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Publicado: 7/08/2007 | 10:00
Lula: país vai virar canteiro de obras
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
No programa semanal de rádio, presidente promete liberar, a partir deste semestre, dinheiro para infra-estrutura na área de transportes. Até junho, dos R$ 7,5 bilhões do PAC, só foi liberado R$ 1 bilhão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em seu programa semanal de rádio, que transformará o país em um “verdadeiro canteiro de obras” no segundo semestre. Prometeu despejar uma enxurrada de recursos públicos, a partir da próxima semana, na área de infra-estrutura. Entre as prioridades estão aeroportos e rodovias, que, como o setor elétrico, são rondados por risco de apagão, segundo integrantes da oposição e da iniciativa privada. O governo nega tal possibilidade, que, se confirmada, pode queimar capital político do presidente.
“Quando eu voltar da viagem pela América Central, vamos começar a anunciar as obras de infra-estrutura no que diz respeito às estradas, às ferrovias, a gasodutos, a portos, a aeroportos. Tudo que tiver de infra-estrutura na área de transportes vamos anunciar e começar a liberar o dinheiro para que as obras comecem a acontecer”, declarou Lula no programa Café com o presidente.
“Algumas já estão em andamento, outras vão começar a andar agora e outras ainda precisam de licenciamento. O dado concreto é que vamos fazer deste país um verdadeiro canteiro de obras.” Dinheiro à disposição no caixa da União não falta. No primeiro semestre, havia autorização para investimento de R$ 7,5 bilhões no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo a associação Contas Abertas, só cerca de R$ 1 bilhão foi pago.
O mesmo ritmo é observado no caso do Projeto Piloto de Investimento (PPI), que inclui obras de saneamento e na área de transportes. No primeiro semestre, só foram pagos 10% de R$ 11,3 bilhões reservados neste ano para o PPI, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. Em junho, o valor desembolsado foi de R$ 195,4 milhões, 33,8% a menos do que o registrado em maio. Abaixo da meta, o desempenho deveria ser melhor porque as verbas do PPI estão livres da tesoura da equipe econômica. Como não entram no cálculo da economia realizada para o pagamento dos juros da dívida, são gastas com mais facilidade. Pelo menos, é o que reza a teoria. Ontem, Lula voltou a elogiar os convênios assinados entre União, estados e municípios que prevêem investimento de R$ 32 bilhões em saneamento e urbanização.
Buraco
Lula retomou a ofensiva contra a suposta prática dos governantes de dar preferência a obras visíveis, como pontes e viadutos, a empreendimentos de alcance social. “Para fazer saneamento básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco. É uma obra em que você não pode colocar uma placa, não pode colocar o nome de um parente, e isso, muitas vezes, na cabeça de muitos políticos brasileiros, não dá voto”, afirmou Lula.
“Na verdade, o troféu que a gente tem que ter como resultado de uma forte política de saneamento básico não é uma placa com o nome de um parente, é uma criança saudável brincando na rua, sem esgoto a céu aberto. É uma criança sem verminose, sem doenças adquiridas por falta de tratamento de água e de esgotamento sanitário. É isso que estamos fazendo.”
Defesa do governo
O presidente em exercício, José Alencar, demonstrou ontem despreocupação com o movimento “Cansei” e manifestações recentes nas quais foi entoado o grito “Fora, Lula”. Segundo Alencar, a imprensa deveria destacar a popularidade do governo e do presidente da República, conforme pesquisas recentes. “Isso (o resultado das pesquisas) é uma demonstração de que o povo brasileiro está absolutamente confiante e levando a sério o trabalho do presidente”. O vice-presidente José Alencar também engrossou o coro segundo o qual as críticas fazem parte do jogo. “É próprio do regime democrático. E é bom que isso aconteça, porque é a prova de que estamos na plena democracia.”
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
No programa semanal de rádio, presidente promete liberar, a partir deste semestre, dinheiro para infra-estrutura na área de transportes. Até junho, dos R$ 7,5 bilhões do PAC, só foi liberado R$ 1 bilhão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em seu programa semanal de rádio, que transformará o país em um “verdadeiro canteiro de obras” no segundo semestre. Prometeu despejar uma enxurrada de recursos públicos, a partir da próxima semana, na área de infra-estrutura. Entre as prioridades estão aeroportos e rodovias, que, como o setor elétrico, são rondados por risco de apagão, segundo integrantes da oposição e da iniciativa privada. O governo nega tal possibilidade, que, se confirmada, pode queimar capital político do presidente.
“Quando eu voltar da viagem pela América Central, vamos começar a anunciar as obras de infra-estrutura no que diz respeito às estradas, às ferrovias, a gasodutos, a portos, a aeroportos. Tudo que tiver de infra-estrutura na área de transportes vamos anunciar e começar a liberar o dinheiro para que as obras comecem a acontecer”, declarou Lula no programa Café com o presidente.
“Algumas já estão em andamento, outras vão começar a andar agora e outras ainda precisam de licenciamento. O dado concreto é que vamos fazer deste país um verdadeiro canteiro de obras.” Dinheiro à disposição no caixa da União não falta. No primeiro semestre, havia autorização para investimento de R$ 7,5 bilhões no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo a associação Contas Abertas, só cerca de R$ 1 bilhão foi pago.
O mesmo ritmo é observado no caso do Projeto Piloto de Investimento (PPI), que inclui obras de saneamento e na área de transportes. No primeiro semestre, só foram pagos 10% de R$ 11,3 bilhões reservados neste ano para o PPI, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. Em junho, o valor desembolsado foi de R$ 195,4 milhões, 33,8% a menos do que o registrado em maio. Abaixo da meta, o desempenho deveria ser melhor porque as verbas do PPI estão livres da tesoura da equipe econômica. Como não entram no cálculo da economia realizada para o pagamento dos juros da dívida, são gastas com mais facilidade. Pelo menos, é o que reza a teoria. Ontem, Lula voltou a elogiar os convênios assinados entre União, estados e municípios que prevêem investimento de R$ 32 bilhões em saneamento e urbanização.
Buraco
Lula retomou a ofensiva contra a suposta prática dos governantes de dar preferência a obras visíveis, como pontes e viadutos, a empreendimentos de alcance social. “Para fazer saneamento básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco. É uma obra em que você não pode colocar uma placa, não pode colocar o nome de um parente, e isso, muitas vezes, na cabeça de muitos políticos brasileiros, não dá voto”, afirmou Lula.
“Na verdade, o troféu que a gente tem que ter como resultado de uma forte política de saneamento básico não é uma placa com o nome de um parente, é uma criança saudável brincando na rua, sem esgoto a céu aberto. É uma criança sem verminose, sem doenças adquiridas por falta de tratamento de água e de esgotamento sanitário. É isso que estamos fazendo.”
Defesa do governo
O presidente em exercício, José Alencar, demonstrou ontem despreocupação com o movimento “Cansei” e manifestações recentes nas quais foi entoado o grito “Fora, Lula”. Segundo Alencar, a imprensa deveria destacar a popularidade do governo e do presidente da República, conforme pesquisas recentes. “Isso (o resultado das pesquisas) é uma demonstração de que o povo brasileiro está absolutamente confiante e levando a sério o trabalho do presidente”. O vice-presidente José Alencar também engrossou o coro segundo o qual as críticas fazem parte do jogo. “É próprio do regime democrático. E é bom que isso aconteça, porque é a prova de que estamos na plena democracia.”