antigas Publicado: 16/07/2007 | 09:34

Indicadores reforçam PIB forte

Sandra Nascimento
Gazeta Mercantil

Sem expectativa de mudanças drásticas no atual cenário, projeções se aproximam de 5%. A meta inicial de um crescimento de 4,5% para 2007 não só deverá ser garantida mas até superada pela economia brasileira. Há até mesmo quem já considere conservadora a previsão do Banco Central, de 4,7% e aposte numa expansão próxima a 5%. A base para tal otimismo vem sendo pavimentada à medida que são divulgados os indicadores do primeiro semestre do ano, todos dentro das melhores expectativas. Para 2008 as projeções se mantêm positivas, já que não há nada, na avaliação de analistas ouvidos por este jornal, no curto prazo, que possa alterar o atual cenário mundial de expansão, puxado em especial pela China. Na semana passada, o país asiático reviu o PIB de 2006 para 11,1%. Em 2004 o crescimento brasileiro, revisto pela nova metodologia do PIB, foi de 5,7%.
"Enquanto a economia mundial continuar dando certo, como agora, a situação do Brasil vai se mantendo", diz o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. O preço em alta das commodities garantem o superávit da balança comercial, a despeito do forte crescimento das importações. As estimativas para o saldo deste ano giram em torno de US$ 45 bilhões (em 2006 foram US$ 46 bilhões), com as exportações podendo crescer de 10% a 15% em relação ao ano passado e as importações, até 25% maiores.
Do lado doméstico, a demanda interna deverá se manter líder da expansão do PIB, estimulada pelo crescimento da massa salarial e do crédito, impactados também pelo reflexo positivo da queda dos juros. Para a RC, 2007 deverá fechar com uma expansão de 4,5% e 2008, de 4,7%.
A preocupação recai justamente sobre o risco de um possível apagão energético a partir de 2009, como reconheceu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, quando disse que o Brasil não teria como crescer além de 6% sem enfrentar uma crise como a Argentina.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que já há algum tempo deixou de lado o conservadorismo de suas projeções, prevê um crescimento de 4,7% para a produção industrial no primeiro semestre deste ano, sobre igual período de 2006. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um resultado acumulado de 4,4% até maio.
"A tendência é de aceleração porque a taxa acumulada no ano vem crescendo mensalmente, quando comparada com o mesmo período do ano anterior", diz o economista-chefe do instituto, Edgard Pereira. Na sua avaliação, o desempenho do PIB brasileiro deverá repetir o da indústria e encerrar 2007 entre 4,8% e 5%. "Mantido o quadro internacional atual, a tendência é que em 2008 o desempenho seja semelhante, mas a partir daí já começa a entrar outros fatores, como os problemas de infraestrutura, em especial o de energia."
Sem pressão inflacionária
Com o aquecimento da demanda, a questão do uso da capacidade instalada volta à cena mas, hoje, dizem os especialistas, ela não é fator de preocupação. "Na média, a capacidade ainda permite absorver a demanda sem pressão inflacionária", diz Pereira. Segundo a Sondagem da Indústria de Transformação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o nível de utilização da capacidade instalada, em junho, estava em 84,7%. Para os analistas ouvidos por este jornal, o câmbio valorizado e o bom grau de abertura da economia brasileira garantem o equilíbrio entre oferta e demanda.
Em São Paulo, dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que, dentre os setores acima desse patamar estão papel e celulose, refino de petróleo combustível e produção de álcool, artigos de borracha e plástico, metalurgia básica, veículos automotores e equipamento de informática.
"Esse aumento é um indutor de investimentos, o que está acontecendo", acrescenta o economista Iedi, destacado a alta de 16,3% na produção de bens de capital no acumulado de janeiro a maio deste ano, segundo o IBGE. No ano passado, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceram 8,8%. Para este ano as estimativas vão de 7% a 10,8%, incluindo a mais recente do Banco Central, de 8,5%.
Embora com uma das projeções mais otimistas para a FBCF – 10,8% – a LCA Consultores reconhece estar ainda conservadora no que diz respeito ao PIB para 2007 (4,5%) e produção industrial (4%). Na semana passada, o Relatório de Mercado do BC apontava para 4,4%. Segundo o economista da consultoria, Douglas Uemura, a revisão já está em estudo, com base nos indicadores de antecedentes que apontam forte crescimento do setor produtivo em junho (dado ainda não divulgado pelo IBGE). Como exemplo, a produção de papel ondulado, considerado um dos termômetros da economia, subiu 6% no primeiro semestre do ano, chegando ao melhor resultado – 1.131 mil toneladas – desde 2002. O Iedi aposta numa expansão industrial de 5,8% para junho, sobre o mesmo mês de 2006. Em maio a alta foi 4,9%.
"Seria prejudicial a essa recuperação se a autoridade monetária desse sinais de que haveria apertos adicionais, o que não está acontecendo", diz Pereira, para quem a manutenção da meta da inflação em 4,5% pelo Comitê Monetário (CMN) foi um sinal positivo nesse sentido.
Outro fator de despreocupação com um possível desequilíbrio entre oferta e demanda é o volume crescente dos importados, beneficiado por um dólar cada vez mais fraco, atualmente abaixo dos R$ 1,90. De janeiro a maio deste ano, a produção total de bens de capital foi 18,6% maior do que o mesmo período de 2006, enquanto a importação cresceu 31,7%. Já para bens de consumo, setor que mais apanha da concorrência externa, a diferença é ainda mais gritante: enquanto a indústria de duráveis produziu 3,7% a mais e a de não e semi-duráveis 2,5%, as importações foram 49,1% e 23,7% maiores, respectivamente.
Há no entanto, destaque positivo para alguns setores voltados ao mercado interno, como automóveis, alimentos e bebidas. No primeiro caso, o mercado doméstico absorve entre 80% e 85% das vendas. De janeiro a junho, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi produzido o recorde de 1,382 milhão de veículos, uma alta de 6,3% para o período. Para o ano a estimativa é de um crescimento de 10% nos itens montados, enquanto as vendas ao mercado interno devem ser 18% superiores, embaladas principalmente pelo expansão do crédito – um dos motores da atual demanda. Já a produção de alimentos cresceu 4,3% de janeiro a maio (IBGE), enquanto a de bebidas, 7%.
Sem medo do desemprego
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na sexta-feira mostra uma redução do temor do trabalhador brasileiro em perder o emprego. O resultado, trimestral, subiu 2,2% em relação ao resultado de abril. Na pesquisa, quanto maior o índice, menor é a preocupação. Em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador se mostrou 4,5% melhor. Melhora dos índices de percepção da própria renda e do medo do desemprego, além do de compras para o trimestre, indicam que o consumo das famílias continuará crescendo nos próximos meses.

Sandra Nascimento
Gazeta Mercantil

Sem expectativa de mudanças drásticas no atual cenário, projeções se aproximam de 5%. A meta inicial de um crescimento de 4,5% para 2007 não só deverá ser garantida mas até superada pela economia brasileira. Há até mesmo quem já considere conservadora a previsão do Banco Central, de 4,7% e aposte numa expansão próxima a 5%. A base para tal otimismo vem sendo pavimentada à medida que são divulgados os indicadores do primeiro semestre do ano, todos dentro das melhores expectativas. Para 2008 as projeções se mantêm positivas, já que não há nada, na avaliação de analistas ouvidos por este jornal, no curto prazo, que possa alterar o atual cenário mundial de expansão, puxado em especial pela China. Na semana passada, o país asiático reviu o PIB de 2006 para 11,1%. Em 2004 o crescimento brasileiro, revisto pela nova metodologia do PIB, foi de 5,7%.
"Enquanto a economia mundial continuar dando certo, como agora, a situação do Brasil vai se mantendo", diz o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. O preço em alta das commodities garantem o superávit da balança comercial, a despeito do forte crescimento das importações. As estimativas para o saldo deste ano giram em torno de US$ 45 bilhões (em 2006 foram US$ 46 bilhões), com as exportações podendo crescer de 10% a 15% em relação ao ano passado e as importações, até 25% maiores.
Do lado doméstico, a demanda interna deverá se manter líder da expansão do PIB, estimulada pelo crescimento da massa salarial e do crédito, impactados também pelo reflexo positivo da queda dos juros. Para a RC, 2007 deverá fechar com uma expansão de 4,5% e 2008, de 4,7%.
A preocupação recai justamente sobre o risco de um possível apagão energético a partir de 2009, como reconheceu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, quando disse que o Brasil não teria como crescer além de 6% sem enfrentar uma crise como a Argentina.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que já há algum tempo deixou de lado o conservadorismo de suas projeções, prevê um crescimento de 4,7% para a produção industrial no primeiro semestre deste ano, sobre igual período de 2006. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um resultado acumulado de 4,4% até maio.
"A tendência é de aceleração porque a taxa acumulada no ano vem crescendo mensalmente, quando comparada com o mesmo período do ano anterior", diz o economista-chefe do instituto, Edgard Pereira. Na sua avaliação, o desempenho do PIB brasileiro deverá repetir o da indústria e encerrar 2007 entre 4,8% e 5%. "Mantido o quadro internacional atual, a tendência é que em 2008 o desempenho seja semelhante, mas a partir daí já começa a entrar outros fatores, como os problemas de infraestrutura, em especial o de energia."
Sem pressão inflacionária
Com o aquecimento da demanda, a questão do uso da capacidade instalada volta à cena mas, hoje, dizem os especialistas, ela não é fator de preocupação. "Na média, a capacidade ainda permite absorver a demanda sem pressão inflacionária", diz Pereira. Segundo a Sondagem da Indústria de Transformação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o nível de utilização da capacidade instalada, em junho, estava em 84,7%. Para os analistas ouvidos por este jornal, o câmbio valorizado e o bom grau de abertura da economia brasileira garantem o equilíbrio entre oferta e demanda.
Em São Paulo, dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que, dentre os setores acima desse patamar estão papel e celulose, refino de petróleo combustível e produção de álcool, artigos de borracha e plástico, metalurgia básica, veículos automotores e equipamento de informática.
"Esse aumento é um indutor de investimentos, o que está acontecendo", acrescenta o economista Iedi, destacado a alta de 16,3% na produção de bens de capital no acumulado de janeiro a maio deste ano, segundo o IBGE. No ano passado, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceram 8,8%. Para este ano as estimativas vão de 7% a 10,8%, incluindo a mais recente do Banco Central, de 8,5%.
Embora com uma das projeções mais otimistas para a FBCF – 10,8% – a LCA Consultores reconhece estar ainda conservadora no que diz respeito ao PIB para 2007 (4,5%) e produção industrial (4%). Na semana passada, o Relatório de Mercado do BC apontava para 4,4%. Segundo o economista da consultoria, Douglas Uemura, a revisão já está em estudo, com base nos indicadores de antecedentes que apontam forte crescimento do setor produtivo em junho (dado ainda não divulgado pelo IBGE). Como exemplo, a produção de papel ondulado, considerado um dos termômetros da economia, subiu 6% no primeiro semestre do ano, chegando ao melhor resultado – 1.131 mil toneladas – desde 2002. O Iedi aposta numa expansão industrial de 5,8% para junho, sobre o mesmo mês de 2006. Em maio a alta foi 4,9%.
"Seria prejudicial a essa recuperação se a autoridade monetária desse sinais de que haveria apertos adicionais, o que não está acontecendo", diz Pereira, para quem a manutenção da meta da inflação em 4,5% pelo Comitê Monetário (CMN) foi um sinal positivo nesse sentido.
Outro fator de despreocupação com um possível desequilíbrio entre oferta e demanda é o volume crescente dos importados, beneficiado por um dólar cada vez mais fraco, atualmente abaixo dos R$ 1,90. De janeiro a maio deste ano, a produção total de bens de capital foi 18,6% maior do que o mesmo período de 2006, enquanto a importação cresceu 31,7%. Já para bens de consumo, setor que mais apanha da concorrência externa, a diferença é ainda mais gritante: enquanto a indústria de duráveis produziu 3,7% a mais e a de não e semi-duráveis 2,5%, as importações foram 49,1% e 23,7% maiores, respectivamente.
Há no entanto, destaque positivo para alguns setores voltados ao mercado interno, como automóveis, alimentos e bebidas. No primeiro caso, o mercado doméstico absorve entre 80% e 85% das vendas. De janeiro a junho, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi produzido o recorde de 1,382 milhão de veículos, uma alta de 6,3% para o período. Para o ano a estimativa é de um crescimento de 10% nos itens montados, enquanto as vendas ao mercado interno devem ser 18% superiores, embaladas principalmente pelo expansão do crédito – um dos motores da atual demanda. Já a produção de alimentos cresceu 4,3% de janeiro a maio (IBGE), enquanto a de bebidas, 7%.
Sem medo do desemprego
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na sexta-feira mostra uma redução do temor do trabalhador brasileiro em perder o emprego. O resultado, trimestral, subiu 2,2% em relação ao resultado de abril. Na pesquisa, quanto maior o índice, menor é a preocupação. Em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador se mostrou 4,5% melhor. Melhora dos índices de percepção da própria renda e do medo do desemprego, além do de compras para o trimestre, indicam que o consumo das famílias continuará crescendo nos próximos meses.