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Publicado: 28/09/2007 | 08:31
PF lidera ranking de confiança
Solano Nascimento
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pesquisa mostra a Polícia Federal como a instituição em que a população deposita maiores esperanças no combate à corrupção. Mais de 80% dos entrevistados desconfiam de deputados e senadores
Entre os dias 4 e 20 de agosto, pesquisadores perguntaram a brasileiros qual é a instituição na qual eles mais confiam e qual deve ser a mais relevante no combate à corrupção. Eram dias em que veículos de comunicação de todo o país mostravam o Supremo Tribunal Federal (STF) preparando o julgamento, que começaria no dia 22, do caso do mensalão, e o Senado discutindo a possibilidade de cassar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa. A resposta ao levantamento: a Polícia Federal foi considerada a instituição mais confiável do país e também aquela na qual os entrevistados mais depositam a esperança de combate à corrupção.
Feita numa parceria entre a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), a Universidade de Brasília (UnB) e a Opinião Consultoria, a pesquisa ouviu 2,1 mil pessoas. Da amostra, 75,5% consideraram a PF a instituição mais confiável. Em segundo lugar, aparecem as Forças Armadas, citadas por 74,7% dos entrevistados, e em terceiro ficou o juizado de pequenas causas, mencionado em 71,8% das respostas. Em relação ao combate à corrupção, a PF, com 25,1% das referências, está à frente do Ministério Público (22,8%), da sociedade civil (12,9%), do Judiciário (9,7%) e do Tribunal de Contas da União (5%).
Para Ricardo Caldas, professor do Instituto de Ciência Política (Ipol) da UnB, chama a atenção a relação entre o terceiro e o quarto lugar da lista. “A sociedade confia mais nela mesma que no Judiciário para combater a corrupção”, afirmou. A pesquisa foi feita por telefone, o que deixou fora da amostra os brasileiros que não dispõem desse meio de comunicação. “Isso não altera muito o resultado”, disse David Lima, da Opinião. Quem aparece mal, como um todo, é o Poder Legislativo. A Câmara dos Deputados e o Senado têm altos níveis de desconfiança — 83,1% e 80,7%, respectivamente —, e vereadores não são confiáveis para 74,1% dos entrevistados.
Otimismo e reforma
Ainda que demonstrem altos níveis de desconfiança em relação a quase todas as principais instituições do país, brasileiros não são pessimistas quanto à possibilidade de mudança do cenário atual. Perguntados se a corrupção pode ser combatida, 84,9% dos entrevistados disseram que sim, e 14,1% responderam negativamente. A AMB, uma das maiores defensoras da realização da reforma política no país, incluiu uma questão sobre o tema na pesquisa, e 95,4% dos entrevistados disseram considerar o assunto importante.
Para os responsáveis pelo levantamento, não é certo, no entanto, que a população tenha consciência do que deve ser feito. “A sociedade não sabe quais são as possibilidades”, disse Ricardo Caldas, da UnB. Rodrigo Collaço, presidente da AMB, afirmou não ter sido possível esclarecer a população a respeito de itens dos sistemas eleitoral e político que precisam ser alterados.
Solano Nascimento
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pesquisa mostra a Polícia Federal como a instituição em que a população deposita maiores esperanças no combate à corrupção. Mais de 80% dos entrevistados desconfiam de deputados e senadores
Entre os dias 4 e 20 de agosto, pesquisadores perguntaram a brasileiros qual é a instituição na qual eles mais confiam e qual deve ser a mais relevante no combate à corrupção. Eram dias em que veículos de comunicação de todo o país mostravam o Supremo Tribunal Federal (STF) preparando o julgamento, que começaria no dia 22, do caso do mensalão, e o Senado discutindo a possibilidade de cassar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa. A resposta ao levantamento: a Polícia Federal foi considerada a instituição mais confiável do país e também aquela na qual os entrevistados mais depositam a esperança de combate à corrupção.
Feita numa parceria entre a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), a Universidade de Brasília (UnB) e a Opinião Consultoria, a pesquisa ouviu 2,1 mil pessoas. Da amostra, 75,5% consideraram a PF a instituição mais confiável. Em segundo lugar, aparecem as Forças Armadas, citadas por 74,7% dos entrevistados, e em terceiro ficou o juizado de pequenas causas, mencionado em 71,8% das respostas. Em relação ao combate à corrupção, a PF, com 25,1% das referências, está à frente do Ministério Público (22,8%), da sociedade civil (12,9%), do Judiciário (9,7%) e do Tribunal de Contas da União (5%).
Para Ricardo Caldas, professor do Instituto de Ciência Política (Ipol) da UnB, chama a atenção a relação entre o terceiro e o quarto lugar da lista. “A sociedade confia mais nela mesma que no Judiciário para combater a corrupção”, afirmou. A pesquisa foi feita por telefone, o que deixou fora da amostra os brasileiros que não dispõem desse meio de comunicação. “Isso não altera muito o resultado”, disse David Lima, da Opinião. Quem aparece mal, como um todo, é o Poder Legislativo. A Câmara dos Deputados e o Senado têm altos níveis de desconfiança — 83,1% e 80,7%, respectivamente —, e vereadores não são confiáveis para 74,1% dos entrevistados.
Otimismo e reforma
Ainda que demonstrem altos níveis de desconfiança em relação a quase todas as principais instituições do país, brasileiros não são pessimistas quanto à possibilidade de mudança do cenário atual. Perguntados se a corrupção pode ser combatida, 84,9% dos entrevistados disseram que sim, e 14,1% responderam negativamente. A AMB, uma das maiores defensoras da realização da reforma política no país, incluiu uma questão sobre o tema na pesquisa, e 95,4% dos entrevistados disseram considerar o assunto importante.
Para os responsáveis pelo levantamento, não é certo, no entanto, que a população tenha consciência do que deve ser feito. “A sociedade não sabe quais são as possibilidades”, disse Ricardo Caldas, da UnB. Rodrigo Collaço, presidente da AMB, afirmou não ter sido possível esclarecer a população a respeito de itens dos sistemas eleitoral e político que precisam ser alterados.