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Publicado: 4/09/2007 | 12:06
Governo quer domesticar a PF
Vasconcelo Quadros
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A troca de comando na Polícia Federal, consumada ontem com a posse do novo diretor, Luiz Fernando Corrêa, e a saída do delegado Paulo Lacerda - convidado para dirigir a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) - marca uma guinada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas operações de impacto dirigidas à corrupção e um discreto enquadramento da corporação que tem incomodado empresários, parlamentares e membros do Judiciário.
Ligado ao PT, o novo diretor assume o cargo sob a vigência do Manual de Planejamento Operacional, uma espécie de código de regras elaborado sob o crivo do Ministério da Justiça e destinado a restringir a divulgação de prisões.
O manual recomenda a preservação da imagem, o direito à privacidade das pessoas investigadas e a presunção de inocência, na fase de apuração das operações. A PF dará continuidade às operações de impacto, mas vai evitar o vazamento de informações e restringirá ao máximo o uso de algemas e dos chiqueirinhos dos camburões onde suspeitos eram trancafiados e suas imagens exibidas. O uso do grampo telefônico como método da investigação também deverá ser restringido.
Uma boa prova suporta qualquer pressão - disse o delegado Luiz Fernando Corrêa ao anunciar que em sua gestão, a ampla divulgação que marcou a época de seu antecessor será substituída pelo rigor da prova técnica que possa manter um suspeito na cadeia.
Antes da solenidade de posse, numa entrevista a jornalistas que cobrem a PF, Lacerda havia lembrado que a metodologia implantada durante os quatro anos em que dirigiu o órgão havia sido inspirada no programa de segurança apresentado pelo PT quando Lula disputou e venceu a primeira eleição presidencial. Segundo ele, um dos artigos do programa se referia à Polícia Federal como uma espécie de caixa preta e dizia que a corporação funcionava sem o controle do governo.
Nós abrimos a caixa-preta através de uma política de transparência, profissionalizando o setor de comunicação. A caixa preta foi arrombada e a polícia passou por uma superexposição - explicou o diretor. Ele reconhece, no entanto, que essa foi uma fase da polícia e admite corrigir eventuais excessos.
Corrêa disse que colocará a Polícia Federal na "normalidade institucional", aprimorando o trabalho operacional que vinha sendo feito, criando uma lei orgânica para a carreira policial e adequando o aparelho policial para a produção de provas que respaldem as operações quando elas chegarem à justiça.
Não vamos reduzir o enfrentamento. É um processo evolutivo - disse o novo diretor, que fala em oxigenar o órgão.
Ontem mesmo ele anunciou a substituição dos sete diretores que trabalhavam com Lacerda e garantiu que, independente de quem seja o alvo das operações, "onde houver crime a polícia vai estar lá". Corrêa diz que vai trabalhar para qualificar as provas obtidas pela polícia a fim de evitar que suspeitos sejam soltos logo depois de presos.
Em vez de transferir (responsabilidade) temos de melhorar a prova - recomendou.
Um dos primeiros testes do novo diretor será o tratamento que a polícia dará ao inquérito que está sendo tocado no Rio de Janeiro e que tem como alvo a transação entre a Brasil Telecom e a Gamecorp, um negócio de R$ 5 milhões, envolvendo o filho do presidente Lula e o banqueiro Daniel Dantas. Corrêa disse que a investigação está em andamento e terá um curso normal. Segundo o delegado, independente de quem seja o alvo das operações, os delegados federais vão usar "no limite" a legislação contra o crime e que as prisões continuarão sendo feitas "sem fulanizar", independente de quem esteja sendo investigado ou de pressões que a polícia possa receber.
A pressão política será neutralizada com uma prova de qualidade - disse o novo diretor.
O novo comandante da PF, embora seja ligado ao PT, afirmou não ser filiado a nenhum partido e negou proximidade com dirigentes políticos.
Vasconcelo Quadros
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A troca de comando na Polícia Federal, consumada ontem com a posse do novo diretor, Luiz Fernando Corrêa, e a saída do delegado Paulo Lacerda - convidado para dirigir a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) - marca uma guinada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas operações de impacto dirigidas à corrupção e um discreto enquadramento da corporação que tem incomodado empresários, parlamentares e membros do Judiciário.
Ligado ao PT, o novo diretor assume o cargo sob a vigência do Manual de Planejamento Operacional, uma espécie de código de regras elaborado sob o crivo do Ministério da Justiça e destinado a restringir a divulgação de prisões.
O manual recomenda a preservação da imagem, o direito à privacidade das pessoas investigadas e a presunção de inocência, na fase de apuração das operações. A PF dará continuidade às operações de impacto, mas vai evitar o vazamento de informações e restringirá ao máximo o uso de algemas e dos chiqueirinhos dos camburões onde suspeitos eram trancafiados e suas imagens exibidas. O uso do grampo telefônico como método da investigação também deverá ser restringido.
Uma boa prova suporta qualquer pressão - disse o delegado Luiz Fernando Corrêa ao anunciar que em sua gestão, a ampla divulgação que marcou a época de seu antecessor será substituída pelo rigor da prova técnica que possa manter um suspeito na cadeia.
Antes da solenidade de posse, numa entrevista a jornalistas que cobrem a PF, Lacerda havia lembrado que a metodologia implantada durante os quatro anos em que dirigiu o órgão havia sido inspirada no programa de segurança apresentado pelo PT quando Lula disputou e venceu a primeira eleição presidencial. Segundo ele, um dos artigos do programa se referia à Polícia Federal como uma espécie de caixa preta e dizia que a corporação funcionava sem o controle do governo.
Nós abrimos a caixa-preta através de uma política de transparência, profissionalizando o setor de comunicação. A caixa preta foi arrombada e a polícia passou por uma superexposição - explicou o diretor. Ele reconhece, no entanto, que essa foi uma fase da polícia e admite corrigir eventuais excessos.
Corrêa disse que colocará a Polícia Federal na "normalidade institucional", aprimorando o trabalho operacional que vinha sendo feito, criando uma lei orgânica para a carreira policial e adequando o aparelho policial para a produção de provas que respaldem as operações quando elas chegarem à justiça.
Não vamos reduzir o enfrentamento. É um processo evolutivo - disse o novo diretor, que fala em oxigenar o órgão.
Ontem mesmo ele anunciou a substituição dos sete diretores que trabalhavam com Lacerda e garantiu que, independente de quem seja o alvo das operações, "onde houver crime a polícia vai estar lá". Corrêa diz que vai trabalhar para qualificar as provas obtidas pela polícia a fim de evitar que suspeitos sejam soltos logo depois de presos.
Em vez de transferir (responsabilidade) temos de melhorar a prova - recomendou.
Um dos primeiros testes do novo diretor será o tratamento que a polícia dará ao inquérito que está sendo tocado no Rio de Janeiro e que tem como alvo a transação entre a Brasil Telecom e a Gamecorp, um negócio de R$ 5 milhões, envolvendo o filho do presidente Lula e o banqueiro Daniel Dantas. Corrêa disse que a investigação está em andamento e terá um curso normal. Segundo o delegado, independente de quem seja o alvo das operações, os delegados federais vão usar "no limite" a legislação contra o crime e que as prisões continuarão sendo feitas "sem fulanizar", independente de quem esteja sendo investigado ou de pressões que a polícia possa receber.
A pressão política será neutralizada com uma prova de qualidade - disse o novo diretor.
O novo comandante da PF, embora seja ligado ao PT, afirmou não ser filiado a nenhum partido e negou proximidade com dirigentes políticos.