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Publicado: 17/09/2007 | 09:34
Perdas de R$ 1 bilhão
Edson Luiz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PF prende 520 pessoas, em dois anos, acusadas de roubo pela rede. Atuação dos novos hackers na captura de informações bancárias é considerada caso de segurança pública pelas autoridades
Nos últimos quatro anos, 18 operações realizadas pela Polícia Federal trouxeram à tona uma nova modalidade de crime: o assalto a banco pela internet. O que se imaginava ser tão difícil acontecer, hoje é crime corriqueiro no Brasil, com prejuízos incalculáveis para as instituições financeiras, para a economia do país e para a população. A PF não tem números fechados, mas o rombo pode chegar a R$ 1 bilhão, levando-se em conta que apenas uma quadrilha presa em 2004 tinha roubado R$ 240 milhões por meio de e-mails falsos.
Outra modalidade de crime tecnológico é a instalação de chips nos caixas eletrônicos que capturam as informações do correntista. O negócio tornou-se tão lucrativo que criminosos presos, na última quinta-feira, fabricavam seus próprios chips, também chamados de chupa-cabra.
Nos últimos dois anos, a PF prendeu 520 pessoas acusadas de roubo pela internet. Na Operação Cavalo de Tróia 2, realizada em 2004, mais de 60 pessoas foram detidas, sendo que 18 eram reincidentes. “Há três anos, o nosso maior volume de trabalho nessa área era no combate à exploração sexual de crianças. Atualmente o perfil é outro”, diz Paulo Quintiliano da Silva, chefe do Serviço de Perícias em Informática do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da PF.
No caso de e-mails falsos, as mensagens são normalmente voltadas para o dia-a-dia das pessoas (veja quadro). Mais sofisticados, o segundo método também conta com a colaboração de funcionários que fazem a manutenção dos caixas eletrônicos e até mesmo de servidores de bancos. Com a ajuda deles, são colocados dispositivos que fazem a captura das informações do cliente que está fazendo a transação bancária.
“Os hackers não são mais como antigamente, quando se tinha a imagem romântica de uma pessoa inteligente que fazia invasões para mostrar que era bom nisso. Hoje, usam isso para obter dinheiro de maneira criminosa”, afirma Quintiliano. Somente este ano, dos cerca de 26 mil laudos produzidos pelo INC, 10% estão relacionados a crimes por internet. “O combate aos delitos cibernéticos não são apenas sofisticados, mas virou caso de segurança pública.”
Nem mesmo a Polícia Federal escapou. Recentemente, o nome do delegado Daniel Sampaio, ex-superintendente da PF em Brasília, e atual coordenador-geral de Defesa Institucional da corporação, estava sendo usado em mensagens falsas de aviso de processos. Para obter detalhes do caso, o internauta precisava acessar um link. Quem o fez, com certeza foi mais uma vítima da quadrilha.
Os novos hackers não trabalham só e se dividem em grupos. No centro da organização atuam o programador e o explorador de programas, que são as pessoas encarregadas de criar os sites, as mensagens eletrônicas falsas e os vírus que são anexados aos e-mails. Em seguida, vem os chamados “cartãozeiros”, também conhecidos como “carteiros” ou “biscoteiros”, responsáveis pela aquisição dos cartões bancários e pela arrecadação de boletos quitados pela internet. São eles também que fazem os saques nos caixas eletrônicos. O nível mais baixo é o dos “laranjas”, pessoas que emprestam seus nomes para abertura de contas, onde o dinheiro desviado é depositado.
A legislação brasileira divide os crimes cibernéticos em dois tipos: os próprios e os impróprios, sendo que no primeiro é tratado como invasão de informação e não há tipificação criminal. No segundo, a lei existe e é aplicada . Hoje, a maior parte dos presos nas operações da PF são indiciados por formação de quadrilha, estelionato e violação de sigilo bancário.
Edson Luiz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PF prende 520 pessoas, em dois anos, acusadas de roubo pela rede. Atuação dos novos hackers na captura de informações bancárias é considerada caso de segurança pública pelas autoridades
Nos últimos quatro anos, 18 operações realizadas pela Polícia Federal trouxeram à tona uma nova modalidade de crime: o assalto a banco pela internet. O que se imaginava ser tão difícil acontecer, hoje é crime corriqueiro no Brasil, com prejuízos incalculáveis para as instituições financeiras, para a economia do país e para a população. A PF não tem números fechados, mas o rombo pode chegar a R$ 1 bilhão, levando-se em conta que apenas uma quadrilha presa em 2004 tinha roubado R$ 240 milhões por meio de e-mails falsos.
Outra modalidade de crime tecnológico é a instalação de chips nos caixas eletrônicos que capturam as informações do correntista. O negócio tornou-se tão lucrativo que criminosos presos, na última quinta-feira, fabricavam seus próprios chips, também chamados de chupa-cabra.
Nos últimos dois anos, a PF prendeu 520 pessoas acusadas de roubo pela internet. Na Operação Cavalo de Tróia 2, realizada em 2004, mais de 60 pessoas foram detidas, sendo que 18 eram reincidentes. “Há três anos, o nosso maior volume de trabalho nessa área era no combate à exploração sexual de crianças. Atualmente o perfil é outro”, diz Paulo Quintiliano da Silva, chefe do Serviço de Perícias em Informática do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da PF.
No caso de e-mails falsos, as mensagens são normalmente voltadas para o dia-a-dia das pessoas (veja quadro). Mais sofisticados, o segundo método também conta com a colaboração de funcionários que fazem a manutenção dos caixas eletrônicos e até mesmo de servidores de bancos. Com a ajuda deles, são colocados dispositivos que fazem a captura das informações do cliente que está fazendo a transação bancária.
“Os hackers não são mais como antigamente, quando se tinha a imagem romântica de uma pessoa inteligente que fazia invasões para mostrar que era bom nisso. Hoje, usam isso para obter dinheiro de maneira criminosa”, afirma Quintiliano. Somente este ano, dos cerca de 26 mil laudos produzidos pelo INC, 10% estão relacionados a crimes por internet. “O combate aos delitos cibernéticos não são apenas sofisticados, mas virou caso de segurança pública.”
Nem mesmo a Polícia Federal escapou. Recentemente, o nome do delegado Daniel Sampaio, ex-superintendente da PF em Brasília, e atual coordenador-geral de Defesa Institucional da corporação, estava sendo usado em mensagens falsas de aviso de processos. Para obter detalhes do caso, o internauta precisava acessar um link. Quem o fez, com certeza foi mais uma vítima da quadrilha.
Os novos hackers não trabalham só e se dividem em grupos. No centro da organização atuam o programador e o explorador de programas, que são as pessoas encarregadas de criar os sites, as mensagens eletrônicas falsas e os vírus que são anexados aos e-mails. Em seguida, vem os chamados “cartãozeiros”, também conhecidos como “carteiros” ou “biscoteiros”, responsáveis pela aquisição dos cartões bancários e pela arrecadação de boletos quitados pela internet. São eles também que fazem os saques nos caixas eletrônicos. O nível mais baixo é o dos “laranjas”, pessoas que emprestam seus nomes para abertura de contas, onde o dinheiro desviado é depositado.
A legislação brasileira divide os crimes cibernéticos em dois tipos: os próprios e os impróprios, sendo que no primeiro é tratado como invasão de informação e não há tipificação criminal. No segundo, a lei existe e é aplicada . Hoje, a maior parte dos presos nas operações da PF são indiciados por formação de quadrilha, estelionato e violação de sigilo bancário.