Precauções no Planalto
Correio Braziliense
Lula prefere não interferir, por enquanto, no caso Renan Calheiros. Mas, diante de votações importantes, já prepara um “Plano B”
O Palácio do Planalto não abandonou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), embora estude alternativas para sucedê-lo caso ele seja cassado por quebra de decoro parlamentar. Por enquanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a dar crédito às avaliações feitas pelo próprio senador de que será absolvido em plenário. Essa seria a melhor solução pelo governo, que teme a abertura de uma disputa pelo comando do Senado, em caso de cassação de Renan. Mas Lula sabe que a situação do aliado vem se degradando. Ministros palacianos avaliam que há uma possibilidade concreta dele perder o mandato. Pensando nessa possibilidade, os governistas trabalham na elaboração de um “plano b”, capaz de articular um sucessor em caso de derrota do presidente do Senado.
Até aqui, a crise envolvendo Renan não causou prejuízo político ao governo. Apesar da tensão que dominou as sessões do Senado, todos os projetos de interesse do Planalto foram aprovados. Agora, a oposição ameaça boicotar a votação de projetos importantes, como a prorrogação da CPMF. O objetivo é desgastar a relação de Renan com o governo. O senador sempre foi um solucionador de problemas. Se a CPMF não for votada por sua causa, ele terá se transformado em problema. O tributo é vital para o governo, que precisa aprova-lo até setembro (leiam mais na página 6).
Renan terá o apoio do Planalto para aprovar o projeto. Não é nem porque Lula queira preservar o aliado. O presidente não quer é dobrar-se à oposição. Avalia que terá dado um sinal de fraqueza política se ceder às ameaças dos senadores do DEM e do PSDB. O recado foi transmitido a Renan pelo próprio Lula em um telefonema, depois das 23h de terça-feira.
Projetos
“Se a oposição tentar paralisar o Senado e impedir a votação de projetos de interesse do país, o presidente estimulará a base governista a fazer a Casa funcionar normalmente”, disse ontem o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, faz coro: “Independente dessas circunstâncias e mesmo que a oposição queira impor obstáculos ao trabalho do Senado em protesto, nós vamos fazer todo o empenho para continuar votando”.
Walfrido lembrou que Lula convocará os líderes de partidos aliados para uma conversa caso o processo contra Renan atrapalhe as votações. Se necessário for, colocará em marcha um rolo compressor no Congresso.
O ministro nega que o governo articule substitutos para Renan. O Planalto teme que qualquer sinal nesse sentido enfraqueça o presidente do Senado. Mas a bancada do PT trabalha em conjunto com o Planalto para criar alternativas. Entre as possibilidades estão Tião Viana (PT-AC) e Roseana Sarney (PMDB-MA). O governo teme que a oposição aproveite a agonia de Renan para lançar na mídia um nome como o de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), apresentado como uma espécie de candidato da moralidade.
Correio Braziliense
Lula prefere não interferir, por enquanto, no caso Renan Calheiros. Mas, diante de votações importantes, já prepara um “Plano B”
O Palácio do Planalto não abandonou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), embora estude alternativas para sucedê-lo caso ele seja cassado por quebra de decoro parlamentar. Por enquanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a dar crédito às avaliações feitas pelo próprio senador de que será absolvido em plenário. Essa seria a melhor solução pelo governo, que teme a abertura de uma disputa pelo comando do Senado, em caso de cassação de Renan. Mas Lula sabe que a situação do aliado vem se degradando. Ministros palacianos avaliam que há uma possibilidade concreta dele perder o mandato. Pensando nessa possibilidade, os governistas trabalham na elaboração de um “plano b”, capaz de articular um sucessor em caso de derrota do presidente do Senado.
Até aqui, a crise envolvendo Renan não causou prejuízo político ao governo. Apesar da tensão que dominou as sessões do Senado, todos os projetos de interesse do Planalto foram aprovados. Agora, a oposição ameaça boicotar a votação de projetos importantes, como a prorrogação da CPMF. O objetivo é desgastar a relação de Renan com o governo. O senador sempre foi um solucionador de problemas. Se a CPMF não for votada por sua causa, ele terá se transformado em problema. O tributo é vital para o governo, que precisa aprova-lo até setembro (leiam mais na página 6).
Renan terá o apoio do Planalto para aprovar o projeto. Não é nem porque Lula queira preservar o aliado. O presidente não quer é dobrar-se à oposição. Avalia que terá dado um sinal de fraqueza política se ceder às ameaças dos senadores do DEM e do PSDB. O recado foi transmitido a Renan pelo próprio Lula em um telefonema, depois das 23h de terça-feira.
Projetos
“Se a oposição tentar paralisar o Senado e impedir a votação de projetos de interesse do país, o presidente estimulará a base governista a fazer a Casa funcionar normalmente”, disse ontem o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, faz coro: “Independente dessas circunstâncias e mesmo que a oposição queira impor obstáculos ao trabalho do Senado em protesto, nós vamos fazer todo o empenho para continuar votando”.
Walfrido lembrou que Lula convocará os líderes de partidos aliados para uma conversa caso o processo contra Renan atrapalhe as votações. Se necessário for, colocará em marcha um rolo compressor no Congresso.
O ministro nega que o governo articule substitutos para Renan. O Planalto teme que qualquer sinal nesse sentido enfraqueça o presidente do Senado. Mas a bancada do PT trabalha em conjunto com o Planalto para criar alternativas. Entre as possibilidades estão Tião Viana (PT-AC) e Roseana Sarney (PMDB-MA). O governo teme que a oposição aproveite a agonia de Renan para lançar na mídia um nome como o de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), apresentado como uma espécie de candidato da moralidade.