O ?War? do Senado
A oposição e o PT já trabalham com a substituição de Renan Calheiros (PMDB-AL) na Presidência do Senado. O acordo, no entanto, só não foi selado até agora porque petistas e oposicionistas querem um desfecho diferente. A oposição quer mesmo é a renúncia para, assim, eleger Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) no lugar do alagoano e passar a ditar o ritmo de trabalho do Congresso e do Senado. A maioria dos petistas deseja apenas uma licença de Renan e, assim, deixar o cargo nas mão de Tião Viana (AC).
No pano de fundo da discussão petista sobre o tema está uma discreta queda-de-braço pela liderança do partido entre Ideli Salvatti e Aloizio Mercadante. Ontem, quando falou da crise Renan, Ideli, que lidera a bancada, citou uma reunião de líderes pela manhã para tratar da obstrução dos trabalhos da Casa. E não tirou os olhos de Mercadante, que passou pelo encontro. Para muitos, as razões de vários senadores para afastar Renan vão muito além das denúncias. Está cada um de olho no seu objetivo. E, como no jogo War, cada um só mostrará seu objetivo ao final da partida, que até agora ninguém sabe ao certo que dia será.
Os ocupados
José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA), os sempre diligentes e discretos articuladores de apoio a Renan Calheiros, se ocuparam de outros afazeres enquanto o plenário desatava a sangria do presidente da Casa. O pai passou a tarde no gabinete. A filha percorria o interior do Maranhão, azeitando a engrenagem partidária do estado para as eleições municipais.
Ouvidos moucos
O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), enviou na tarde de ontem um emissário ao gabinete de Pedro Simon (RS). O objetivo era tatear a reação do gaúcho com uma proposta de reconciliação: apenas Simon seria reconduzido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Jarbas Vasconcelos permaneceria fora do colegiado. Simon fez que não ouviu.
Batalha petista
Candidato a presidente do PT, Jilmar Tatto tenta amarrar os interessados nas eleições municipais à sua chapa. Ele acena, por exemplo, com o apoio a Arlindo Chinaglia na disputa interna para concorrer à prefeitura de São Paulo e a Maria do Rosário, em Porto Alegre.
Continhas da oposição
A guerra contra Renan Calheiros uniu democratas e tucanos no Senado. Em compensação, na Câmara, os dois partidos continuam afastados, cada um querendo ser o puxador do contraponto ao governo. Enquanto isso, o presidente Lula continua firme junto ao eleitorado. Nos corredores da Casa, não se comenta outra cosia: “Nós aqui nesse limbo e o Lula lá, feliz da vida”. A maioria dos oposicionistas calcula que até agora não viu lucro nessa história envolvendo Renan Calheiros.
No cafezinho
Por falar em Renan…/ No início da noite, ele abriu uma exposição sobre os estados no Salão Negro do Congresso. Horas antes, a segurança tinha implicado com uma cobra jibóia, que enfeitava um dos estandes. O deputado Chico Alencar (foto) não resistiu: “Ué?! Por que não vão deixar essa cobra, se há tantas soltas por aqui?”
Um olho no plenário…/ No meio da tarde, enquanto alguns poucos deputados se revezavam em discursos no plenário e muitos se divertiam folheando a revista com as fotos de Mônica Veloso, a sala de café da Câmara estava cheia de parlamentares de olho na TV Senado, acompanhando a sessão em que aliados e oposicionistas pediam o afastamento de Renan Calheiros. Agripino Maia (DEM-RN) chegou a se referir ao dia 2 de novembro como a data limite para o fim da crise. “Ih, é Dia de Finados!”, comentaram quase que juntos os deputados Ciro Gomes (PSB-CE) e Paulo Renato Souza (PSDB-SP).
Tropeço/ Renan Calheiros deixou transparecer que tem dois pesos e duas medidas. Foi quando o senador Demostenes Torres (DEM-GO), de dedo em riste, falava da tribuna que o assessor afastado, Francisco Escórcio, esteve em Goiânia para pegar documentos contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Renan respondeu: “É localizado isso”. Muitos senadores ficaram com a impressão de que, no caso do Maranhão, Renan não vê nada de errado nas ações de Escórcio.
Ministro, eu?/ O senador Edison Lobão (MA) mal acabara de assinar a ficha de filiação no PMDB quando um grupo de jornalistas lhe abordou: “Ministro, ministro, e a CPMF?”. Lobão nem piscou: “Essa história de ministério não existe. E, quanto à CPMF, eu acabo de colocar o pé na bancada e vocês já querem que eu diga como vou votar? Calma, gente! Deixa eu chegar primeiro!”.
A oposição e o PT já trabalham com a substituição de Renan Calheiros (PMDB-AL) na Presidência do Senado. O acordo, no entanto, só não foi selado até agora porque petistas e oposicionistas querem um desfecho diferente. A oposição quer mesmo é a renúncia para, assim, eleger Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) no lugar do alagoano e passar a ditar o ritmo de trabalho do Congresso e do Senado. A maioria dos petistas deseja apenas uma licença de Renan e, assim, deixar o cargo nas mão de Tião Viana (AC).
No pano de fundo da discussão petista sobre o tema está uma discreta queda-de-braço pela liderança do partido entre Ideli Salvatti e Aloizio Mercadante. Ontem, quando falou da crise Renan, Ideli, que lidera a bancada, citou uma reunião de líderes pela manhã para tratar da obstrução dos trabalhos da Casa. E não tirou os olhos de Mercadante, que passou pelo encontro. Para muitos, as razões de vários senadores para afastar Renan vão muito além das denúncias. Está cada um de olho no seu objetivo. E, como no jogo War, cada um só mostrará seu objetivo ao final da partida, que até agora ninguém sabe ao certo que dia será.
Os ocupados
José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA), os sempre diligentes e discretos articuladores de apoio a Renan Calheiros, se ocuparam de outros afazeres enquanto o plenário desatava a sangria do presidente da Casa. O pai passou a tarde no gabinete. A filha percorria o interior do Maranhão, azeitando a engrenagem partidária do estado para as eleições municipais.
Ouvidos moucos
O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), enviou na tarde de ontem um emissário ao gabinete de Pedro Simon (RS). O objetivo era tatear a reação do gaúcho com uma proposta de reconciliação: apenas Simon seria reconduzido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Jarbas Vasconcelos permaneceria fora do colegiado. Simon fez que não ouviu.
Batalha petista
Candidato a presidente do PT, Jilmar Tatto tenta amarrar os interessados nas eleições municipais à sua chapa. Ele acena, por exemplo, com o apoio a Arlindo Chinaglia na disputa interna para concorrer à prefeitura de São Paulo e a Maria do Rosário, em Porto Alegre.
Continhas da oposição
A guerra contra Renan Calheiros uniu democratas e tucanos no Senado. Em compensação, na Câmara, os dois partidos continuam afastados, cada um querendo ser o puxador do contraponto ao governo. Enquanto isso, o presidente Lula continua firme junto ao eleitorado. Nos corredores da Casa, não se comenta outra cosia: “Nós aqui nesse limbo e o Lula lá, feliz da vida”. A maioria dos oposicionistas calcula que até agora não viu lucro nessa história envolvendo Renan Calheiros.
No cafezinho
Por falar em Renan…/ No início da noite, ele abriu uma exposição sobre os estados no Salão Negro do Congresso. Horas antes, a segurança tinha implicado com uma cobra jibóia, que enfeitava um dos estandes. O deputado Chico Alencar (foto) não resistiu: “Ué?! Por que não vão deixar essa cobra, se há tantas soltas por aqui?”
Um olho no plenário…/ No meio da tarde, enquanto alguns poucos deputados se revezavam em discursos no plenário e muitos se divertiam folheando a revista com as fotos de Mônica Veloso, a sala de café da Câmara estava cheia de parlamentares de olho na TV Senado, acompanhando a sessão em que aliados e oposicionistas pediam o afastamento de Renan Calheiros. Agripino Maia (DEM-RN) chegou a se referir ao dia 2 de novembro como a data limite para o fim da crise. “Ih, é Dia de Finados!”, comentaram quase que juntos os deputados Ciro Gomes (PSB-CE) e Paulo Renato Souza (PSDB-SP).
Tropeço/ Renan Calheiros deixou transparecer que tem dois pesos e duas medidas. Foi quando o senador Demostenes Torres (DEM-GO), de dedo em riste, falava da tribuna que o assessor afastado, Francisco Escórcio, esteve em Goiânia para pegar documentos contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Renan respondeu: “É localizado isso”. Muitos senadores ficaram com a impressão de que, no caso do Maranhão, Renan não vê nada de errado nas ações de Escórcio.
Ministro, eu?/ O senador Edison Lobão (MA) mal acabara de assinar a ficha de filiação no PMDB quando um grupo de jornalistas lhe abordou: “Ministro, ministro, e a CPMF?”. Lobão nem piscou: “Essa história de ministério não existe. E, quanto à CPMF, eu acabo de colocar o pé na bancada e vocês já querem que eu diga como vou votar? Calma, gente! Deixa eu chegar primeiro!”.