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Publicado: 8/10/2007 | 09:13
Brasil S.A - Meias verdades e mentiras
Correio Braziliense
Não é o país que deve parar, mas o governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o país pare com duas coisas: com a mania de achar que aumentar o número de servidores é inchar a máquina pública e com o medo de arrecadar mais impostos. Ele não relacionou as duas sugestões, feitas em momentos diferentes. Afirmou que contratar mais funcionários melhora a gestão pública. E que os impostos permitem a execução de políticas sociais mais justas.
As frases de Lula foram:
1)É preciso parar com a mania de achar que contratar gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina.
2)O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais. Porque o mal do Brasil é que durante muito tempo arrecadou menos.
São meias verdades. Contratar mais gente não melhora, por si só, o serviço público. Mas, com certeza, eleva o gasto público. Aumentar a carga tributária não garante justiça social. Mas, com certeza, transfere renda das empresas e trabalhadores para o governo. Em ambos os casos o Estado brasileiro fica mais forte, não necessariamente melhor. E a sociedade, enfraquecida.
Verdades e mentiras
O discurso do presidente Lula sobre a carga tributária é sintomático. Os impostos não subiram, pelo contrário, muitos foram reduzidos. Portanto, o país não estaria pagando mais tributos. Inverdade, presidente. As alíquotas não subiram, é fato. Porém, o total pago pelos brasileiros sim. Com uma das mãos o governo deixou com a sociedade R$ 29 bilhões, mas com a outra tomou R$ 118 bilhões adicionais, como mostrou matéria da repórter Edna Simão, do Correio.
Outra afirmação de Lula foi: “a verdade é que as pessoas estão pagando mais porque estão ganhando mais.” Presidente, é só parcialmente verdade. Empresas estão tendo receita maior, é fato. Mas a arrecadação sobe muito acima do que o país enriquece. As receitas federais aumentaram 7,8% no ano passado, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 3,7%.
O Estado apropriou-se de uma parcela maior do que foi produzido com suor dos trabalhadores e dos empreendedores. Quem explicitou esse fato foi a própria Receita Federal ao confessar que a carga tributária bateu recorde em 2006, chegando a 34,23% do PIB. Foram quase R$ 80 bilhões adicionais para o Tesouro Nacional. Em 2005 havia sido de 33,38%.
Presidente, a carga tributária subiu! Quem disse foi a Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda. O governo nunca teve medo de arrecadar cada vez mais. Quem tem medo da sanha desmesurada são os contribuintes.
E a carga deve subir ainda mais este ano, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A arrecadação tributária federal no primeiro semestre foi R$ 36 bilhões maior do que no mesmo período do ano passado. A carga foi para 36,39% do PIB, frente a 35,61% de 2006, segundo a fórmula de cálculo do IBPT, que é diferente da Receita Federal.
Qualidade onde?
Sobre a contratação de servidores, é fato que o governo precisa melhorar seu desempenho. Mas abrir 100 mil vagas para concursados e aumentar em 3 mil os cargos de confiança (DAS) não garantem um serviço de qualidade. Foram mudanças de gestão, associadas à cobrança de desempenho, que criaram algumas ilhas de excelência no Estado, como a Embrapa. Um governo que não sabe exatamente nem quantos funcionários tem, onde estão, o que fazem e quanto recebem, não está nem perto de ter uma gestão de verdade. Quanto mais, de fazer um choque de gestão, como deu a entender Lula.
Sobre a contratação de servidores, é fato que o governo precisa melhorar seu desempenho. Mas abrir 100 mil vagas para concursados e aumentar em 3 mil os cargos de confiança (DAS) não garantem um serviço de qualidade. Foram mudanças de gestão, associadas à cobrança de desempenho, que criaram algumas ilhas de excelência no Estado, como a Embrapa. Um governo que não sabe exatamente nem quantos funcionários tem, onde estão, o que fazem e quanto recebem, não está nem perto de ter uma gestão de verdade. Quanto mais, de fazer um choque de gestão, como deu a entender Lula.
Correio Braziliense
Não é o país que deve parar, mas o governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o país pare com duas coisas: com a mania de achar que aumentar o número de servidores é inchar a máquina pública e com o medo de arrecadar mais impostos. Ele não relacionou as duas sugestões, feitas em momentos diferentes. Afirmou que contratar mais funcionários melhora a gestão pública. E que os impostos permitem a execução de políticas sociais mais justas.
As frases de Lula foram:
1)É preciso parar com a mania de achar que contratar gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina.
2)O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais. Porque o mal do Brasil é que durante muito tempo arrecadou menos.
São meias verdades. Contratar mais gente não melhora, por si só, o serviço público. Mas, com certeza, eleva o gasto público. Aumentar a carga tributária não garante justiça social. Mas, com certeza, transfere renda das empresas e trabalhadores para o governo. Em ambos os casos o Estado brasileiro fica mais forte, não necessariamente melhor. E a sociedade, enfraquecida.
Verdades e mentiras
O discurso do presidente Lula sobre a carga tributária é sintomático. Os impostos não subiram, pelo contrário, muitos foram reduzidos. Portanto, o país não estaria pagando mais tributos. Inverdade, presidente. As alíquotas não subiram, é fato. Porém, o total pago pelos brasileiros sim. Com uma das mãos o governo deixou com a sociedade R$ 29 bilhões, mas com a outra tomou R$ 118 bilhões adicionais, como mostrou matéria da repórter Edna Simão, do Correio.
Outra afirmação de Lula foi: “a verdade é que as pessoas estão pagando mais porque estão ganhando mais.” Presidente, é só parcialmente verdade. Empresas estão tendo receita maior, é fato. Mas a arrecadação sobe muito acima do que o país enriquece. As receitas federais aumentaram 7,8% no ano passado, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 3,7%.
O Estado apropriou-se de uma parcela maior do que foi produzido com suor dos trabalhadores e dos empreendedores. Quem explicitou esse fato foi a própria Receita Federal ao confessar que a carga tributária bateu recorde em 2006, chegando a 34,23% do PIB. Foram quase R$ 80 bilhões adicionais para o Tesouro Nacional. Em 2005 havia sido de 33,38%.
Presidente, a carga tributária subiu! Quem disse foi a Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda. O governo nunca teve medo de arrecadar cada vez mais. Quem tem medo da sanha desmesurada são os contribuintes.
E a carga deve subir ainda mais este ano, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A arrecadação tributária federal no primeiro semestre foi R$ 36 bilhões maior do que no mesmo período do ano passado. A carga foi para 36,39% do PIB, frente a 35,61% de 2006, segundo a fórmula de cálculo do IBPT, que é diferente da Receita Federal.
Qualidade onde?
Sobre a contratação de servidores, é fato que o governo precisa melhorar seu desempenho. Mas abrir 100 mil vagas para concursados e aumentar em 3 mil os cargos de confiança (DAS) não garantem um serviço de qualidade. Foram mudanças de gestão, associadas à cobrança de desempenho, que criaram algumas ilhas de excelência no Estado, como a Embrapa. Um governo que não sabe exatamente nem quantos funcionários tem, onde estão, o que fazem e quanto recebem, não está nem perto de ter uma gestão de verdade. Quanto mais, de fazer um choque de gestão, como deu a entender Lula.
Sobre a contratação de servidores, é fato que o governo precisa melhorar seu desempenho. Mas abrir 100 mil vagas para concursados e aumentar em 3 mil os cargos de confiança (DAS) não garantem um serviço de qualidade. Foram mudanças de gestão, associadas à cobrança de desempenho, que criaram algumas ilhas de excelência no Estado, como a Embrapa. Um governo que não sabe exatamente nem quantos funcionários tem, onde estão, o que fazem e quanto recebem, não está nem perto de ter uma gestão de verdade. Quanto mais, de fazer um choque de gestão, como deu a entender Lula.