antigas Publicado: 2/08/2007 | 10:47

Greve paralisa importação e exportação agrícola

Neila Baldi, Viviane Monteiro, Juliana Wilke, Cristina Rios e Claudia Diann
Gazeta Mercantil

No Paraná e em Santa Catarina, os prejuízos somam US$ 65 milhões apenas em aves.

A greve dos fiscais agropecuários provocou a elevação dos preços de arroz e trigo, ao mesmo tempo em que fechou indústrias de aves no País. Cerca de 45 mil toneladas destes cereais deixaram de entrar no Brasil e pelo menos 95 mil toneladas de carnes - de frango, bovina e suína - não foram embarcadas desde o dia 24 de julho quando o movimento começou. Apenas 30% dos funcionários trabalham. Ontem, o Ministério da Agricultura afirmou que só irá negociar com os funcionários quando retomarem o trabalho. O governo ofereceu 5,7% ao ano de aumento, totalizando 18,1% em três anos.
Pelo menos duas empresas do setor de aves paralisaram suas atividades parcialmente. Pelos cálculos do Sindicato das Indústrias dos Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) os prejuízos somam US$ 15 milhões. Pelas estimativas do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarnes), a perda é de US$ 50 milhões.
Segundo Christian Lohbauer, presidente-interino da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), além do produto que deixa de ser exportado há a perda por multas da não entrega e da credibilidade. "A credibilidade não tem preço". De acordo com Lohbauer, as empresas tiveram de parar porque o ciclo de produção das aves é curto e os estoques já estão altos. Ele afirma que se a greve continuar, as empresas terão de abater e enterrar os animais.
A Seara paralisou suas atividades ontem, mas retoma a produção hoje. A empresa comunicou que poderá realizar novas paralisações na próxima semana. "Estamos administrando a capacidade de cada fábrica", diz o diretor de Relações Institucionais da Perdigão. Segundo ele, o movimento provoca "problemas na capacidade de armazenagem das unidades e já há caminhões em tomadas para frigorificar as cargas. Na Sadia ainda não há previsão de paralisação das atividades das fábricas. Em nota, a empresa afirmou que "mesmo com o trabalho parcial dos fiscais, a companhia está tendo problemas de atrasos com embarques e custos indesejados, o que deverá ser paulatinamente recuperado quando retomarem o trabalho".
"As agroindústrias de Santa Catarina vão parar os abates de animais, principalmente de aves e suínos se a greve não terminar", disse o presidente do Sindicarnes, Ricardo de Gouvêa. Segundo ele, as indústrias estão lotadas e não há mais contêineres disponíveis. De acordo com informações das empresas, 20 mil toneladas de carne estão parada nas unidades industriais. Só a Seara tem sete mil toneladas de aves e 2,5 mil toneladas de suínos. A Sadia e a Perdigão têm pelo menos quatro mil toneladas. "A unidade da Sadia de Chapecó (SC) tinha 50 caminhões parados no pátio da empresa, utilizados como câmaras frias. Estão sendo liberados apenas 12 cargas por dia", diz Gouvêa. Para Domingos Martins, presidente do Sindiavipar, a operação padrão é insuficiente para manter o bom desempenho das exportações do setor, que já começa a sofrer com aumento de custos tanto no campo - com a elevação do peso das aves e conseqüente perda de espaço no mercado internacional - como no porto, com elevação das despesas de frete.
O Porto de Itajaí estava ontem com 80% da área destinada ao movimento de exportação e importação ocupada com 1.600 contêineres parados. Quase metade das exportações dali são de carne congelada e dependem da fiscalização agropecuária.
As indústrias de carne bovina ainda não têm o levantamento dos prejuízos. Segundo Antonio Camardelli, secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) a maior perda é a "quebra do processo de compra e venda". De acordo com ele há muita mercadoria estocada e se a greve continuar os frigoríficos terão de parar as atividades.
Importações
"A greve está tornando difícil a compra das indústrias, uma vez que os produtores retraíram suas vendas e a entrada de produto importado está dificultada", diz Tiago Barata, analista da Safras & Mercado. Desde o início do paralisação dos fiscais o preço do arroz no Ri Grande do Sul valorizou-se 1,9%, cotado a R$ 21,99 a saca (50 quilos).
O diretor da T-Grão, terminal instalado no Porto de Santos (SP), Antônio Braz, estima que existem cerca de 30 mil toneladas de trigo nos terminais. "Os moinhos já estão com estoques baixos diante da escassez do grão no mundo; se a greve demorar muito a situação deve se agravar", disse Braz.
O gerente técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, diz que o preço pago ao produtor subiu 6% em julho em relação a junho, "sem reflexo da greve". A tonelada sai a R$ 470 a tonelada. "Esse aumento é por conta da elevação do preço no mercado internacional", disse.

Neila Baldi, Viviane Monteiro, Juliana Wilke, Cristina Rios e Claudia Diann
Gazeta Mercantil

No Paraná e em Santa Catarina, os prejuízos somam US$ 65 milhões apenas em aves.

A greve dos fiscais agropecuários provocou a elevação dos preços de arroz e trigo, ao mesmo tempo em que fechou indústrias de aves no País. Cerca de 45 mil toneladas destes cereais deixaram de entrar no Brasil e pelo menos 95 mil toneladas de carnes - de frango, bovina e suína - não foram embarcadas desde o dia 24 de julho quando o movimento começou. Apenas 30% dos funcionários trabalham. Ontem, o Ministério da Agricultura afirmou que só irá negociar com os funcionários quando retomarem o trabalho. O governo ofereceu 5,7% ao ano de aumento, totalizando 18,1% em três anos.
Pelo menos duas empresas do setor de aves paralisaram suas atividades parcialmente. Pelos cálculos do Sindicato das Indústrias dos Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) os prejuízos somam US$ 15 milhões. Pelas estimativas do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarnes), a perda é de US$ 50 milhões.
Segundo Christian Lohbauer, presidente-interino da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), além do produto que deixa de ser exportado há a perda por multas da não entrega e da credibilidade. "A credibilidade não tem preço". De acordo com Lohbauer, as empresas tiveram de parar porque o ciclo de produção das aves é curto e os estoques já estão altos. Ele afirma que se a greve continuar, as empresas terão de abater e enterrar os animais.
A Seara paralisou suas atividades ontem, mas retoma a produção hoje. A empresa comunicou que poderá realizar novas paralisações na próxima semana. "Estamos administrando a capacidade de cada fábrica", diz o diretor de Relações Institucionais da Perdigão. Segundo ele, o movimento provoca "problemas na capacidade de armazenagem das unidades e já há caminhões em tomadas para frigorificar as cargas. Na Sadia ainda não há previsão de paralisação das atividades das fábricas. Em nota, a empresa afirmou que "mesmo com o trabalho parcial dos fiscais, a companhia está tendo problemas de atrasos com embarques e custos indesejados, o que deverá ser paulatinamente recuperado quando retomarem o trabalho".
"As agroindústrias de Santa Catarina vão parar os abates de animais, principalmente de aves e suínos se a greve não terminar", disse o presidente do Sindicarnes, Ricardo de Gouvêa. Segundo ele, as indústrias estão lotadas e não há mais contêineres disponíveis. De acordo com informações das empresas, 20 mil toneladas de carne estão parada nas unidades industriais. Só a Seara tem sete mil toneladas de aves e 2,5 mil toneladas de suínos. A Sadia e a Perdigão têm pelo menos quatro mil toneladas. "A unidade da Sadia de Chapecó (SC) tinha 50 caminhões parados no pátio da empresa, utilizados como câmaras frias. Estão sendo liberados apenas 12 cargas por dia", diz Gouvêa. Para Domingos Martins, presidente do Sindiavipar, a operação padrão é insuficiente para manter o bom desempenho das exportações do setor, que já começa a sofrer com aumento de custos tanto no campo - com a elevação do peso das aves e conseqüente perda de espaço no mercado internacional - como no porto, com elevação das despesas de frete.
O Porto de Itajaí estava ontem com 80% da área destinada ao movimento de exportação e importação ocupada com 1.600 contêineres parados. Quase metade das exportações dali são de carne congelada e dependem da fiscalização agropecuária.
As indústrias de carne bovina ainda não têm o levantamento dos prejuízos. Segundo Antonio Camardelli, secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) a maior perda é a "quebra do processo de compra e venda". De acordo com ele há muita mercadoria estocada e se a greve continuar os frigoríficos terão de parar as atividades.
Importações
"A greve está tornando difícil a compra das indústrias, uma vez que os produtores retraíram suas vendas e a entrada de produto importado está dificultada", diz Tiago Barata, analista da Safras & Mercado. Desde o início do paralisação dos fiscais o preço do arroz no Ri Grande do Sul valorizou-se 1,9%, cotado a R$ 21,99 a saca (50 quilos).
O diretor da T-Grão, terminal instalado no Porto de Santos (SP), Antônio Braz, estima que existem cerca de 30 mil toneladas de trigo nos terminais. "Os moinhos já estão com estoques baixos diante da escassez do grão no mundo; se a greve demorar muito a situação deve se agravar", disse Braz.
O gerente técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, diz que o preço pago ao produtor subiu 6% em julho em relação a junho, "sem reflexo da greve". A tonelada sai a R$ 470 a tonelada. "Esse aumento é por conta da elevação do preço no mercado internacional", disse.