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Publicado: 8/08/2007 | 09:10
Greve imprudente
Editorial
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pesa sobre os alunos da Universidade de Brasília (UnB) a ameaça de suspensão por tempo indeterminado das atividades de ensino. Há mais de dois meses a instituição se encontra semiparalisada em razão de greve dos servidores administrativos. O primeiro prejuízo aos alunos já se consumou. Sem atendentes burocráticos para registrar matrículas, o segundo semestre, que deveria ter se iniciado dia 6 de agosto, permanece sem aulas até hoje. Não há nada mais prejudicial ao país e, em particular, aos que buscam qualificar-se pela educação universitária do que interrupções na execução dos programas curriculares.
Porém, nem sempre reflexões sobre a natureza do ensino superior e de seus efeitos no conjunto do processo educativo respaldam certas condutas quando se trata de decidir sobre greves. Hoje, antes de conversações com representantes do Ministério do planejamento (marcadas para amanhã), os professores da UnB se reúnem em assembléia a fim de colocar em pauta a paralisação da classe. Em outros termos: queimam etapa indispensável para evitar o conflito sindical, consistente em negociações preliminares a fim de situar reivindicações e colher a disposição de quem tem autoridade para atendê-las.
dois pontos precedem o tratamento da questão. O primeiro é o reconhecimento de que a greve é ferramenta constitucional criada para garantir a defesa de interesses legítimos dos trabalhadores. O outro vincula-se às reivindicações, na maioria dos casos destinadas a obter reajustes salariais e melhores condições de trabalho. São duas faces da mesma moeda, que exprimem direitos indispensáveis à promoção do equilíbrio entre empregados e empregadores. A diferença, em relação aos quadros funcionais da UnB, é que o patrão é o Estado, ficção jurídica complexa e sujeita a complicadas formas de administração financeira.
Não se discute a justeza dos aumentos salariais pretendidos pelo corpo docente da UnB e funcionários encarregados das atividades meio. Mas cumpre não ignorar que a greve, conquanto direito inquestionável, deve ser precedida pela agenda da conciliação. Há de haver ponderação para que seja encontrado termo útil à pacificação dos interesses em causa e, em posição de relevo, avaliação sobre eventuais efeitos negativos de movimento paredista sobre prerrogativas de terceiros. Aqui — entenda-se — terceiros são o corpo discente e a qualidade da grade pedagógica.
A decisão do Sindicato Nacional dos docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) no sentido de que os professores devem cruzar os braços é, no mínimo, temerária. Desde logo porque a interrupção dos cursos como forma de pressionar o atendimento de demandas salariais nem sempre obteve êxito. Antes, prejudicou os estudos do alunato. Depois, é exigência da postura civilizada que, antes de tudo, é crucial exaurir as possibilidades da mesa de negociações.
Convém aos mestres da UnB, classe portadora do mais elevado nível de consciência social, buscar caminhos alternativos na luta pelos reajustes de vencimentos e melhorias no modelo de prestação de serviços. A greve só deve ser cogitada se esgotadas as diversas instâncias de conversações e ante o fracasso do último esforço de solução consensual. É o que desejam a sociedade e os alunos.
Editorial
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pesa sobre os alunos da Universidade de Brasília (UnB) a ameaça de suspensão por tempo indeterminado das atividades de ensino. Há mais de dois meses a instituição se encontra semiparalisada em razão de greve dos servidores administrativos. O primeiro prejuízo aos alunos já se consumou. Sem atendentes burocráticos para registrar matrículas, o segundo semestre, que deveria ter se iniciado dia 6 de agosto, permanece sem aulas até hoje. Não há nada mais prejudicial ao país e, em particular, aos que buscam qualificar-se pela educação universitária do que interrupções na execução dos programas curriculares.
Porém, nem sempre reflexões sobre a natureza do ensino superior e de seus efeitos no conjunto do processo educativo respaldam certas condutas quando se trata de decidir sobre greves. Hoje, antes de conversações com representantes do Ministério do planejamento (marcadas para amanhã), os professores da UnB se reúnem em assembléia a fim de colocar em pauta a paralisação da classe. Em outros termos: queimam etapa indispensável para evitar o conflito sindical, consistente em negociações preliminares a fim de situar reivindicações e colher a disposição de quem tem autoridade para atendê-las.
dois pontos precedem o tratamento da questão. O primeiro é o reconhecimento de que a greve é ferramenta constitucional criada para garantir a defesa de interesses legítimos dos trabalhadores. O outro vincula-se às reivindicações, na maioria dos casos destinadas a obter reajustes salariais e melhores condições de trabalho. São duas faces da mesma moeda, que exprimem direitos indispensáveis à promoção do equilíbrio entre empregados e empregadores. A diferença, em relação aos quadros funcionais da UnB, é que o patrão é o Estado, ficção jurídica complexa e sujeita a complicadas formas de administração financeira.
Não se discute a justeza dos aumentos salariais pretendidos pelo corpo docente da UnB e funcionários encarregados das atividades meio. Mas cumpre não ignorar que a greve, conquanto direito inquestionável, deve ser precedida pela agenda da conciliação. Há de haver ponderação para que seja encontrado termo útil à pacificação dos interesses em causa e, em posição de relevo, avaliação sobre eventuais efeitos negativos de movimento paredista sobre prerrogativas de terceiros. Aqui — entenda-se — terceiros são o corpo discente e a qualidade da grade pedagógica.
A decisão do Sindicato Nacional dos docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) no sentido de que os professores devem cruzar os braços é, no mínimo, temerária. Desde logo porque a interrupção dos cursos como forma de pressionar o atendimento de demandas salariais nem sempre obteve êxito. Antes, prejudicou os estudos do alunato. Depois, é exigência da postura civilizada que, antes de tudo, é crucial exaurir as possibilidades da mesa de negociações.
Convém aos mestres da UnB, classe portadora do mais elevado nível de consciência social, buscar caminhos alternativos na luta pelos reajustes de vencimentos e melhorias no modelo de prestação de serviços. A greve só deve ser cogitada se esgotadas as diversas instâncias de conversações e ante o fracasso do último esforço de solução consensual. É o que desejam a sociedade e os alunos.
