antigas Publicado: 17/08/2007 | 10:44

Reajuste gera crise entre servidores e o Estado

Breno Costa, Denise de Almeida e Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil

No dia seguinte ao anúncio daquela que seria uma boa nova para 286 mil servidores - o aumento de 25% nos salários - o governador Sérgio Cabral descobriu que o reajuste se transformara no estopim da maior crise enfrentada pelo governo até agora. Os setores supostamente beneficiados - Segurança Pública, Educação e Saúde - se rebelaram. O aumento foi taxado de "indigno", "ultrajante" e "deboche", entre outros adjetivos nada afáveis. O resultado parcial da crise é a deflagração da greve dos professores estaduais, a partir de hoje, e dos policiais civis e agentes penitenciários, a partir de segunda-feira.

A crise refletirá diretamente na vida do carioca. Já a partir de hoje, pelo menos 100 mil alunos da rede estadual vão ficar sem aulas, meses depois de enfrentarem o atraso no ano letivo por falta de professores. A partir de segunda-feira, todos os crimes deixarão de ser investigados por 72 horas. Nesse período, no qual os policiais civis cruzarão os braços em greve de advertência, apenas serão feitos registros de ocorrências consideradas graves, como homicídios e roubos e furtos de automóveis. Ainda nos primeiros minutos de segunda-feira, 3.340 agentes penitenciários vão parar no Estado.

Hoje, a crise pode ganhar força com a adesão dos delegados de polícia à greve. Descontente com a proposta de aumento apresentada pelo governador Sérgio Cabral, a categoria faz uma assembléia, no Clube da Aeronáutica, no Centro, para decidir se entra em paralisação. A tendência, de acordo com o secretário do Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio, Vinicius George, é acompanhar os policiais civis.

Fomos surpreendidos. Nem de proposta de aumento podemos chamar o que foi apresentado pelo governador. Era melhor não ter dado nada - declarou George, indignado com o que o governo chamou de reajuste. - A categoria está muito irritada e os agentes (policiais civis) já deram o primeiro passo.

Passo que foi dado menos de 24 horas depois de Cabral anunciar os 25% de aumento. No fim da manhã de ontem, o agravamento da crise começou a se desenhar. Em assembléia realizada em frente à sede da Chefia de Polícia Civil, no Centro, os policiais civis do Rio decidiram entrar em greve de advertência.

Foi uma ducha de água fria - resumiu o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, referindo-se ao reajuste do governo. - Não vamos investigar nada durante a paralisção. Esperávamos que fôssemos atendidos em nossas reivindicações.

Pela proposta de Cabral, os 25% de reajuste serão dados em 24 meses. Para Bandeira, além de não atender à reposição das perdas com o fim da Gratificação por Função Especial para os policiais, em 2001, o aumento não vai representar nada daqui a dois anos. Só com a reposição, acrescentou o dirigente, o aumento seria de 50% a 70%.

O descontentamento dos servidores não se deve somente ao valor do reajuste. A forma como Sérgio Cabral anunciou o aumento, quase impondo aos servidores, não agradou em nada.

Não pode ser de forma imposta. Cara feia não funciona com a polícia - disse Vinicius George. - A população tem de ficar preocupada quando o policial ganha mal.

Os agentes penitenciários também não viram com bons olhos os 25% de reajuste, bem distantes das propostas de campanha de Sérgio Cabral. De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Francisco Rodrigues, o governo havia apresentado, no início do ano, uma proposta com plano de carreira incluído.

Mas agora nos surpreende aplicando um golpe baixo desse. E conceder centavos de aumento mensal, só pode ser deboche - disse Rodrigues.

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, preferiu o discurso político, mas deixou claro que não haverá pacto com os grevistas.

As categorias têm direito de reivindicar. Se decidirem pela greve, não vamos pactuar, somos totalmente contra a greve. Acho que a Polícia Civil vive um momento muito bom, de qualificação de trabalho.

Breno Costa, Denise de Almeida e Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil

No dia seguinte ao anúncio daquela que seria uma boa nova para 286 mil servidores - o aumento de 25% nos salários - o governador Sérgio Cabral descobriu que o reajuste se transformara no estopim da maior crise enfrentada pelo governo até agora. Os setores supostamente beneficiados - Segurança Pública, Educação e Saúde - se rebelaram. O aumento foi taxado de "indigno", "ultrajante" e "deboche", entre outros adjetivos nada afáveis. O resultado parcial da crise é a deflagração da greve dos professores estaduais, a partir de hoje, e dos policiais civis e agentes penitenciários, a partir de segunda-feira.

A crise refletirá diretamente na vida do carioca. Já a partir de hoje, pelo menos 100 mil alunos da rede estadual vão ficar sem aulas, meses depois de enfrentarem o atraso no ano letivo por falta de professores. A partir de segunda-feira, todos os crimes deixarão de ser investigados por 72 horas. Nesse período, no qual os policiais civis cruzarão os braços em greve de advertência, apenas serão feitos registros de ocorrências consideradas graves, como homicídios e roubos e furtos de automóveis. Ainda nos primeiros minutos de segunda-feira, 3.340 agentes penitenciários vão parar no Estado.

Hoje, a crise pode ganhar força com a adesão dos delegados de polícia à greve. Descontente com a proposta de aumento apresentada pelo governador Sérgio Cabral, a categoria faz uma assembléia, no Clube da Aeronáutica, no Centro, para decidir se entra em paralisação. A tendência, de acordo com o secretário do Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio, Vinicius George, é acompanhar os policiais civis.

Fomos surpreendidos. Nem de proposta de aumento podemos chamar o que foi apresentado pelo governador. Era melhor não ter dado nada - declarou George, indignado com o que o governo chamou de reajuste. - A categoria está muito irritada e os agentes (policiais civis) já deram o primeiro passo.

Passo que foi dado menos de 24 horas depois de Cabral anunciar os 25% de aumento. No fim da manhã de ontem, o agravamento da crise começou a se desenhar. Em assembléia realizada em frente à sede da Chefia de Polícia Civil, no Centro, os policiais civis do Rio decidiram entrar em greve de advertência.

Foi uma ducha de água fria - resumiu o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, referindo-se ao reajuste do governo. - Não vamos investigar nada durante a paralisção. Esperávamos que fôssemos atendidos em nossas reivindicações.

Pela proposta de Cabral, os 25% de reajuste serão dados em 24 meses. Para Bandeira, além de não atender à reposição das perdas com o fim da Gratificação por Função Especial para os policiais, em 2001, o aumento não vai representar nada daqui a dois anos. Só com a reposição, acrescentou o dirigente, o aumento seria de 50% a 70%.

O descontentamento dos servidores não se deve somente ao valor do reajuste. A forma como Sérgio Cabral anunciou o aumento, quase impondo aos servidores, não agradou em nada.

Não pode ser de forma imposta. Cara feia não funciona com a polícia - disse Vinicius George. - A população tem de ficar preocupada quando o policial ganha mal.

Os agentes penitenciários também não viram com bons olhos os 25% de reajuste, bem distantes das propostas de campanha de Sérgio Cabral. De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Francisco Rodrigues, o governo havia apresentado, no início do ano, uma proposta com plano de carreira incluído.

Mas agora nos surpreende aplicando um golpe baixo desse. E conceder centavos de aumento mensal, só pode ser deboche - disse Rodrigues.

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, preferiu o discurso político, mas deixou claro que não haverá pacto com os grevistas.

As categorias têm direito de reivindicar. Se decidirem pela greve, não vamos pactuar, somos totalmente contra a greve. Acho que a Polícia Civil vive um momento muito bom, de qualificação de trabalho.