antigas Publicado: 27/09/2007 | 09:02

Acaba sessão secreta no Senado

Leandro Colon
Correio Braziliense

De agora em diante, acusados por quebra de decoro terão julgamento aberto no plenário da Casa. Com “ajuda” de Renan, a aprovação da proposta foi unânine. Mesmo assim, o voto continua sob sigilo

Quinze dias depois de absolver seu presidente, o Senado aprovou ontem, por unanimidade, o projeto de resolução que acaba com a sessão secreta em votações que tratam de cassação de mandato. Agora, os outros três processos contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), serão votados em sessão aberta caso o Conselho de Ética aprove a perda do mandato do senador.

A aprovação desse projeto é uma tentativa de reação dos senadores à cobrança pela absolvição de Renan no último dia 12. O senador alagoano respondia a um processo sobre a acusação de que recebeu ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais. E se livrou com 40 votos a favor, seis abstenções e 35 pela cassação, seis a menos que o necessário.

Senadores da base do governo e da oposição prometeram então uma série de medidas para tentar melhorar a imagem da Casa depois dessa votação. Acabar com a sessão secreta foi, na avaliação deles, o primeiro passo. A votação de ontem fez parte de um acordo entre aliados de Renan e senadores da oposição que incluiu a votação de cinco medidas provisórias que trancavam a pauta.

A sessão começou por volta das 17h e terminou somente às 23h. Para aceitar o acordo, o presidente do Senado recebeu a promessa de seus aliados de que não passará a emenda constitucional que acaba com o voto secreto. Renan aposta nesse sigilo para se salvar nas outras investigações.

A oposição promete agora pressionar pela aprovação dessa emenda, embora saiba da resistência de Renan. Essa proposta só entrará em discussão na semana que vem. Os senadores trabalham com a expectativa de colocá-la em votação na segunda semana de outubro.

Por ser uma alteração na Constituição, precisará de votação em dois turnos na Câmara e no Senado. Até lá, Renan acredita que o Senado estará mais preocupado com a prorrogação da CPMF. Pela manhã de ontem, ele não escondeu a preferência pelo voto secreto. “O voto secreto foi uma conquista da democracia. Existe para proteger as pessoas da pressão do poder político, do poder econômico e também hoje de setores da própria mídia. O voto secreto existe para isso porque senão as pessoas se sentirão pressionadas”, afirmou.

Renan presidiu a votação de ontem. Não foi hostilizado pelos colegas. Mas teve que ouvir uma alfinetada do líder do DEM, José Agripino (RN). “Está em jogo a credibilidade da instituição. Está no nosso voto a recuperação da dignidade do Brasil”, disse. Renan e o PMDB, aliás, aproveitaram a votação de uma das MPs para mandar recado ao governo. E também ao PT, que vem pedindo seu afastamento.

Os peemedebistas deram votos suficientes para derrubar a criação da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo e 660 cargos comissionados em órgãos do governo. Embora tenham gostado da iniciativa do PMDB, DEM e PSDB avaliaram que o racha na base aliada ofuscou a aprovação do fim da sessão secreta.

Protesto
A crise que desde maio envolve Renan, levou ontem um grupo de 20 pessoas, entre funcionários públicos e integrantes de uma associação de Ribeirão Bonito (no interior paulista), a fazer um protesto em frente ao Congresso. Munidos com faixas com os dizeres “Voto secreto, voto covarde”, “Senado Federal vergonha nacional”, “Predadores da ética” e “Traidores da democracia”, os manifestantes ficaram do lado de fora. Eles, porém, se posicionaram estrategicamente em frente a janelas que ficam próximas do plenário, um dos pontos de maior movimento. 
 

Adiamento na CCJ
Um pedido de vista coletiva adiou a votação do projeto de resolução que determina o afastamento dos senadores que respondam a processos no Conselho de Ética de cargos da Mesa Diretora ou da presidência de comissões parlamentares. O projeto deveria ser votado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado como parte do acordo da oposição para desobstruir a pauta de votações.

O relatório do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) propõe que o órgão ao qual o senador investigado faz parte decida, por votação, sobre seu afastamento. Segundo o relator, a intenção é evitar que qualquer divergência política resulte em uma representação e afaste os senadores sem provas concretas. “Os julgamentos seriam feitos pelos plenários. No caso do acusado ser um membro da Mesa, o plenário da Casa decidirá. Se for presidente de uma comissão, a decisão será tomada pelo plenário da comissão à qual o acusado faz parte”, disse. A proposta deve retornar à pauta na semana que vem.

Leandro Colon
Correio Braziliense

De agora em diante, acusados por quebra de decoro terão julgamento aberto no plenário da Casa. Com “ajuda” de Renan, a aprovação da proposta foi unânine. Mesmo assim, o voto continua sob sigilo

Quinze dias depois de absolver seu presidente, o Senado aprovou ontem, por unanimidade, o projeto de resolução que acaba com a sessão secreta em votações que tratam de cassação de mandato. Agora, os outros três processos contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), serão votados em sessão aberta caso o Conselho de Ética aprove a perda do mandato do senador.

A aprovação desse projeto é uma tentativa de reação dos senadores à cobrança pela absolvição de Renan no último dia 12. O senador alagoano respondia a um processo sobre a acusação de que recebeu ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais. E se livrou com 40 votos a favor, seis abstenções e 35 pela cassação, seis a menos que o necessário.

Senadores da base do governo e da oposição prometeram então uma série de medidas para tentar melhorar a imagem da Casa depois dessa votação. Acabar com a sessão secreta foi, na avaliação deles, o primeiro passo. A votação de ontem fez parte de um acordo entre aliados de Renan e senadores da oposição que incluiu a votação de cinco medidas provisórias que trancavam a pauta.

A sessão começou por volta das 17h e terminou somente às 23h. Para aceitar o acordo, o presidente do Senado recebeu a promessa de seus aliados de que não passará a emenda constitucional que acaba com o voto secreto. Renan aposta nesse sigilo para se salvar nas outras investigações.

A oposição promete agora pressionar pela aprovação dessa emenda, embora saiba da resistência de Renan. Essa proposta só entrará em discussão na semana que vem. Os senadores trabalham com a expectativa de colocá-la em votação na segunda semana de outubro.

Por ser uma alteração na Constituição, precisará de votação em dois turnos na Câmara e no Senado. Até lá, Renan acredita que o Senado estará mais preocupado com a prorrogação da CPMF. Pela manhã de ontem, ele não escondeu a preferência pelo voto secreto. “O voto secreto foi uma conquista da democracia. Existe para proteger as pessoas da pressão do poder político, do poder econômico e também hoje de setores da própria mídia. O voto secreto existe para isso porque senão as pessoas se sentirão pressionadas”, afirmou.

Renan presidiu a votação de ontem. Não foi hostilizado pelos colegas. Mas teve que ouvir uma alfinetada do líder do DEM, José Agripino (RN). “Está em jogo a credibilidade da instituição. Está no nosso voto a recuperação da dignidade do Brasil”, disse. Renan e o PMDB, aliás, aproveitaram a votação de uma das MPs para mandar recado ao governo. E também ao PT, que vem pedindo seu afastamento.

Os peemedebistas deram votos suficientes para derrubar a criação da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo e 660 cargos comissionados em órgãos do governo. Embora tenham gostado da iniciativa do PMDB, DEM e PSDB avaliaram que o racha na base aliada ofuscou a aprovação do fim da sessão secreta.

Protesto
A crise que desde maio envolve Renan, levou ontem um grupo de 20 pessoas, entre funcionários públicos e integrantes de uma associação de Ribeirão Bonito (no interior paulista), a fazer um protesto em frente ao Congresso. Munidos com faixas com os dizeres “Voto secreto, voto covarde”, “Senado Federal vergonha nacional”, “Predadores da ética” e “Traidores da democracia”, os manifestantes ficaram do lado de fora. Eles, porém, se posicionaram estrategicamente em frente a janelas que ficam próximas do plenário, um dos pontos de maior movimento. 
 

Adiamento na CCJ
Um pedido de vista coletiva adiou a votação do projeto de resolução que determina o afastamento dos senadores que respondam a processos no Conselho de Ética de cargos da Mesa Diretora ou da presidência de comissões parlamentares. O projeto deveria ser votado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado como parte do acordo da oposição para desobstruir a pauta de votações.

O relatório do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) propõe que o órgão ao qual o senador investigado faz parte decida, por votação, sobre seu afastamento. Segundo o relator, a intenção é evitar que qualquer divergência política resulte em uma representação e afaste os senadores sem provas concretas. “Os julgamentos seriam feitos pelos plenários. No caso do acusado ser um membro da Mesa, o plenário da Casa decidirá. Se for presidente de uma comissão, a decisão será tomada pelo plenário da comissão à qual o acusado faz parte”, disse. A proposta deve retornar à pauta na semana que vem.