antigas Publicado: 6/09/2007 | 08:34

Conselho pede cassação de Renan

Gustavo Krieger e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Com o voto aberto, integrantes do colegiado, inclusive petistas, decidiram aprovar relatório de Casagrande e Marisa Serrano. O PT vai liberar a bancada no plenário


 


O Conselho de Ética do Senado aprovou, por 11 votos a quatro, o pedido de cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele terá de enfrentar o julgamento em plenário, provavelmente na próxima quarta-feira. O próprio Renan já previa a derrota e passou a concentrar seu esforço na próxima etapa. Ontem, enquanto o Conselho julgava seu caso, ele disparava telefonemas e cartas a todos os parlamentares, convocando-os a estar em Brasília “para as votações da semana que vem”. A votação mais importante será a que vai decidir seu destino político.

A derrota no Conselho de Ética era prevista desde a semana passada, quando o órgão decidiu que o julgamento seria feito em votação aberta. A única dúvida era sobre o placar. O resultado de ontem confirmou as piores expectativas dos aliados de Renan. Ele contou apenas com os votos dos três senadores do PMDB e de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que já havia proposto o arquivamento do processo quando foi relator do caso, no início da investigação.

A maior surpresa foi a posição do PT. Os três representantes do partido no Conselho votaram pela cassação, apesar do presidente do Senado ser um aliado do governo e ter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já era esperado que Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR) votassem contra Renan. O senador João Pedro (AM), que vinha se alinhando com a defesa, mudou de lado e votou pela condenação.

Nas últimas semanas, Renan reuniu-se várias vezes com Lula e pediu ao presidente que pressionasse a bancada do PT a apoiá-lo. Até aqui, esse apoio não veio. A bancada está dividida. Dos 12 senadores, a avaliação é que entre cinco e sete sejam votos garantidos pela absolvição. Os demais se dividem entre senadores que já decidiram votar pela cassação e outros que se declaram indecisos. A líder do partido no Senado, Ideli Salvatti (SC), diz que a bancada não vai fechar posição. “Nem para um lado nem para o outro”, afirmou, garantindo que a bancada petista estará livre para votar de acordo com as convicções pessoais de cada senador. “Voto de representação por quebra de decoro é juízo pessoal”, diz.

Os aliados de Renan fizeram pouco caso do resultado. Apostam que ele será revertido no plenário, onde o voto é secreto. Esperam contar inclusive com o apoio de alguns senadores que votaram contra Renan ontem no Conselho de Ética. Seriam parlamentares que não tiveram coragem de enfrentar a opinião pública ou a orientação dos líderes de suas bancadas na votação aberta do Conselho. Nessa lista, contabilizam o petista João Pedro e nomes do DEM, como Heráclito Fortes (PI) e César Borges (BA). Durante a sessão do conselho, esses senadores reclamaram contra a divulgação de listas de supostos traidores.

Sessão


Apesar do resultado previsível, a reunião do Conselho teve alguns momentos de tensão. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) foi escolhido para desempenhar o papel de advogado de defesa de Renan. Preparou um voto em separado, com muitas críticas ao parecer dos relatores, Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). Acusou os dois de mentirem no texto em que pediram a cassação de Renan. “Afirma-se que o representado mentiu. Quem está mentindo? Se mentir ao conselho é quebrar o decoro, indago-me se a quebra de decoro não partiu da própria relatoria neste caso”, disse. A resposta veio em tom duro. Marisa Serrano reafirmou todas as acusações de seu relatório contra Renan e arrematou: “Se isso não é quebra de decoro parlamentar, não sei mais o que é”.


Gustavo Krieger e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Com o voto aberto, integrantes do colegiado, inclusive petistas, decidiram aprovar relatório de Casagrande e Marisa Serrano. O PT vai liberar a bancada no plenário


 


O Conselho de Ética do Senado aprovou, por 11 votos a quatro, o pedido de cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele terá de enfrentar o julgamento em plenário, provavelmente na próxima quarta-feira. O próprio Renan já previa a derrota e passou a concentrar seu esforço na próxima etapa. Ontem, enquanto o Conselho julgava seu caso, ele disparava telefonemas e cartas a todos os parlamentares, convocando-os a estar em Brasília “para as votações da semana que vem”. A votação mais importante será a que vai decidir seu destino político.

A derrota no Conselho de Ética era prevista desde a semana passada, quando o órgão decidiu que o julgamento seria feito em votação aberta. A única dúvida era sobre o placar. O resultado de ontem confirmou as piores expectativas dos aliados de Renan. Ele contou apenas com os votos dos três senadores do PMDB e de Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que já havia proposto o arquivamento do processo quando foi relator do caso, no início da investigação.

A maior surpresa foi a posição do PT. Os três representantes do partido no Conselho votaram pela cassação, apesar do presidente do Senado ser um aliado do governo e ter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já era esperado que Eduardo Suplicy (SP) e Augusto Botelho (RR) votassem contra Renan. O senador João Pedro (AM), que vinha se alinhando com a defesa, mudou de lado e votou pela condenação.

Nas últimas semanas, Renan reuniu-se várias vezes com Lula e pediu ao presidente que pressionasse a bancada do PT a apoiá-lo. Até aqui, esse apoio não veio. A bancada está dividida. Dos 12 senadores, a avaliação é que entre cinco e sete sejam votos garantidos pela absolvição. Os demais se dividem entre senadores que já decidiram votar pela cassação e outros que se declaram indecisos. A líder do partido no Senado, Ideli Salvatti (SC), diz que a bancada não vai fechar posição. “Nem para um lado nem para o outro”, afirmou, garantindo que a bancada petista estará livre para votar de acordo com as convicções pessoais de cada senador. “Voto de representação por quebra de decoro é juízo pessoal”, diz.

Os aliados de Renan fizeram pouco caso do resultado. Apostam que ele será revertido no plenário, onde o voto é secreto. Esperam contar inclusive com o apoio de alguns senadores que votaram contra Renan ontem no Conselho de Ética. Seriam parlamentares que não tiveram coragem de enfrentar a opinião pública ou a orientação dos líderes de suas bancadas na votação aberta do Conselho. Nessa lista, contabilizam o petista João Pedro e nomes do DEM, como Heráclito Fortes (PI) e César Borges (BA). Durante a sessão do conselho, esses senadores reclamaram contra a divulgação de listas de supostos traidores.

Sessão


Apesar do resultado previsível, a reunião do Conselho teve alguns momentos de tensão. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) foi escolhido para desempenhar o papel de advogado de defesa de Renan. Preparou um voto em separado, com muitas críticas ao parecer dos relatores, Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). Acusou os dois de mentirem no texto em que pediram a cassação de Renan. “Afirma-se que o representado mentiu. Quem está mentindo? Se mentir ao conselho é quebrar o decoro, indago-me se a quebra de decoro não partiu da própria relatoria neste caso”, disse. A resposta veio em tom duro. Marisa Serrano reafirmou todas as acusações de seu relatório contra Renan e arrematou: “Se isso não é quebra de decoro parlamentar, não sei mais o que é”.