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Publicado: 19/09/2007 | 09:37
Cem mil cartas estão paradas em depósito dos Correios
Felipe Sáles
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
Entre as cerca de 100 mil correspondências que se acumulam nos Centros de Triagem de Encomendas (CTE) dos Correios estão quatro contas vencidas do motorista Alexandre Cesar Pereira, de 32 anos. Só em multas pelo atraso no pagamento ele calcula que deverá pagar mais da metade do seu salário de R$ 872. O martírio vivido por Alexandre será resolvido na Justiça, mas poderá se estender ainda pelo mês seguinte: depois de uma semana de paralisação e duas reuniões com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a greve dos Correios, ao que parece, ainda está longe do fim.
O Jornal do Brasil teve acesso com exclusividade ao interior do edifício central dos Correios, na Cidade Nova, onde quilos de correspondências se acumulam sem um destino final. Enquanto cerca de duas mil pessoas do movimento grevista protestavam em frente ao edifício, um funcionário que não aderiu à greve trabalhava sozinho na devolução das cartas. Segundo ele, as correspondências foram remetidas pelo CTE de Benfica e estavam sendo devolvidas para lá porque não havia condições de entregá-las.
Algumas cartas estão aqui desde a semana passada. Não temos condições de fazer a entrega. O chefe de Benfica mandou remeter tudo de volta para ficar num depósito de lá - conta o funcionário sem se identificar.
A assessoria dos Correios nega que o serviço esteja paralisado e diz apenas que há em torno de 20% de carga retida. Até o fechamento desta edição, a assessoria dos Correios não informou a quantidade das "cargas retidas", mas ressaltou que todas as cartas continuam sendo entregues no mesmo dia. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio (Sindect-Rio), porém, diz que cerca de 25 mil correspondências estão deixando de ser entregues diariamente.
Os números são conflitantes também com relação ao movimento grevista: o sindicato fala em 70% de adesão enquanto os Correios afirmam que apenas 20% dos funcionários pararam. A empresa, porém, admite que a greve provocou a paralisação por tempo indeterminado dos serviços de Sedex 10 (entrega até as 10 horas do dia seguinte), Sedex Hoje (entrega no mesmo dia) e do Disque Coleta (serviço prestado a pessoas jurídicas para coleta de encomendas em escritórios).
Segundo o Sindect-Rio, cerca de 7.500 trabalhadores cruzaram os braços. O Rio é uma das cidades com maior índice de adesão à greve, de acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). O movimento grevista concentra-se no setor dos funcionários encarregados pela distribuição das correspondências, como carteiros, motoristas e funcionários encarregados da preparação e triagem do material.
Ontem, o ministro das Comunicações reuniu-se novamente com os grevistas. A principal proposta era que todos receberiam um aumento de R$ 10 a partir de 1º de Abril, justamente o Dia da Mentira - motivo pelo qual a proposta foi recebida como piada pelos funcionários. A graça dessa "piada", porém, ficou por conta de Alexandre Pereira.
Amanhã (hoje) vou procurar a Justiça e entrar com um processo contra os Correios. No fim das contas, quem fica com as dívidas somos nós - desabafa o motorista.
Felipe Sáles
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
Entre as cerca de 100 mil correspondências que se acumulam nos Centros de Triagem de Encomendas (CTE) dos Correios estão quatro contas vencidas do motorista Alexandre Cesar Pereira, de 32 anos. Só em multas pelo atraso no pagamento ele calcula que deverá pagar mais da metade do seu salário de R$ 872. O martírio vivido por Alexandre será resolvido na Justiça, mas poderá se estender ainda pelo mês seguinte: depois de uma semana de paralisação e duas reuniões com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a greve dos Correios, ao que parece, ainda está longe do fim.
O Jornal do Brasil teve acesso com exclusividade ao interior do edifício central dos Correios, na Cidade Nova, onde quilos de correspondências se acumulam sem um destino final. Enquanto cerca de duas mil pessoas do movimento grevista protestavam em frente ao edifício, um funcionário que não aderiu à greve trabalhava sozinho na devolução das cartas. Segundo ele, as correspondências foram remetidas pelo CTE de Benfica e estavam sendo devolvidas para lá porque não havia condições de entregá-las.
Algumas cartas estão aqui desde a semana passada. Não temos condições de fazer a entrega. O chefe de Benfica mandou remeter tudo de volta para ficar num depósito de lá - conta o funcionário sem se identificar.
A assessoria dos Correios nega que o serviço esteja paralisado e diz apenas que há em torno de 20% de carga retida. Até o fechamento desta edição, a assessoria dos Correios não informou a quantidade das "cargas retidas", mas ressaltou que todas as cartas continuam sendo entregues no mesmo dia. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio (Sindect-Rio), porém, diz que cerca de 25 mil correspondências estão deixando de ser entregues diariamente.
Os números são conflitantes também com relação ao movimento grevista: o sindicato fala em 70% de adesão enquanto os Correios afirmam que apenas 20% dos funcionários pararam. A empresa, porém, admite que a greve provocou a paralisação por tempo indeterminado dos serviços de Sedex 10 (entrega até as 10 horas do dia seguinte), Sedex Hoje (entrega no mesmo dia) e do Disque Coleta (serviço prestado a pessoas jurídicas para coleta de encomendas em escritórios).
Segundo o Sindect-Rio, cerca de 7.500 trabalhadores cruzaram os braços. O Rio é uma das cidades com maior índice de adesão à greve, de acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). O movimento grevista concentra-se no setor dos funcionários encarregados pela distribuição das correspondências, como carteiros, motoristas e funcionários encarregados da preparação e triagem do material.
Ontem, o ministro das Comunicações reuniu-se novamente com os grevistas. A principal proposta era que todos receberiam um aumento de R$ 10 a partir de 1º de Abril, justamente o Dia da Mentira - motivo pelo qual a proposta foi recebida como piada pelos funcionários. A graça dessa "piada", porém, ficou por conta de Alexandre Pereira.
Amanhã (hoje) vou procurar a Justiça e entrar com um processo contra os Correios. No fim das contas, quem fica com as dívidas somos nós - desabafa o motorista.