antigas Publicado: 3/08/2007 | 09:53

Seguro-desemprego é ampliado

Marcelo Tokarski
Correio Braziliense

Trabalhadores demitidos por empresas calçadistas, setor fortemente afetado pela baixa cotação do dólar, podem ter dois meses a mais de ajuda. Medida anunciada ontem deve beneficiar 85 mil pessoas

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou ontem a extensão, por mais dois meses, do seguro-desemprego para trabalhadores demitidos por empresas do setor calçadista. Nessa área, 124 mil pessoas foram dispensadas entre 1º de julho do ano passado e 31 de maio último. O governo estima que, desse total de trabalhadores, 85 mil devem se beneficiar da medida, que custará R$ 78 milhões aos cofres do FAT. A maior parte desses desempregados está concentrada nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará, além do Distrito Federal.

De acordo com o presidente do Codefat, Ezequiel Nascimento, a medida foi tomada porque o setor calçadista vem enfrentado dificuldades em função da desvalorização do dólar, que afeta as exportações, e da concorrência exercida por produtos chineses no mercado interno. “Há um sentimento de frustração, pois a gente sabe que essa é uma medida emergencial que não vai resolver a vida dessas pessoas”, afirmou. “Para isso, é preciso uma política setorial, das empresas. O governo está fazendo sua parte”, defendeu. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no primeiro semestre deste ano as exportações do setor caíram 4%.

Além do segmento calçadista, o Codefat aprovou a ampliação do seguro-desemprego para 583 trabalhadores demitidos por empresas do setor petroquímico, produtoras de cloro-álcolis. Desse total, 530 são do Rio de Janeiro, base política do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. “É um setor nacional, mas que está concentrado no Rio”, justificou o presidente do Codefat. A medida custará R$ 781 mil. Foi aprovada ainda a extensão do benefício para cerca de 1,3 mil pescadores de Natal (RN). Devido à mortandade de 40 toneladas de peixe no Rio Potengi, o Ibama deve declarar o defeso (suspensão da pesca) na região. Enquanto durar a proibição, os pescadores receberão o benefício, num prazo máximo de sete meses.

O seguro-desemprego é pago a trabalhadores demitidos sem justa causa. São três a cinco parcelas, dependendo da duração do vínculo empregatício nos últimos três anos. Quem trabalhou de 6 a 11 meses recebe três; 12 a 23 meses, quatro; e pelo menos 24 meses, cinco parcelas. O valor do benefício varia de R$ 501,83 a R$ 710,97, dependendo do salário médio recebido pelo trabalhador.


RACHA ADIA ELEIÇÃO
Um racha entre as centrais sindicais adiou novamente a eleição para a presidência do Codefat. Pelas regras do conselho, agora é a vez de um sindicalista ocupar o cargo em substituição ao representante do governo. Segundo acordo de cavalheiros, que estabelece rodízio entre as centrais, seria a vez de Luiz Fernando Emediato, da Força Sindical, ligada ao PDT, partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. No entanto, o presidente da recém-criada União Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado, decidiu concorrer. Para se eleger, o candidato precisa obter 7 dos 12 votos (quatro das centrais, quatro do governo e quatro dos empregadores). A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estaria disposta a apoiar Pegado para fragilizar a Força Sindical. A eleição será no dia 16.

 

Marcelo Tokarski
Correio Braziliense

Trabalhadores demitidos por empresas calçadistas, setor fortemente afetado pela baixa cotação do dólar, podem ter dois meses a mais de ajuda. Medida anunciada ontem deve beneficiar 85 mil pessoas

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou ontem a extensão, por mais dois meses, do seguro-desemprego para trabalhadores demitidos por empresas do setor calçadista. Nessa área, 124 mil pessoas foram dispensadas entre 1º de julho do ano passado e 31 de maio último. O governo estima que, desse total de trabalhadores, 85 mil devem se beneficiar da medida, que custará R$ 78 milhões aos cofres do FAT. A maior parte desses desempregados está concentrada nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará, além do Distrito Federal.

De acordo com o presidente do Codefat, Ezequiel Nascimento, a medida foi tomada porque o setor calçadista vem enfrentado dificuldades em função da desvalorização do dólar, que afeta as exportações, e da concorrência exercida por produtos chineses no mercado interno. “Há um sentimento de frustração, pois a gente sabe que essa é uma medida emergencial que não vai resolver a vida dessas pessoas”, afirmou. “Para isso, é preciso uma política setorial, das empresas. O governo está fazendo sua parte”, defendeu. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no primeiro semestre deste ano as exportações do setor caíram 4%.

Além do segmento calçadista, o Codefat aprovou a ampliação do seguro-desemprego para 583 trabalhadores demitidos por empresas do setor petroquímico, produtoras de cloro-álcolis. Desse total, 530 são do Rio de Janeiro, base política do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. “É um setor nacional, mas que está concentrado no Rio”, justificou o presidente do Codefat. A medida custará R$ 781 mil. Foi aprovada ainda a extensão do benefício para cerca de 1,3 mil pescadores de Natal (RN). Devido à mortandade de 40 toneladas de peixe no Rio Potengi, o Ibama deve declarar o defeso (suspensão da pesca) na região. Enquanto durar a proibição, os pescadores receberão o benefício, num prazo máximo de sete meses.

O seguro-desemprego é pago a trabalhadores demitidos sem justa causa. São três a cinco parcelas, dependendo da duração do vínculo empregatício nos últimos três anos. Quem trabalhou de 6 a 11 meses recebe três; 12 a 23 meses, quatro; e pelo menos 24 meses, cinco parcelas. O valor do benefício varia de R$ 501,83 a R$ 710,97, dependendo do salário médio recebido pelo trabalhador.


RACHA ADIA ELEIÇÃO
Um racha entre as centrais sindicais adiou novamente a eleição para a presidência do Codefat. Pelas regras do conselho, agora é a vez de um sindicalista ocupar o cargo em substituição ao representante do governo. Segundo acordo de cavalheiros, que estabelece rodízio entre as centrais, seria a vez de Luiz Fernando Emediato, da Força Sindical, ligada ao PDT, partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. No entanto, o presidente da recém-criada União Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado, decidiu concorrer. Para se eleger, o candidato precisa obter 7 dos 12 votos (quatro das centrais, quatro do governo e quatro dos empregadores). A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estaria disposta a apoiar Pegado para fragilizar a Força Sindical. A eleição será no dia 16.