antigas Publicado: 31/07/2007 | 11:40

Sem data para recomeçar

Malu Pires
Jornal de Brasília

Greve dos servidores da universidade vai atrasar calendário. Semestre letivo não inicia na segunda-feira, como estava previsto anteriormente

O calendário letivo da Universidade de Brasília (UnB) furou. O início das aulas do segundo semestre não se dará na próxima segunda-feira. A greve dos servidores da universidade, que já dura 63 dias, continua, no mínimo, até o dia 8 próximo, data de nova reunião dos ministérios da Educação e Planejamento com o comando geral da paralisação. Isso significa, na melhor hipótese, um adiamento de 15 dias no começo das atividades escolares, de acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UnB (Sintfub), Cosmo Balbino.

Essa situação, no entanto, pode piorar, diz a presidente da Associação dos Docentes da UnB (Adunb), Rachel Nunes da Cunha. Os professores realizam, também dia 8, assembléia geral para votação de indicativo de greve. Na pauta de reivindicação dos docentes, além de mudanças no quadro de carreira que restaurem os níveis salariais a janeiro de 1995, está a implantação de uma "contra-reforma universitária" aos decretos e leis sancionados pelo governo federal para o setor.

Segundo Rachel, os professores são os servidores federais com menor piso salarial. O salário inicial de um docente com carga horária de 20 horas semanais é de R$ 147, as gratificações que se somam a esse valor elevam esse total a R$ 1.395. Já os vencimentos de um professor com dedicação exclusiva e doutorado está em R$ 6 mil. "Esse quadro foi colocado ao governo federal, há quatro meses, e ainda não temos resposta", assinala.

De acordo com informação da assessoria da UnB, até agora, com a greve apenas dos funcionários técnico-administrativos, os cerca de 21 mil alunos da UnB estão com atraso no lançamento das notas do primeiro semestre e na matrícula de matérias para o segundo. Os 2.014 novatos, aprovados no último vestibular, ainda não fizeram seu registro, o que adia, conseqüentemente, a convocação dos que passarem em segunda chamada.

Serviços essenciais
Dos 2.229 trabalhadores técnicos, 70% aderiram à paralisação. Os 30% restantes estão garantindo o funcionamento da Hospital Universitário de Brasília (HUB), a alimentação de animais e de plantas de laboratórios e pesquisas, entre outras atividades consideradas essenciais. O objetivo do Sintfub na negociação com o governo federal é aumentar o piso da categoria de R$ 701,98 para R$ 1.424 e o teto de R$ 1.140 para R$ 3.800, de acordo com Cosmo Balbino.

O Ministério do Planejamento tem dados diferentes. Sua assessoria informa que a categoria reivindica um piso de R$ 998 e um teto de R$ 5,6 mil, um  investimento de R$ 3 bi entre 2008 e 2010, caso a proposta seja aprovada. O ministério defende, em vez do reajuste geral e linear, a implantação de tabelas salariais diferenciadas para cada classe profissional, o que reduziria os custos.

Os conselhos Universitário (Consuni) e de Administração (CAD) da UnB realizaram reunião em que decidiram manifestar seu apoio ao movimento dos funcionários. A paralisação dos servidores técnico-administrativos é nacional. Atinge 35 instituições de ensino superior e  150 mil trabalhadores.

Professores podem parar

Caso o governo federal não negocie com os professores, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (Adunb) promete começar "a construir a greve da categoria". É o que avisa a presidente da instituição, Rachel Nunes da Cunha. A proposta foi aprovada, no final de semana, no 52º Conselho Nacional Universitário (Conad), realizado em São Luís (MA), pelo Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Entre as principais reivindicações dos professores estão instituição de piso salarial nacional para profissionais de 1º, 2º e 3º graus, o fim das terceirizações de serviços e realização de contratos temporários, além de mudanças na "reforma universitária" implantada pelo governo federal. Eles são contra os cursos interdisciplinares com três anos e o aumento do número de alunos por professor, entre outros itens. A greve nacional pode ser deflagrada a partir de 25 próximo.

Malu Pires
Jornal de Brasília

Greve dos servidores da universidade vai atrasar calendário. Semestre letivo não inicia na segunda-feira, como estava previsto anteriormente

O calendário letivo da Universidade de Brasília (UnB) furou. O início das aulas do segundo semestre não se dará na próxima segunda-feira. A greve dos servidores da universidade, que já dura 63 dias, continua, no mínimo, até o dia 8 próximo, data de nova reunião dos ministérios da Educação e Planejamento com o comando geral da paralisação. Isso significa, na melhor hipótese, um adiamento de 15 dias no começo das atividades escolares, de acordo com o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UnB (Sintfub), Cosmo Balbino.

Essa situação, no entanto, pode piorar, diz a presidente da Associação dos Docentes da UnB (Adunb), Rachel Nunes da Cunha. Os professores realizam, também dia 8, assembléia geral para votação de indicativo de greve. Na pauta de reivindicação dos docentes, além de mudanças no quadro de carreira que restaurem os níveis salariais a janeiro de 1995, está a implantação de uma "contra-reforma universitária" aos decretos e leis sancionados pelo governo federal para o setor.

Segundo Rachel, os professores são os servidores federais com menor piso salarial. O salário inicial de um docente com carga horária de 20 horas semanais é de R$ 147, as gratificações que se somam a esse valor elevam esse total a R$ 1.395. Já os vencimentos de um professor com dedicação exclusiva e doutorado está em R$ 6 mil. "Esse quadro foi colocado ao governo federal, há quatro meses, e ainda não temos resposta", assinala.

De acordo com informação da assessoria da UnB, até agora, com a greve apenas dos funcionários técnico-administrativos, os cerca de 21 mil alunos da UnB estão com atraso no lançamento das notas do primeiro semestre e na matrícula de matérias para o segundo. Os 2.014 novatos, aprovados no último vestibular, ainda não fizeram seu registro, o que adia, conseqüentemente, a convocação dos que passarem em segunda chamada.

Serviços essenciais
Dos 2.229 trabalhadores técnicos, 70% aderiram à paralisação. Os 30% restantes estão garantindo o funcionamento da Hospital Universitário de Brasília (HUB), a alimentação de animais e de plantas de laboratórios e pesquisas, entre outras atividades consideradas essenciais. O objetivo do Sintfub na negociação com o governo federal é aumentar o piso da categoria de R$ 701,98 para R$ 1.424 e o teto de R$ 1.140 para R$ 3.800, de acordo com Cosmo Balbino.

O Ministério do Planejamento tem dados diferentes. Sua assessoria informa que a categoria reivindica um piso de R$ 998 e um teto de R$ 5,6 mil, um  investimento de R$ 3 bi entre 2008 e 2010, caso a proposta seja aprovada. O ministério defende, em vez do reajuste geral e linear, a implantação de tabelas salariais diferenciadas para cada classe profissional, o que reduziria os custos.

Os conselhos Universitário (Consuni) e de Administração (CAD) da UnB realizaram reunião em que decidiram manifestar seu apoio ao movimento dos funcionários. A paralisação dos servidores técnico-administrativos é nacional. Atinge 35 instituições de ensino superior e  150 mil trabalhadores.

Professores podem parar

Caso o governo federal não negocie com os professores, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (Adunb) promete começar "a construir a greve da categoria". É o que avisa a presidente da instituição, Rachel Nunes da Cunha. A proposta foi aprovada, no final de semana, no 52º Conselho Nacional Universitário (Conad), realizado em São Luís (MA), pelo Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Entre as principais reivindicações dos professores estão instituição de piso salarial nacional para profissionais de 1º, 2º e 3º graus, o fim das terceirizações de serviços e realização de contratos temporários, além de mudanças na "reforma universitária" implantada pelo governo federal. Eles são contra os cursos interdisciplinares com três anos e o aumento do número de alunos por professor, entre outros itens. A greve nacional pode ser deflagrada a partir de 25 próximo.