antigas Publicado: 14/09/2007 | 10:42

DEM, PSDB, PDT e PSol ameaçam paralisar o Senado

Fernando Exman
Gazeta Mercantil

Partidos da oposição pretendem obstruir qualquer votação presidida por Renan Calheiros. A oposição decidiu ontem tentar jogar o governo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), absolvido na quarta-feira pelo plenário da Casa da primeira representação por suposta quebra de decoro parlamentar. Cientes de que não reunirão votos suficientes para apear Renan do cargo, senadores de PSDB, DEM, PDT e PSOL resolveram passar a tentar impedir a votação de projetos importantes para o governo. Parte da bancada do PMDB e do PSB também aderiram ao movimento, apelidado de ‘pauta seletiva". Acreditam que a situação de Renan só se tornará insustentável se ele for pressionado pelo governo, que, ao ajudar a salvar seu mandato, tornou-se credor do presidente do Senado.
A oposição quer impedir a votação das medidas provisórias (MPs) com créditos suplementares para ministérios e órgãos públicos e das que não forem consideradas urgentes e relevantes. Também tentará atrapalhar a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outros projetos de lei que não tiverem apoio popular.
Os líderes da bancada governista entoam o discurso segundo o qual o Senado precisa voltar à normalidade para não prejudicar a economia e outros setores do País. Nos bastidores, no entanto, demonstram preocupação com a estratégia adotada pela oposição. Reconhecem que o único meio de apaziguar a Casa será Renan tirar uma licença ou renunciar. "Ou ele sai ou o Congresso pára", ameaçou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).
A resposta dos governistas foi imediata. Vice-líder do governo na Casa, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi à tribuna para tentar sensibilizar a oposição. "O Senado precisa fazer um esforço para voltar a funcionar normalmente, debater e aprovar as matérias importantes para o Brasil", disse o petista.
O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), co-autor do relatório que pediu a cassação de Renan e foi rejeitado pelo plenário do Senado, socorreu Delcídio. Renan foi acusado de receber a ajuda de um lobista para pagar contas pessoais. "A CPMF só chegará ao Senado em outubro. Até lá, já adequamos a situação do Senado", ponderou Casagrande. "O Senado tem que achar o caminho de funcionar normalmente e investigar o Renan. Temos que achar uma saída para votar", acrescentou.
Ontem, Renan voltou a dizer que não pretende arredar o pé da presidência do Congresso. Perguntado por jornalistas se tirará férias, foi categórico. "Não estou cansado", afirmou.
Os senadores contrários à permanência de Renan no cargo também anunciaram que não participarão de reuniões de líderes partidários comandadas por Renan. E, quando o colega presidir sessões, levarão ao plenário da Casa suas queixas. Cristovam Buarque (PDT-DF) deu início ao movimento. Renan chegou ao Senado depois de a sessão ter começado, enquanto Cristovam discursava. Logo que ocupou sua cadeira, foi fustigado pelo apelo do pedetista: "Quero dizer na sua frente, senador, que seria um gesto extremamente positivo para o Brasil, depois de o senhor ter ganhado, evitando uma cassação, que seria um gesto extremamente positivo que o senhor voltasse a ser um senador como nós graças à sua renúncia à presidência do Senado. Esse gesto traria uma paz ao Senado, daria tempo para que o senhor recuperasse toda a credibilidade pela competência que o senhor sempre demonstrou, faria com que o Senado voltasse a funcionar normalmente sob outra presidência", disse.
Renan respondeu de forma seca. Elogiou o fato de hoje haver liberdade no País para que um político critique o outro sem ser punido e mudou de assunto. "A democracia é bela porque permite momentos como este", amenizou o senador.

Fernando Exman
Gazeta Mercantil

Partidos da oposição pretendem obstruir qualquer votação presidida por Renan Calheiros. A oposição decidiu ontem tentar jogar o governo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), absolvido na quarta-feira pelo plenário da Casa da primeira representação por suposta quebra de decoro parlamentar. Cientes de que não reunirão votos suficientes para apear Renan do cargo, senadores de PSDB, DEM, PDT e PSOL resolveram passar a tentar impedir a votação de projetos importantes para o governo. Parte da bancada do PMDB e do PSB também aderiram ao movimento, apelidado de ‘pauta seletiva". Acreditam que a situação de Renan só se tornará insustentável se ele for pressionado pelo governo, que, ao ajudar a salvar seu mandato, tornou-se credor do presidente do Senado.
A oposição quer impedir a votação das medidas provisórias (MPs) com créditos suplementares para ministérios e órgãos públicos e das que não forem consideradas urgentes e relevantes. Também tentará atrapalhar a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outros projetos de lei que não tiverem apoio popular.
Os líderes da bancada governista entoam o discurso segundo o qual o Senado precisa voltar à normalidade para não prejudicar a economia e outros setores do País. Nos bastidores, no entanto, demonstram preocupação com a estratégia adotada pela oposição. Reconhecem que o único meio de apaziguar a Casa será Renan tirar uma licença ou renunciar. "Ou ele sai ou o Congresso pára", ameaçou o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).
A resposta dos governistas foi imediata. Vice-líder do governo na Casa, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi à tribuna para tentar sensibilizar a oposição. "O Senado precisa fazer um esforço para voltar a funcionar normalmente, debater e aprovar as matérias importantes para o Brasil", disse o petista.
O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), co-autor do relatório que pediu a cassação de Renan e foi rejeitado pelo plenário do Senado, socorreu Delcídio. Renan foi acusado de receber a ajuda de um lobista para pagar contas pessoais. "A CPMF só chegará ao Senado em outubro. Até lá, já adequamos a situação do Senado", ponderou Casagrande. "O Senado tem que achar o caminho de funcionar normalmente e investigar o Renan. Temos que achar uma saída para votar", acrescentou.
Ontem, Renan voltou a dizer que não pretende arredar o pé da presidência do Congresso. Perguntado por jornalistas se tirará férias, foi categórico. "Não estou cansado", afirmou.
Os senadores contrários à permanência de Renan no cargo também anunciaram que não participarão de reuniões de líderes partidários comandadas por Renan. E, quando o colega presidir sessões, levarão ao plenário da Casa suas queixas. Cristovam Buarque (PDT-DF) deu início ao movimento. Renan chegou ao Senado depois de a sessão ter começado, enquanto Cristovam discursava. Logo que ocupou sua cadeira, foi fustigado pelo apelo do pedetista: "Quero dizer na sua frente, senador, que seria um gesto extremamente positivo para o Brasil, depois de o senhor ter ganhado, evitando uma cassação, que seria um gesto extremamente positivo que o senhor voltasse a ser um senador como nós graças à sua renúncia à presidência do Senado. Esse gesto traria uma paz ao Senado, daria tempo para que o senhor recuperasse toda a credibilidade pela competência que o senhor sempre demonstrou, faria com que o Senado voltasse a funcionar normalmente sob outra presidência", disse.
Renan respondeu de forma seca. Elogiou o fato de hoje haver liberdade no País para que um político critique o outro sem ser punido e mudou de assunto. "A democracia é bela porque permite momentos como este", amenizou o senador.