Contra tudo e contra todos
Correio Braziliense
Na lista de protestos dos manifestantes que pararam o trânsito por quatro horas estavam Lula, Bush, Renan, reformas previdenciária, universitária e trabalhista, transposição do Rio São Francisco…
A estrela do PT, que costumava invadir Brasília em dias de manifestações, foi trocada ontem por símbolos do Psol e do PSTU. A Polícia Militar não conseguiu evitar que 10 mil pessoas tomassem conta de todas as seis pistas do Eixo Monumental para protestar contra tudo e contra todos. Durante as quatro horas de caminhada entre o estádio Mané Garrincha e o Congresso, organizada pelas centrais sindicais Comlutas e Intesindical, não faltou motivo para gritar. Protestou-se contra o governo Lula, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro da Previdência, Luiz Marinho, as reformas da previdência, universitária e trabalhista e contra a transposição do Rio São Francisco. Tinha também placa contra Bush no Iraque e Lula no Haiti.
“A palavra de ordem é fora todos os corruptos”, discursou a presidente do Psol, Heloísa Helena, acompanhada dos quatro integrantes da bancada do partido na Câmara e no Senado. O mais criticado em toda Marcha em Defesa dos Direitos foi o presidente licenciado do Senado. Sentados no gramado em frente ao Congresso, os manifestantes se organizaram para formar “fora Renan”. Durante a caminhada, não faltaram palavras de ordem. As mais cantadas eram: “Lula, eu já sabia. Renan é teu PC Farias”.
Além dos gritos e cartazes, teve gente que se fantasiou para protestar. Welington Pereira saiu do Espírito Santo para incorporar uma vaca, em homenagem ao valioso rebanho de Renan Calheiros. “Com performance não precisa de grandes discursos”, justificou. Pereira deitou em frente ao cordão de isolamento da PM, mugiu e tirou fotos com outros manifestantes tão irreverentes quanto ele.
Vestido de garçom e erguendo uma pizza na mão direita, o paulista Jailton Nascimento veio a Brasília mostrar sua insatisfação “com o processo neoliberal que desrespeita o direito dos trabalhadores”. A animadora Roberta Paixão viajou 18 horas do Rio de Janeiro até a capital do Brasil pelo direito das crianças e dos surdos. “Passeata é uma ótima forma de colocar para fora toda indignação que sentimos”, justifica.
Surpresa
O número de manifestantes surpreendeu até mesmo a organização da passeata. Animada, a deputada federal Luciana Genro (PSol-RS) dizia que a manifestação era uma prova de que muita gente não se rendeu aos “mimos do governo”. “Quem está aqui recusou verbas e cargos, não se entregou ao governo”, disse, criticando a postura da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para Ivan Valente, deputado federal do PSol por São Paulo, a marcha fortalece o partido. “É uma batalha restrita a poucos parlamentares, mas essa energia do movimento ecoa nos corredores do Congresso”, completou o deputado Chico Alencar (PSol -RJ).
Ex-petistas, os integrantes do PSol disseram que a caminhada de ontem lembrou os velhos tempos do PT, quando militantes e simpatizantes do partido invadiam as ruas para protestar. Heloísa Helena, contudo, afirma que seu saudosismo durou um ano apenas, depois que ela foi expulsa do PT. “O movimento de esquerda do Brasil não começou com o PT e não termina com o PSol. Não estamos aqui para substituir ninguém”, disse.
O combinado era ocupar três faixas da pista. Os manifestantes não colaboraram e a PM optou por não confrontar
Alair Garcia Jr., comandante do policiamento
Motoristas irritados
As quatro horas de manifestação na Esplanada dos Ministérios trouxeram alegria para os ambulantes e desespero para motoristas. A Polícia Militar não conseguiu manter a passeata em três faixas do Eixo Monumental. Os manifestantes ocuparam toda a pista e o trânsito parou. Teve motorista que ficou preso no meio do protesto, que atravessou o canteiro do Eixo Monumental para fugir da passeata, e até quem decidiu aderir ao protesto.
O combinado com a organização da manifestação, de acordo com o tenente coronel Alair Garcia Jr., era manter três faixas livres para os carros. “O grupo decidiu não colaborar”, lamentou o comandante. Os 665 homens da PM escalados para acompanhar a manifestação optaram por não entrar em confronto. Preferiram tentar resolver os problemas do trânsito com desvios a forçar os manifestantes a abrir espaço para os carros. “É preciso lembrar que o número de manifestantes é o mesmo de uma população de uma cidade pequena”, justificou o coronel.
Enquanto os carros esperavam a passeata terminar, os ambulantes aproveitaram para faturar. Durante todo o percurso era possível comprar água, cerveja, óculos escuros, boné, frutas e sorvete. O ambulante Everson Silva ganhou R$ 200, em duas horas, vendendo água e refrigerante. Para ele, uma passeata por semana como a de ontem seria ideal. “Era bom no tempo em que Lula ainda não estava no poder”, disse. A passeata terminou com um banho no espelho d’água do Congresso e protestos menores na porta dos ministérios da Educação e da Previdência.
Correio Braziliense
Na lista de protestos dos manifestantes que pararam o trânsito por quatro horas estavam Lula, Bush, Renan, reformas previdenciária, universitária e trabalhista, transposição do Rio São Francisco…
A estrela do PT, que costumava invadir Brasília em dias de manifestações, foi trocada ontem por símbolos do Psol e do PSTU. A Polícia Militar não conseguiu evitar que 10 mil pessoas tomassem conta de todas as seis pistas do Eixo Monumental para protestar contra tudo e contra todos. Durante as quatro horas de caminhada entre o estádio Mané Garrincha e o Congresso, organizada pelas centrais sindicais Comlutas e Intesindical, não faltou motivo para gritar. Protestou-se contra o governo Lula, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro da Previdência, Luiz Marinho, as reformas da previdência, universitária e trabalhista e contra a transposição do Rio São Francisco. Tinha também placa contra Bush no Iraque e Lula no Haiti.
“A palavra de ordem é fora todos os corruptos”, discursou a presidente do Psol, Heloísa Helena, acompanhada dos quatro integrantes da bancada do partido na Câmara e no Senado. O mais criticado em toda Marcha em Defesa dos Direitos foi o presidente licenciado do Senado. Sentados no gramado em frente ao Congresso, os manifestantes se organizaram para formar “fora Renan”. Durante a caminhada, não faltaram palavras de ordem. As mais cantadas eram: “Lula, eu já sabia. Renan é teu PC Farias”.
Além dos gritos e cartazes, teve gente que se fantasiou para protestar. Welington Pereira saiu do Espírito Santo para incorporar uma vaca, em homenagem ao valioso rebanho de Renan Calheiros. “Com performance não precisa de grandes discursos”, justificou. Pereira deitou em frente ao cordão de isolamento da PM, mugiu e tirou fotos com outros manifestantes tão irreverentes quanto ele.
Vestido de garçom e erguendo uma pizza na mão direita, o paulista Jailton Nascimento veio a Brasília mostrar sua insatisfação “com o processo neoliberal que desrespeita o direito dos trabalhadores”. A animadora Roberta Paixão viajou 18 horas do Rio de Janeiro até a capital do Brasil pelo direito das crianças e dos surdos. “Passeata é uma ótima forma de colocar para fora toda indignação que sentimos”, justifica.
Surpresa
O número de manifestantes surpreendeu até mesmo a organização da passeata. Animada, a deputada federal Luciana Genro (PSol-RS) dizia que a manifestação era uma prova de que muita gente não se rendeu aos “mimos do governo”. “Quem está aqui recusou verbas e cargos, não se entregou ao governo”, disse, criticando a postura da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para Ivan Valente, deputado federal do PSol por São Paulo, a marcha fortalece o partido. “É uma batalha restrita a poucos parlamentares, mas essa energia do movimento ecoa nos corredores do Congresso”, completou o deputado Chico Alencar (PSol -RJ).
Ex-petistas, os integrantes do PSol disseram que a caminhada de ontem lembrou os velhos tempos do PT, quando militantes e simpatizantes do partido invadiam as ruas para protestar. Heloísa Helena, contudo, afirma que seu saudosismo durou um ano apenas, depois que ela foi expulsa do PT. “O movimento de esquerda do Brasil não começou com o PT e não termina com o PSol. Não estamos aqui para substituir ninguém”, disse.
O combinado era ocupar três faixas da pista. Os manifestantes não colaboraram e a PM optou por não confrontar
Alair Garcia Jr., comandante do policiamento
Motoristas irritados
As quatro horas de manifestação na Esplanada dos Ministérios trouxeram alegria para os ambulantes e desespero para motoristas. A Polícia Militar não conseguiu manter a passeata em três faixas do Eixo Monumental. Os manifestantes ocuparam toda a pista e o trânsito parou. Teve motorista que ficou preso no meio do protesto, que atravessou o canteiro do Eixo Monumental para fugir da passeata, e até quem decidiu aderir ao protesto.
O combinado com a organização da manifestação, de acordo com o tenente coronel Alair Garcia Jr., era manter três faixas livres para os carros. “O grupo decidiu não colaborar”, lamentou o comandante. Os 665 homens da PM escalados para acompanhar a manifestação optaram por não entrar em confronto. Preferiram tentar resolver os problemas do trânsito com desvios a forçar os manifestantes a abrir espaço para os carros. “É preciso lembrar que o número de manifestantes é o mesmo de uma população de uma cidade pequena”, justificou o coronel.
Enquanto os carros esperavam a passeata terminar, os ambulantes aproveitaram para faturar. Durante todo o percurso era possível comprar água, cerveja, óculos escuros, boné, frutas e sorvete. O ambulante Everson Silva ganhou R$ 200, em duas horas, vendendo água e refrigerante. Para ele, uma passeata por semana como a de ontem seria ideal. “Era bom no tempo em que Lula ainda não estava no poder”, disse. A passeata terminou com um banho no espelho d’água do Congresso e protestos menores na porta dos ministérios da Educação e da Previdência.