antigas Publicado: 31/08/2007 | 09:52

Crise ameça o PIB

Edna Simão
Correio Braziliense

Em reunião de governo, ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisa que a evolução do Produto Interno Bruto brasileiro em 2008 pode ser afetada pela turbulência que abala o mercado financeiro mundial
 
A economia brasileira pode até sair ilesa da crise financeira nos mercados internacionais este ano, porém, se a situação piorar, o crescimento de 2008 poderá ter uma “pequena redução”. Esse foi o aviso passado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos seus colegas durante uma reunião, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, na pior das hipóteses, alguns analistas acreditam que a expansão poderá ser reduzida em 0,1 ponto ou 0,2 ponto percentual. “Como ainda não sabemos como vai ser o crescimento, é apenas uma especulação”, ponderou o ministro, após a reunião. Minutos depois, no entanto, Mantega recuou e disse que não acredita num avanço menor da economia brasileira, porque o país tem mantido resultados positivos mesmo em um cenário de crise internacional.

A declaração só reforça a falta de consenso no governo. Na semana passada, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que, em um cenário de alastramento da crise, o PIB brasileiro poderia cair até 1%.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne para decidir a nova trajetória da taxa de juros do país. Alguns dos quesitos que serão levados em conta para continuidade ou não da queda da Selic são o ritmo de crescimento econômico e o patamar da inflação. A avaliação de economistas é de que um crescimento menor em 2008 reforçaria a necessidade de continuidade no corte de juros, pois diminuiria as pressões nos preços.

Jogando contra está o forte aumento de 0,98% da inflação em agosto — conforme o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) — que pode ser utilizado como desculpa para a interrupção da baixa dos juros no país pelo Copom. Mantega descarta essa teoria. Para ele, o número de agosto não é preocupante pois reflete um período de sazonalidade provocado pela entressafra de produtos como carne e leite. Esse movimento estaria sendo compensado pela baixa dos preços administrados. “A inflação tem essas oscilações sazonais, normais. A previsão é de que volte para patamar mais baixo. De qualquer forma estamos muito abaixo do centro da meta de inflação. Com certeza, a inflação vai ficar abaixo de 4,5% (meta)”, destacou o ministro.

Sustentabilidade
Durante a reunião ministerial, que durou praticamente o dia inteiro, Mantega tentou convencer seus colegas de que a expansão do PIB é sustentável e que o menor crescimento da economia norte-americana não trará fortes reflexos ao país. A justificativa é de que os Estados Unidos não são mais a única locomotiva da economia mundial. Segundo ele, a China e a Índia já representam 20% do PIB mundial, o mesmo que os Estados Unidos, o que ajuda a minimizar os efeitos da crise no país.

Para embasar suas afirmações, Mantega ressaltou que a turbulência nos mercados internacionais, ao contrário do que acontecia no passado, não provocou uma fuga de capitais do país. Ele citou ainda a ata do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), divulgada na terça-feira, que fala que o Brasil e Argentina parecem estar experimentando um crescimento sólido. “Construímos um mercado de massa, aumentamos o poder de consumo da população com aumento do emprego e da renda”, destaca o ministro, explicando que o consumo registra crescimento de 13% ao ano.

Além disso, a vulnerabilidade externa está menor no país graças ao elevado patamar das reservas internacionais de mais de US$ 160 bilhões e situação fiscal equilibrada. Mantega ressaltou que o Brasil está próximo de acabar com o déficit nominal (buraco das contas públicas após pagamento de juros da dívida pública) no país. “Caminhamos para um déficit nominal zero nos próximos dois anos”, afirmou Mantega. Para o ministro, o país vive um modelo social-desenvolvimentista que combina crescimento mais vigoroso com distribuição de renda e redução da pobreza.

Edna Simão
Correio Braziliense

Em reunião de governo, ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisa que a evolução do Produto Interno Bruto brasileiro em 2008 pode ser afetada pela turbulência que abala o mercado financeiro mundial
 
A economia brasileira pode até sair ilesa da crise financeira nos mercados internacionais este ano, porém, se a situação piorar, o crescimento de 2008 poderá ter uma “pequena redução”. Esse foi o aviso passado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos seus colegas durante uma reunião, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro, na pior das hipóteses, alguns analistas acreditam que a expansão poderá ser reduzida em 0,1 ponto ou 0,2 ponto percentual. “Como ainda não sabemos como vai ser o crescimento, é apenas uma especulação”, ponderou o ministro, após a reunião. Minutos depois, no entanto, Mantega recuou e disse que não acredita num avanço menor da economia brasileira, porque o país tem mantido resultados positivos mesmo em um cenário de crise internacional.

A declaração só reforça a falta de consenso no governo. Na semana passada, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que, em um cenário de alastramento da crise, o PIB brasileiro poderia cair até 1%.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne para decidir a nova trajetória da taxa de juros do país. Alguns dos quesitos que serão levados em conta para continuidade ou não da queda da Selic são o ritmo de crescimento econômico e o patamar da inflação. A avaliação de economistas é de que um crescimento menor em 2008 reforçaria a necessidade de continuidade no corte de juros, pois diminuiria as pressões nos preços.

Jogando contra está o forte aumento de 0,98% da inflação em agosto — conforme o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) — que pode ser utilizado como desculpa para a interrupção da baixa dos juros no país pelo Copom. Mantega descarta essa teoria. Para ele, o número de agosto não é preocupante pois reflete um período de sazonalidade provocado pela entressafra de produtos como carne e leite. Esse movimento estaria sendo compensado pela baixa dos preços administrados. “A inflação tem essas oscilações sazonais, normais. A previsão é de que volte para patamar mais baixo. De qualquer forma estamos muito abaixo do centro da meta de inflação. Com certeza, a inflação vai ficar abaixo de 4,5% (meta)”, destacou o ministro.

Sustentabilidade
Durante a reunião ministerial, que durou praticamente o dia inteiro, Mantega tentou convencer seus colegas de que a expansão do PIB é sustentável e que o menor crescimento da economia norte-americana não trará fortes reflexos ao país. A justificativa é de que os Estados Unidos não são mais a única locomotiva da economia mundial. Segundo ele, a China e a Índia já representam 20% do PIB mundial, o mesmo que os Estados Unidos, o que ajuda a minimizar os efeitos da crise no país.

Para embasar suas afirmações, Mantega ressaltou que a turbulência nos mercados internacionais, ao contrário do que acontecia no passado, não provocou uma fuga de capitais do país. Ele citou ainda a ata do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), divulgada na terça-feira, que fala que o Brasil e Argentina parecem estar experimentando um crescimento sólido. “Construímos um mercado de massa, aumentamos o poder de consumo da população com aumento do emprego e da renda”, destaca o ministro, explicando que o consumo registra crescimento de 13% ao ano.

Além disso, a vulnerabilidade externa está menor no país graças ao elevado patamar das reservas internacionais de mais de US$ 160 bilhões e situação fiscal equilibrada. Mantega ressaltou que o Brasil está próximo de acabar com o déficit nominal (buraco das contas públicas após pagamento de juros da dívida pública) no país. “Caminhamos para um déficit nominal zero nos próximos dois anos”, afirmou Mantega. Para o ministro, o país vive um modelo social-desenvolvimentista que combina crescimento mais vigoroso com distribuição de renda e redução da pobreza.