
Banqueiros
Os representantes dos trabalhadores disseram ainda que o governo vai criar um conselho tripartite, com membros do empresariado, da classe trabalhadora e do governo, para debater a aplicação de recursos do FGTS e do FAT. A informação também não foi confirmada pelo Palácio do Planalto.
Salário mínimo
Os sindicalistas também informaram ao sair do encontro que o governo manteve o acordo firmado com as centrais para dar um aumento real para o salário mínimo de aproximadamente 5,7%. “O presidente reafirmou que o aumento real do salário mínimo está mantido em 5,7%”, disse Pereira.
Após a reunião, os dirigentes sindicais revelaram que o governo vai reunir os 50 principais investidores do país para ter um quadro real dos possíveis adiamentos ou suspensão de investimentos no Brasil. O encontro ainda não tem data marcada, mas está sendo organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
O presidente repetiu aos sindicalistas na reunião que nas próximas semanas o governo anunciará mais um conjunto de medidas focadas nos setores que contratam mão-de-obra ostensiva. Contudo, não relatou a eles quais seriam esses setores.
Os sindicalistas saíram da reunião com a impressão de terem sensibilizado o presidente, mas disseram que vão manter os protestos organizados para a próxima quarta-feira (21) nas principais capitais do país.
“O presidente também pediu que os trabalhadores tomem muito cuidado antes de assinar qualquer acordo com as empresas que envolvam redução da jornada de trabalho e de salários”, contou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.
Participaram da reunião os presidentes da CUT, da Força Sindical, da UGT, da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), e da Nova Central.
Além de Lula, participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, do Planejamento, Paulo Bernardo, da Secretaria Geral, Luiz Dulci, do Trabalho, Carlos Lupi, da Previdência Social, José Pimentel, e o interino da Fazenda, Nelson Machado.
Fonte: G1.com.br e Agência Brasil.