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Publicado: 18/09/2007 | 09:14
Ex-servidor faz novas acusações
Ana Maria Campos
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Geraldo Batista, que trabalhou no gabinete de Érika Kokay, denuncia repasses de parte do salário para conta corrente de funcionário graduado da distrital. Defesa da petista diz tratar-se de empréstimo
Autor das denúncias contra a deputada Érika Kokay (PT), Geraldo Batista Júnior prestou depoimento ontem ao corregedor da Câmara Legislativa, Rôney Nemer (PMDB), e fez novos ataques à petista. Depois de dizer que manteve uma conta-laranja para movimentar recursos ilícitos em favor da distrital, agora ele afirma que durante um período, quando exercia função comissionada no gabinete de Kokay, repassou parte do salário para a conta corrente do braço direito da distrital, Alair Vargas.
No depoimento, ele afirmou que teve uma promoção salarial e foi obrigado a devolver R$ 1 mil por mês. Geraldo Batista apresentou dois depósitos de R$ 1 mil feitos nos meses de janeiro e maio de 2004. O dinheiro era repassado para Alair. Parte desses recursos teriam sido entregues diretamente para Kokay ou para outras pessoas que trabalham para a distrital. Geraldo Batista também sustentou que a deputada sabia de tudo e, inclusive, teria lhe pedido pessoalmente que abrisse a conta corrente para a movimentação de recursos não contabilizados.
Ex-servidor do gabinete da distrital até o fim de agosto, quando pediu demissão e protocolou representações contra Kokay, Geraldo Batista também entregou ontem a Nemer uma procuração pela qual o empresário Mauro Dutra, antigo colaborador de campanhas petistas no Distrito Federal, deu poderes para que um caminhão em seu nome fosse transferido para a distrital. Ele afirma que Kokay ganhou de presente o carro que é usado para mobilizações de campanhas.
Pelo documento, Geraldo Batista recebeu autorização de Mauro Dutra para tratar de burocracias do veículo no Departamento de Trânsito (Detran). A assessoria de imprensa da distrital confirmou a negociação com Mauro Dutra, dono da empresa Novadata, do ramo de informática. Mas disse que o caminhão foi comprado por R$ 19,3 mil, em janeiro de 2003, em 24 prestações de R$ 1.466,47. Érika Kokay admite que a conta de Geraldo Batista tinha uma movimentação suspeita.
O ex-servidor diz que uma pessoa da confiança da petista, Alair Passos, era o responsável pelos depósitos e saques feitos na conta de Geraldo Batista. Aliado da distrital, o tesoureiro afastado do Sindicato dos Bancários, João Batista Machado, recebeu R$ 21 mil. A deputada, no entanto, afirma que nunca soube da existência da conta. Ela afirma que vem sendo vítima de um complô feito por inimigos para desmoralizar sua atuação na Câmara Legislativa. A assessoria de imprensa da deputada informou ontem que Alair Vargas de fato recebeu transferências financeiras de Geraldo Batista. Mas o dinheiro seria proveniente do pagamento de um empréstimo feito ao servidor quando este era funcionário do gabinete de Kokay.
Para Rôney Nemer, uma das informações mais relevantes nas diligências de ontem foi a confirmação feita por Geraldo Batista de que a distrital sabia da movimentação irregular. “Ele apresentou uma lista com supostos depósitos feitos na conta-laranja”, disse Nemer.
O mais importante é que Ele (Geraldo Batista) apresentou uma lista com supostos depósitos feitos na conta-laranja
Rôney Nemer, corregedor da Câmara
Atribuições limitadas
A investigação da Câmara Legislativa sobre o caso Érika Kokay (PT) enfrenta um impasse. Para distritais, não há mais dúvida de que o algoz da distrital, Geraldo Batista Júnior, movimentou recursos ilegais numa conta-laranja. O problema é que a corregedoria e a Comissão de Ética da Casa não têm competência para quebrar sigilos bancários para ampliar a investigação. Por isso, todas as informações sobre as contas são apresentadas por duas partes envolvidas — a defesa ou a acusação.
Não há como requisitar outras informações sigilosas não contaminadas pelos interesses de cada lado. Todas as informações disponíveis serão analisados pelo corregedor Rôney Nemer (PMDB) até a próxima semana. O prazo para conclusão do parecer prévio que será encaminhado à Comissão de Ética termina segunda-feira. Ciente de que precisa convencer colegas de que não sabia da conta, Kokay pensa em pedir a Nemer para prestar depoimento. Ela já apresentou defesa. Mas estuda a possibilidade de responder pessoalmente a todos os questionamentos e dúvidas do corregedor. Pode ser que isso ocorra até o fim da semana.
Na Comissão de Ética, o resultado é imprevisível. Mas pelo menos dois dos cinco distritais que integram a comissão, Paulo Tadeu (PT) e José Antônio Reguffe (PDT), já deram demonstrações de que votarão a favor de Kokay se não aparecer uma prova que considerem contundente de que ela usou ou sabia da conta em nome de Geraldo Batista. (AMC).
Ana Maria Campos
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Geraldo Batista, que trabalhou no gabinete de Érika Kokay, denuncia repasses de parte do salário para conta corrente de funcionário graduado da distrital. Defesa da petista diz tratar-se de empréstimo
Autor das denúncias contra a deputada Érika Kokay (PT), Geraldo Batista Júnior prestou depoimento ontem ao corregedor da Câmara Legislativa, Rôney Nemer (PMDB), e fez novos ataques à petista. Depois de dizer que manteve uma conta-laranja para movimentar recursos ilícitos em favor da distrital, agora ele afirma que durante um período, quando exercia função comissionada no gabinete de Kokay, repassou parte do salário para a conta corrente do braço direito da distrital, Alair Vargas.
No depoimento, ele afirmou que teve uma promoção salarial e foi obrigado a devolver R$ 1 mil por mês. Geraldo Batista apresentou dois depósitos de R$ 1 mil feitos nos meses de janeiro e maio de 2004. O dinheiro era repassado para Alair. Parte desses recursos teriam sido entregues diretamente para Kokay ou para outras pessoas que trabalham para a distrital. Geraldo Batista também sustentou que a deputada sabia de tudo e, inclusive, teria lhe pedido pessoalmente que abrisse a conta corrente para a movimentação de recursos não contabilizados.
Ex-servidor do gabinete da distrital até o fim de agosto, quando pediu demissão e protocolou representações contra Kokay, Geraldo Batista também entregou ontem a Nemer uma procuração pela qual o empresário Mauro Dutra, antigo colaborador de campanhas petistas no Distrito Federal, deu poderes para que um caminhão em seu nome fosse transferido para a distrital. Ele afirma que Kokay ganhou de presente o carro que é usado para mobilizações de campanhas.
Pelo documento, Geraldo Batista recebeu autorização de Mauro Dutra para tratar de burocracias do veículo no Departamento de Trânsito (Detran). A assessoria de imprensa da distrital confirmou a negociação com Mauro Dutra, dono da empresa Novadata, do ramo de informática. Mas disse que o caminhão foi comprado por R$ 19,3 mil, em janeiro de 2003, em 24 prestações de R$ 1.466,47. Érika Kokay admite que a conta de Geraldo Batista tinha uma movimentação suspeita.
O ex-servidor diz que uma pessoa da confiança da petista, Alair Passos, era o responsável pelos depósitos e saques feitos na conta de Geraldo Batista. Aliado da distrital, o tesoureiro afastado do Sindicato dos Bancários, João Batista Machado, recebeu R$ 21 mil. A deputada, no entanto, afirma que nunca soube da existência da conta. Ela afirma que vem sendo vítima de um complô feito por inimigos para desmoralizar sua atuação na Câmara Legislativa. A assessoria de imprensa da deputada informou ontem que Alair Vargas de fato recebeu transferências financeiras de Geraldo Batista. Mas o dinheiro seria proveniente do pagamento de um empréstimo feito ao servidor quando este era funcionário do gabinete de Kokay.
Para Rôney Nemer, uma das informações mais relevantes nas diligências de ontem foi a confirmação feita por Geraldo Batista de que a distrital sabia da movimentação irregular. “Ele apresentou uma lista com supostos depósitos feitos na conta-laranja”, disse Nemer.
O mais importante é que Ele (Geraldo Batista) apresentou uma lista com supostos depósitos feitos na conta-laranja
Rôney Nemer, corregedor da Câmara
Atribuições limitadas
A investigação da Câmara Legislativa sobre o caso Érika Kokay (PT) enfrenta um impasse. Para distritais, não há mais dúvida de que o algoz da distrital, Geraldo Batista Júnior, movimentou recursos ilegais numa conta-laranja. O problema é que a corregedoria e a Comissão de Ética da Casa não têm competência para quebrar sigilos bancários para ampliar a investigação. Por isso, todas as informações sobre as contas são apresentadas por duas partes envolvidas — a defesa ou a acusação.
Não há como requisitar outras informações sigilosas não contaminadas pelos interesses de cada lado. Todas as informações disponíveis serão analisados pelo corregedor Rôney Nemer (PMDB) até a próxima semana. O prazo para conclusão do parecer prévio que será encaminhado à Comissão de Ética termina segunda-feira. Ciente de que precisa convencer colegas de que não sabia da conta, Kokay pensa em pedir a Nemer para prestar depoimento. Ela já apresentou defesa. Mas estuda a possibilidade de responder pessoalmente a todos os questionamentos e dúvidas do corregedor. Pode ser que isso ocorra até o fim da semana.
Na Comissão de Ética, o resultado é imprevisível. Mas pelo menos dois dos cinco distritais que integram a comissão, Paulo Tadeu (PT) e José Antônio Reguffe (PDT), já deram demonstrações de que votarão a favor de Kokay se não aparecer uma prova que considerem contundente de que ela usou ou sabia da conta em nome de Geraldo Batista. (AMC).