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Publicado: 3/08/2007 | 09:39
Nova malha aérea
Correio Braziliense
Ministro anuncia desenho de conexões em Congonhas e criação de secretaria de aviação civil
O governo apresentou ontem o novo desenho de como serão realizadas as conexões de vôos nos aeroportos que receberão vôos de Congonhas, com duração de até duas horas. Durante um fórum para debater soluções para a crise do setor aéreo, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, mostrou dados que comprovam que Congonhas era usado inadequadamente como distribuidor de vôos domésticos. Ele também anunciou as obras na pista principal do Aeroporto Internacional de Guarulhos para março de 2008 e revelou que o Planalto estuda criar uma secretaria específica para cuidar do setor de aviação civil do país.
De acordo com o Jobim, Brasília vai fazer conexões para as regiões Norte e Centro-Oeste; Confins (Belo Horizonte) ligará o Nordeste brasileiro; Antonio Carlos Jobim (Galeão, Rio) concentrará o Nordeste, além de ligações para as Américas do Norte e do Sul e Europa; o Santos Dumont (também no Rio) só operará a ponte aérea; Curitiba (Paraná) fará conexão com o Sul; e os aeroportos do interior de São Paulo só terão ligação com Congonhas. “O aeroporto de Congonhas é claramente um `hub` (distribuidor de vôos nacional). É um aeroporto porta-avião; não há área de escape”, afirmou Jobim. De acordo com ele, a ponte aérea responde por 22,98% do tráfego aéreo em Congonhas; Brasília, 9,04%; Confins, 6,18%; Curitiba, 8%. Interior de São Paulo, 9,93%, e outras localidades, 43,87%.
O ministro anunciou que dos vôos aprovados para as outras localidades, 33%, ou 12 cidades, são para a Região Sul; 27% para o Nordeste (três localidades); 8% para o Norte (três localidades); outros 8% para o Norte e 24% para o Sudeste (nove localidades). Segundo ele, dos 151 vôos que foram reduzidos em Congonhas, 21 deveriam ser deslocados para o Aeroporto de Viracopos, no interior de São Paulo. No entanto, ele admitiu que esse terminal precisa passar por adaptações, já que é especializado em transporte aéreo de cargas. Dos 33 intervalos de pouso e decolagem (slots) por hora que restaram em Congonhas, serão 30 para as empresas de vôos regulares e três para a aviação geral.
Para atender as mudanças, as companhias aéreas alertaram que terão de aumentar o preço das passagens. Jobim criticou o monopólio da Gol e da TAM e revelou que o governo quer a ampliação das companhias regionais. O ministro reconheceu que a mudança da malha aérea pode provocar desconforto aos passageiros, mas se dispôs a debater o assunto com as empresas. “Não há dúvida que as empresas terão problemas, mas não será o problema dos mortos que tivemos este ano”, comentou Jobim, antes de fazer um alerta. “Se eu tiver que escolher, será a segurança, ponto. Depois, vêm as outras coisas.”
Projeto
Durante a apresentação da malha aérea, Jobim também falou sobre a criação da secretaria. “Já temos o desenho para criar a secretaria da aviação, que funcionará dentro do governo”, anunciou, acatando uma sugestão dada pelos próprios participantes do fórum no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E voltou a negar que o governo vá ceder a pressões das companhias aéreas para rever as decisões tomadas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Anac). “Não adianta se estabelecer uma tentativa de pressão para que se mantenha alguma coisa que leve à insegurança da população”, afirmou. Em relação a um suposto provável aumento dos preços das passagens aéreas, Jobim prometeu uma ação do Planalto: “Se as tarifas forem abusivas, o governo intervirá, não tenham dúvida”.
O titular da pasta da Defesa foi taxativo ao dizer que é inegociável a intenção de fazer com que Congonhas deixe de ser um ponto de escalas nacionais. Técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) admitem que, caso sejam constatados prejuízos para as empresas em determinados vôos ou que a manutenção desse vôo resulte em aumento de preço, poderão propor soluções alternativas ao Conac.
Novo órgão é elogiado
O presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto da Costa, acredita que, com uma secretaria-executiva coordenando os demais órgãos do setor aéreo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, poderá trabalhar melhor. “Qualquer ministro deve ter alguém para centralizar informações”, afirma.
No Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) a avaliação é que a criação da secretaria é uma “idéia bem-vinda” e poderá resgatar o poder do antigo Ministério da Aeronáutica. Avaliação idêntica é feita pela presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. “Meu único medo é que um militar assuma a direção. Isso seria um retrocesso.”
Tráfego em Congonhas
9,04%
dos aviões que pousam no aeroporto de São Paulo têm Brasília como origem ou destino.
151
vôos diários foram reduzidos no terminal depois do acidente com o vôo 3054, em 17 de julho.
Correio Braziliense
Ministro anuncia desenho de conexões em Congonhas e criação de secretaria de aviação civil
O governo apresentou ontem o novo desenho de como serão realizadas as conexões de vôos nos aeroportos que receberão vôos de Congonhas, com duração de até duas horas. Durante um fórum para debater soluções para a crise do setor aéreo, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, mostrou dados que comprovam que Congonhas era usado inadequadamente como distribuidor de vôos domésticos. Ele também anunciou as obras na pista principal do Aeroporto Internacional de Guarulhos para março de 2008 e revelou que o Planalto estuda criar uma secretaria específica para cuidar do setor de aviação civil do país.
De acordo com o Jobim, Brasília vai fazer conexões para as regiões Norte e Centro-Oeste; Confins (Belo Horizonte) ligará o Nordeste brasileiro; Antonio Carlos Jobim (Galeão, Rio) concentrará o Nordeste, além de ligações para as Américas do Norte e do Sul e Europa; o Santos Dumont (também no Rio) só operará a ponte aérea; Curitiba (Paraná) fará conexão com o Sul; e os aeroportos do interior de São Paulo só terão ligação com Congonhas. “O aeroporto de Congonhas é claramente um `hub` (distribuidor de vôos nacional). É um aeroporto porta-avião; não há área de escape”, afirmou Jobim. De acordo com ele, a ponte aérea responde por 22,98% do tráfego aéreo em Congonhas; Brasília, 9,04%; Confins, 6,18%; Curitiba, 8%. Interior de São Paulo, 9,93%, e outras localidades, 43,87%.
O ministro anunciou que dos vôos aprovados para as outras localidades, 33%, ou 12 cidades, são para a Região Sul; 27% para o Nordeste (três localidades); 8% para o Norte (três localidades); outros 8% para o Norte e 24% para o Sudeste (nove localidades). Segundo ele, dos 151 vôos que foram reduzidos em Congonhas, 21 deveriam ser deslocados para o Aeroporto de Viracopos, no interior de São Paulo. No entanto, ele admitiu que esse terminal precisa passar por adaptações, já que é especializado em transporte aéreo de cargas. Dos 33 intervalos de pouso e decolagem (slots) por hora que restaram em Congonhas, serão 30 para as empresas de vôos regulares e três para a aviação geral.
Para atender as mudanças, as companhias aéreas alertaram que terão de aumentar o preço das passagens. Jobim criticou o monopólio da Gol e da TAM e revelou que o governo quer a ampliação das companhias regionais. O ministro reconheceu que a mudança da malha aérea pode provocar desconforto aos passageiros, mas se dispôs a debater o assunto com as empresas. “Não há dúvida que as empresas terão problemas, mas não será o problema dos mortos que tivemos este ano”, comentou Jobim, antes de fazer um alerta. “Se eu tiver que escolher, será a segurança, ponto. Depois, vêm as outras coisas.”
Projeto
Durante a apresentação da malha aérea, Jobim também falou sobre a criação da secretaria. “Já temos o desenho para criar a secretaria da aviação, que funcionará dentro do governo”, anunciou, acatando uma sugestão dada pelos próprios participantes do fórum no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E voltou a negar que o governo vá ceder a pressões das companhias aéreas para rever as decisões tomadas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Anac). “Não adianta se estabelecer uma tentativa de pressão para que se mantenha alguma coisa que leve à insegurança da população”, afirmou. Em relação a um suposto provável aumento dos preços das passagens aéreas, Jobim prometeu uma ação do Planalto: “Se as tarifas forem abusivas, o governo intervirá, não tenham dúvida”.
O titular da pasta da Defesa foi taxativo ao dizer que é inegociável a intenção de fazer com que Congonhas deixe de ser um ponto de escalas nacionais. Técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) admitem que, caso sejam constatados prejuízos para as empresas em determinados vôos ou que a manutenção desse vôo resulte em aumento de preço, poderão propor soluções alternativas ao Conac.
Novo órgão é elogiado
O presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto da Costa, acredita que, com uma secretaria-executiva coordenando os demais órgãos do setor aéreo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, poderá trabalhar melhor. “Qualquer ministro deve ter alguém para centralizar informações”, afirma.
No Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) a avaliação é que a criação da secretaria é uma “idéia bem-vinda” e poderá resgatar o poder do antigo Ministério da Aeronáutica. Avaliação idêntica é feita pela presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. “Meu único medo é que um militar assuma a direção. Isso seria um retrocesso.”
Tráfego em Congonhas
9,04%
dos aviões que pousam no aeroporto de São Paulo têm Brasília como origem ou destino.
151
vôos diários foram reduzidos no terminal depois do acidente com o vôo 3054, em 17 de julho.