antigas Publicado: 1/07/2009 | 14:00

Bosch: Sindicato apresenta proposta da assembléia; aguarda retorno

 Nesta terça-feira (30), às 9h, em audiência no Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, os representantes do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba apresentaram à Bosch a proposta aprovada na segunda-feira (29) em assembléia, que prevê readmissão dos 826 demitidos e garantia de um ano de estabilidade para todos os trabalhadores da planta.

A empresa comprometeu-se a estudar e retornar com uma resposta aos trabalhadores.

Independente disso, hoje, às 5h, os boscheanos realizam assembléia para dar encaminhamento à mobilização iniciada na terça, com paralisação de 48 horas.

Na terça a produção permaneceu parada. 

A grande maioria dos trabalhadores, apesar de receber telefonemas de "convocação" das chefias, nem chegou a ir para a fábrica.

Também nesta quarta-feira (1º), às 14h30, ocorre a segunda audiência de conciliação no Ministério Público do Trabalho. Já na quinta-feira (2), às 9h, acontece e terceira audiência no Tribunal Regional do Trabalho.

Audiência de terça
Durante a audiência desta terça-feira no TRT, os representantes da empresa tentaram desqualificar a proposta dos trabalhadores com um subterfúgio jurídico, dizendo que ela era um "novo objeto" na discussão e defendendo a idéia de que a audiência deveria restringir-se apenas ao caso dos demitidos.

Entretanto, a procuradora que representou o Ministério Público do Trabalho na audiência, Thereza Cristina Gosmel, derrubou essa tese enfatizando que é natural que haja temor entre aqueles que permanecem empregados - "pois viram centenas de colegas serem demitidos de uma hora para outra, sem critério" - e que, sendo assim, é legítimo que se discuta a situação deles também.

A procuradora do trabalho criticou a falta de critério da Bosch nas dispensas. 

"Vi a lista dos demitidos e notei que realmente tem pessoas com 30, 31 anos de casa. Por que demitir de uma hora para outra uma pessoa que serviu tantos anos para a empresa?"

Thereza Gosmel afirmou que, "de forma mais transparente", a empresa deveria ter buscado um diálogo com o Sindicato antes de demitir. "Isso tornaria a situação bem menos traumática e reduziria consideravelmente os danos sociais da medida".

Ao sugerir a possibilidade do lay-off - redução temporária do contrato de trabalho - e ouvir como resposta da Bosch o argumento de que isso "não seria bom para os trabalhadores", a procuradora foi enfática:

"Seria bom que vocês deixassem os próprios trabalhadores decidir o que é melhor para eles".

O desembargador Luiz Eduardo Gunther, que presidiu a audiência, fez uma comparação com nações mais avançadas para também criticar a forma como as demissões foram feitas.

"Se fosse em um país como a Alemanha, a empresa teria que primeiro discutir com os trabalhadores a melhor forma de dar encaminhamento".

Cadê o "balanço contábil"? 
Os representantes do Sindicato lembraram que até agora, diferente do prometido, a Bosch não apresentou os balancetes financeiros e contábeis, documento que efetivamente comprova a "dificuldade financeira" alegada pela Bosch na mesa de negociação.


 

 Nesta terça-feira (30), às 9h, em audiência no Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, os representantes do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba apresentaram à Bosch a proposta aprovada na segunda-feira (29) em assembléia, que prevê readmissão dos 826 demitidos e garantia de um ano de estabilidade para todos os trabalhadores da planta.

A empresa comprometeu-se a estudar e retornar com uma resposta aos trabalhadores.

Independente disso, hoje, às 5h, os boscheanos realizam assembléia para dar encaminhamento à mobilização iniciada na terça, com paralisação de 48 horas.

Na terça a produção permaneceu parada. 

A grande maioria dos trabalhadores, apesar de receber telefonemas de "convocação" das chefias, nem chegou a ir para a fábrica.

Também nesta quarta-feira (1º), às 14h30, ocorre a segunda audiência de conciliação no Ministério Público do Trabalho. Já na quinta-feira (2), às 9h, acontece e terceira audiência no Tribunal Regional do Trabalho.

Audiência de terça
Durante a audiência desta terça-feira no TRT, os representantes da empresa tentaram desqualificar a proposta dos trabalhadores com um subterfúgio jurídico, dizendo que ela era um "novo objeto" na discussão e defendendo a idéia de que a audiência deveria restringir-se apenas ao caso dos demitidos.

Entretanto, a procuradora que representou o Ministério Público do Trabalho na audiência, Thereza Cristina Gosmel, derrubou essa tese enfatizando que é natural que haja temor entre aqueles que permanecem empregados - "pois viram centenas de colegas serem demitidos de uma hora para outra, sem critério" - e que, sendo assim, é legítimo que se discuta a situação deles também.

A procuradora do trabalho criticou a falta de critério da Bosch nas dispensas. 

"Vi a lista dos demitidos e notei que realmente tem pessoas com 30, 31 anos de casa. Por que demitir de uma hora para outra uma pessoa que serviu tantos anos para a empresa?"

Thereza Gosmel afirmou que, "de forma mais transparente", a empresa deveria ter buscado um diálogo com o Sindicato antes de demitir. "Isso tornaria a situação bem menos traumática e reduziria consideravelmente os danos sociais da medida".

Ao sugerir a possibilidade do lay-off - redução temporária do contrato de trabalho - e ouvir como resposta da Bosch o argumento de que isso "não seria bom para os trabalhadores", a procuradora foi enfática:

"Seria bom que vocês deixassem os próprios trabalhadores decidir o que é melhor para eles".

O desembargador Luiz Eduardo Gunther, que presidiu a audiência, fez uma comparação com nações mais avançadas para também criticar a forma como as demissões foram feitas.

"Se fosse em um país como a Alemanha, a empresa teria que primeiro discutir com os trabalhadores a melhor forma de dar encaminhamento".

Cadê o "balanço contábil"? 
Os representantes do Sindicato lembraram que até agora, diferente do prometido, a Bosch não apresentou os balancetes financeiros e contábeis, documento que efetivamente comprova a "dificuldade financeira" alegada pela Bosch na mesa de negociação.