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Publicado: 25/07/2007 | 10:28
Sofrimento e irritação
Ary Filgueira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Passageiros reclamam da falta de informação no Aeroporto de Brasília. Atrasos atingiram 60% dos vôos
s passageiros sofreram. Longas horas de espera. Muita reclamação. Quem tentou embarcar no Aeroporto Internacional de Brasília enfrentou um atraso superior a uma hora em 60% dos vôos que partiram da capital federal. Outras sete (7,2%) das 97 decolagens previstas acabaram canceladas.
A falta de informações era a principal reclamação dos passageiros, principalmente na área de check-in da Gol. Revoltados com o atraso, os passageiros cobravam dos funcionários o motivo da demora nos embarques, mas ninguém informava nada. O atraso em um vôo para Santa Catarina fez com que uma família de cidadãos alemães esticasse a estada em Brasília, onde veio visitar parentes, por aproximadamente 30 horas. O casal Reines Kirse, 48, e Elke Kirse, 48, embarcariam às 13h de segunda-feira, mas só conseguiram entrar no avião por volta das 19h de ontem. Apesar de aparentar calma, Reines, que é dono de uma loja de informática, reclamou da bagunça nos aeroportos do país. “Aqui, é muito desorganizado”, disse.
Na noite de segunda-feira, os passageiros de um vôo da Gol que ia de Brasília a Belém tomaram um susto. Uma passageira disse que quando o avião estava prestes a levantar vôo, o piloto informou que teriam que abortar a decolagem. Os passageiros sentiram um forte cheiro de combustível e viram uma mancha na pista. Técnicos da Gol vistoriaram a aeronave. Depois de 25 minutos, o avião seguiu o seu destino. A empresa não se pronunciou.
Duas faltas no serviço
Por causa do atraso no vôo, a paulista Isabela Raffaini, 30 anos, recebeu duas faltas no serviço. De férias há 20 dias na Chapada dos Veadeiros (GO), ela tomou um susto quando ficou sabendo da situação nos principais aeroportos do país. “Lá onde eu estava não havia TV e também não lia os jornais”, justificou. O vôo dela estava marcado para sair na manhã de segunda, o que daria para chegar a tempo de dar aula. Mas a professora de biologia teve o vôo para São Paulo cancelado sem nenhuma explicação. Ela foi hospedada com outros passageiros . Por volta das 18h, chegou ao aeroporto. Mas só embarcaria às 20h. Com tempo de sobra, ela resolveu percorrer as lojas do terminal. Em menos de uma hora, tinha visitado todas. “Vou dizer que meu vôo atrasou. Espero que meu chefe entenda e abone as minhas faltas”. (AF)
Leitura para passar o tempo
Com um atraso de 24 horas no vôo para Guarulhos (SP), o advogado Júlio Kirmse, 39, não teve outra alternativa: apelou para a leitura para passar o tempo. Morador do Park Way, ele tinha uma importante reunião de negócios na segunda-feira, mas até as 18h40 de ontem não havia conseguido pegar o avião. Uma vez por mês ele viaja para a capital paulista e reclama que tem sofrido com os atrasos. “A Gol não cancela a passagem, mas atrasa o embarque em até um dia”, reclamava ele. “Eu tinha uma reunião e agora estou fora das decisões da empresa por causa desse atraso.” Mesmo com a garantia da funcionária do guichê da Gol de que o avião partiria às 20h, ele ainda estava cético. “É uma completa falta de compromisso do governo para com o povo brasileiro”, bradava. (AF)
Soneca e trabalho nos bancos de cimento
As férias da família Perpétuo dificilmente serão esquecidas. Não por causa do passeio a Marabá (PA), mas sim pela longa espera que o casal de mineiros sofreu nos aeroportos do país. Com o vôo para Belo Horizonte atrasado em seis horas, o vendedor autônomo Vicente Paulo Perpétuo, 56 anos, e a secretária Elizabeth Rodrigues Perpétuo, 50, e o filho Pedro Henrique Perpétuo dormiam nos bancos da praça de alimentação do aeroporto de Brasília. Eles saíram da cidade paraense com uma hora de atraso e fizeram conexão na capital federal, mas foram informados de que o vôo marcado para as 12h só sairia por volta das 18h. Ao lado deles, o auditor tributário Jair Venegas, 41, tentava compensar a demora do vôo para Guarulhos (SP) e transmitia pelo laptop o serviço de auditoria que havia feito numa empresa de Brasília. “Meu avião só sai às 18h20”, lamentava ele, que acabou embarcando por volta das 20h. (AF)
O jeito é esperar sentado no saguão
Sentados no chão do saguão de embarque, os empresários Eduardo Martins, 52 anos, e Maria Daguia Nóbrega, 50, as filhas Eduarda Costa Nóbrega dos Santos, 21, e Emanuela Nóbrega dos Santos, 23, e o genro Hércules Nogueira, 27, eram a imagem da desolação. O vôo deles para João Pessoa estava marcado para sair do Aeroporto de Guarulhos (SP) na segunda-feira, mas foi cancelado. Resultado: eles tiveram de dormir em São Paulo. A única chance de chegar em casa era vir para Brasília. Depois de passar um sufoco, pois para cada cadeira no avião havia quatro bilhetes, eles conseguiram embarcar. “A empresa ofereceu R$ 200 para as outras pessoas desistirem”, disse Eduardo. A família, que participou de uma feira de ótica em São Paulo, chegou à capital federal por volta das 11h30 e até as 19h não havia embarcado. “A culpa é das companhias, que vendem muitas passagens”, resumiu Eduardo. (AF)
Homenagem às vítimas da TAM
Vinte mães, mulheres e filhas de controladores de vôo fizeram ontem no aeroporto de Brasília uma homenagem aos mortos no acidente da TAM. As mulheres estenderam uma faixa preta onde se lia “vítimas do orgulho, da omissão e da ganância”. A faixa continha fotos das vítimas do acidente. Após cantar e rezar, as mulheres distribuíram flores rosas para passageiros e funcionários das companhias aéreas. A coordenadora do Movimento de Mulheres dos Controladores de Tráfego Aéreo, Lúcia da Silva, avalia que as empresas e o governo deveriam repartir a culpa pelas tragédias tanto da Gol quanto da TAM. “Não pensem que a situação está sob controle. Os controladores estão abalados, deprimidos e sobrecarregados”, avisa. As mulheres temem que ocorra uma nova tragédia na aviação civil.
Ary Filgueira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Passageiros reclamam da falta de informação no Aeroporto de Brasília. Atrasos atingiram 60% dos vôos
s passageiros sofreram. Longas horas de espera. Muita reclamação. Quem tentou embarcar no Aeroporto Internacional de Brasília enfrentou um atraso superior a uma hora em 60% dos vôos que partiram da capital federal. Outras sete (7,2%) das 97 decolagens previstas acabaram canceladas.
A falta de informações era a principal reclamação dos passageiros, principalmente na área de check-in da Gol. Revoltados com o atraso, os passageiros cobravam dos funcionários o motivo da demora nos embarques, mas ninguém informava nada. O atraso em um vôo para Santa Catarina fez com que uma família de cidadãos alemães esticasse a estada em Brasília, onde veio visitar parentes, por aproximadamente 30 horas. O casal Reines Kirse, 48, e Elke Kirse, 48, embarcariam às 13h de segunda-feira, mas só conseguiram entrar no avião por volta das 19h de ontem. Apesar de aparentar calma, Reines, que é dono de uma loja de informática, reclamou da bagunça nos aeroportos do país. “Aqui, é muito desorganizado”, disse.
Na noite de segunda-feira, os passageiros de um vôo da Gol que ia de Brasília a Belém tomaram um susto. Uma passageira disse que quando o avião estava prestes a levantar vôo, o piloto informou que teriam que abortar a decolagem. Os passageiros sentiram um forte cheiro de combustível e viram uma mancha na pista. Técnicos da Gol vistoriaram a aeronave. Depois de 25 minutos, o avião seguiu o seu destino. A empresa não se pronunciou.
Duas faltas no serviço
Por causa do atraso no vôo, a paulista Isabela Raffaini, 30 anos, recebeu duas faltas no serviço. De férias há 20 dias na Chapada dos Veadeiros (GO), ela tomou um susto quando ficou sabendo da situação nos principais aeroportos do país. “Lá onde eu estava não havia TV e também não lia os jornais”, justificou. O vôo dela estava marcado para sair na manhã de segunda, o que daria para chegar a tempo de dar aula. Mas a professora de biologia teve o vôo para São Paulo cancelado sem nenhuma explicação. Ela foi hospedada com outros passageiros . Por volta das 18h, chegou ao aeroporto. Mas só embarcaria às 20h. Com tempo de sobra, ela resolveu percorrer as lojas do terminal. Em menos de uma hora, tinha visitado todas. “Vou dizer que meu vôo atrasou. Espero que meu chefe entenda e abone as minhas faltas”. (AF)
Leitura para passar o tempo
Com um atraso de 24 horas no vôo para Guarulhos (SP), o advogado Júlio Kirmse, 39, não teve outra alternativa: apelou para a leitura para passar o tempo. Morador do Park Way, ele tinha uma importante reunião de negócios na segunda-feira, mas até as 18h40 de ontem não havia conseguido pegar o avião. Uma vez por mês ele viaja para a capital paulista e reclama que tem sofrido com os atrasos. “A Gol não cancela a passagem, mas atrasa o embarque em até um dia”, reclamava ele. “Eu tinha uma reunião e agora estou fora das decisões da empresa por causa desse atraso.” Mesmo com a garantia da funcionária do guichê da Gol de que o avião partiria às 20h, ele ainda estava cético. “É uma completa falta de compromisso do governo para com o povo brasileiro”, bradava. (AF)
Soneca e trabalho nos bancos de cimento
As férias da família Perpétuo dificilmente serão esquecidas. Não por causa do passeio a Marabá (PA), mas sim pela longa espera que o casal de mineiros sofreu nos aeroportos do país. Com o vôo para Belo Horizonte atrasado em seis horas, o vendedor autônomo Vicente Paulo Perpétuo, 56 anos, e a secretária Elizabeth Rodrigues Perpétuo, 50, e o filho Pedro Henrique Perpétuo dormiam nos bancos da praça de alimentação do aeroporto de Brasília. Eles saíram da cidade paraense com uma hora de atraso e fizeram conexão na capital federal, mas foram informados de que o vôo marcado para as 12h só sairia por volta das 18h. Ao lado deles, o auditor tributário Jair Venegas, 41, tentava compensar a demora do vôo para Guarulhos (SP) e transmitia pelo laptop o serviço de auditoria que havia feito numa empresa de Brasília. “Meu avião só sai às 18h20”, lamentava ele, que acabou embarcando por volta das 20h. (AF)
O jeito é esperar sentado no saguão
Sentados no chão do saguão de embarque, os empresários Eduardo Martins, 52 anos, e Maria Daguia Nóbrega, 50, as filhas Eduarda Costa Nóbrega dos Santos, 21, e Emanuela Nóbrega dos Santos, 23, e o genro Hércules Nogueira, 27, eram a imagem da desolação. O vôo deles para João Pessoa estava marcado para sair do Aeroporto de Guarulhos (SP) na segunda-feira, mas foi cancelado. Resultado: eles tiveram de dormir em São Paulo. A única chance de chegar em casa era vir para Brasília. Depois de passar um sufoco, pois para cada cadeira no avião havia quatro bilhetes, eles conseguiram embarcar. “A empresa ofereceu R$ 200 para as outras pessoas desistirem”, disse Eduardo. A família, que participou de uma feira de ótica em São Paulo, chegou à capital federal por volta das 11h30 e até as 19h não havia embarcado. “A culpa é das companhias, que vendem muitas passagens”, resumiu Eduardo. (AF)
Homenagem às vítimas da TAM
Vinte mães, mulheres e filhas de controladores de vôo fizeram ontem no aeroporto de Brasília uma homenagem aos mortos no acidente da TAM. As mulheres estenderam uma faixa preta onde se lia “vítimas do orgulho, da omissão e da ganância”. A faixa continha fotos das vítimas do acidente. Após cantar e rezar, as mulheres distribuíram flores rosas para passageiros e funcionários das companhias aéreas. A coordenadora do Movimento de Mulheres dos Controladores de Tráfego Aéreo, Lúcia da Silva, avalia que as empresas e o governo deveriam repartir a culpa pelas tragédias tanto da Gol quanto da TAM. “Não pensem que a situação está sob controle. Os controladores estão abalados, deprimidos e sobrecarregados”, avisa. As mulheres temem que ocorra uma nova tragédia na aviação civil.