No Senado, socos, tapas e pontapés
Correio Braziliense
Seguranças da Casa barram deputados que conseguiram liminar no Supremo para assistir à votação do caso Renan. Resultado: muita baixaria dos dois lados
O dia do julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou com cenas de pugilismo. Deputados trocaram socos e pontapés com seguranças da Polícia Legislativa antes da sessão que absolveu ontem o presidente do Senado. A confusão foi motivada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a entrada de deputados na sessão.
Acompanhados de outros colegas de Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) tentaram entrar no plenário pela porta principal. A ordem da Polícia Legislativa do Senado era liberar o acesso dos deputados apenas pela porta da tribuna, que fica ao lado. Os seguranças, então, barraram os deputados. Jungmann e Gabeira reagiram e tentaram entrar à força. Resultado: empurra-empurra e socos entre eles e os seguranças.
O deputado do PPS chegou a cair no chão. Levantou e chamou o policial para a briga. Recuou. E foi segurado por outros deputados. Um dos seguranças deixou escapar da cintura uma arma de choque paralisante. A arma, quando atinge o alvo, provoca uma descarga de 50 mil volts, derrubando-o.
No meio da confusão, o parlamentar do PV, mais franzino do que Jungmann, foi jogado contra a porta de vidro que dá acesso ao plenário. Na tentativa de defender-se, aos safanões, alcançou o rosto do vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). “Inadvertidamente, eu dei um soco em Tião, mas já nos beijamos”, afirmou, mais tarde, o deputado.
Encerrada a confusão, os deputados entraram no plenário. Aos jornalistas, Jungmann passou a criticar os seguranças. “Foi truculência. E ainda estavam com máquina de choque”, afirmou. O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo, negou o uso do equipamento. “A arma caiu do cinto do policial. Não foi usada em nenhum momento”, disse. Araújo minimizou a briga, e alegou que houve um mal-entendido, em decorrência de um problema de comunicação entre os policiais, o Senado e os deputados.
Três agentes legislativos foram ao Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Segundo a polícia do Senado, apenas no segurança Imelton Pires há sinais de algum tipo de agressão. Araújo não quis revelar o nome dos outros dois policiais. Ele pretende enviar o resultado do laudo do IML para as corregedorias do Senado e da Câmara.
Nesta última Casa, aliás, foi rápida a resposta sobre a confusão. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), prestou solidariedade aos deputados. “É inadmissível agressão a parlamentares dentro do Congresso. Se isso tivesse acontecido na Câmara seria aberta uma sindicância para apurar os fatos”, afirmou.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos autores do relatório aprovado no Conselho de Ética pela cassação de Renan, atribuiu o tumulto à permanência do presidente do Senado no posto durante o processo. “Estamos julgando um presidente que não abriu mão do cargo. Ele manda na polícia do Senado”, afirmou.
Dentro do plenário, Tião Viana responsabilizou a o Regimento do Senado, que impedia a entrada de deputados no plenário, pela confusão. “O tumulto, sem sombra de dúvida, é decorrência dessa anomalia institucional causada por decisão do nosso Regimento.”
INVESTIGAÇÃO
A Procuradoria da República no Distrito Federal, por meio do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial, requisitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias do tumulto ocorrido na entrada principal do plenário do Senado, envolvendo deputados federais e seguranças daquela Casa legislativa. As investigações têm prazo de 30 dias.
Correio Braziliense
Seguranças da Casa barram deputados que conseguiram liminar no Supremo para assistir à votação do caso Renan. Resultado: muita baixaria dos dois lados
O dia do julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou com cenas de pugilismo. Deputados trocaram socos e pontapés com seguranças da Polícia Legislativa antes da sessão que absolveu ontem o presidente do Senado. A confusão foi motivada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a entrada de deputados na sessão.
Acompanhados de outros colegas de Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) tentaram entrar no plenário pela porta principal. A ordem da Polícia Legislativa do Senado era liberar o acesso dos deputados apenas pela porta da tribuna, que fica ao lado. Os seguranças, então, barraram os deputados. Jungmann e Gabeira reagiram e tentaram entrar à força. Resultado: empurra-empurra e socos entre eles e os seguranças.
O deputado do PPS chegou a cair no chão. Levantou e chamou o policial para a briga. Recuou. E foi segurado por outros deputados. Um dos seguranças deixou escapar da cintura uma arma de choque paralisante. A arma, quando atinge o alvo, provoca uma descarga de 50 mil volts, derrubando-o.
No meio da confusão, o parlamentar do PV, mais franzino do que Jungmann, foi jogado contra a porta de vidro que dá acesso ao plenário. Na tentativa de defender-se, aos safanões, alcançou o rosto do vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). “Inadvertidamente, eu dei um soco em Tião, mas já nos beijamos”, afirmou, mais tarde, o deputado.
Encerrada a confusão, os deputados entraram no plenário. Aos jornalistas, Jungmann passou a criticar os seguranças. “Foi truculência. E ainda estavam com máquina de choque”, afirmou. O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo, negou o uso do equipamento. “A arma caiu do cinto do policial. Não foi usada em nenhum momento”, disse. Araújo minimizou a briga, e alegou que houve um mal-entendido, em decorrência de um problema de comunicação entre os policiais, o Senado e os deputados.
Três agentes legislativos foram ao Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Segundo a polícia do Senado, apenas no segurança Imelton Pires há sinais de algum tipo de agressão. Araújo não quis revelar o nome dos outros dois policiais. Ele pretende enviar o resultado do laudo do IML para as corregedorias do Senado e da Câmara.
Nesta última Casa, aliás, foi rápida a resposta sobre a confusão. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), prestou solidariedade aos deputados. “É inadmissível agressão a parlamentares dentro do Congresso. Se isso tivesse acontecido na Câmara seria aberta uma sindicância para apurar os fatos”, afirmou.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos autores do relatório aprovado no Conselho de Ética pela cassação de Renan, atribuiu o tumulto à permanência do presidente do Senado no posto durante o processo. “Estamos julgando um presidente que não abriu mão do cargo. Ele manda na polícia do Senado”, afirmou.
Dentro do plenário, Tião Viana responsabilizou a o Regimento do Senado, que impedia a entrada de deputados no plenário, pela confusão. “O tumulto, sem sombra de dúvida, é decorrência dessa anomalia institucional causada por decisão do nosso Regimento.”
INVESTIGAÇÃO
A Procuradoria da República no Distrito Federal, por meio do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial, requisitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias do tumulto ocorrido na entrada principal do plenário do Senado, envolvendo deputados federais e seguranças daquela Casa legislativa. As investigações têm prazo de 30 dias.